Após décadas acumulando mais de cinquenta milhões de pneus e enfrentando incêndios sucessivos, Sulaibiya passou por uma megaoperação de remoção e reciclagem que eliminou o gigantesco depósito e virou referência ambiental internacional
Por mais de duas décadas, Sulaibiya se tornou conhecida por abrigar algo difícil até de imaginar. Milhões de pneus foram deixados ali porque não havia outro destino imediato. Esse acúmulo formou o maior cemitério de pneus do mundo e criou um problema que chamou a atenção internacional. Além disso, a dimensão do local era tão grande que podia ser vista do espaço.
A quantidade de pneus ultrapassava cinquenta milhões. Isso gerou um impacto profundo na região porque o volume era enorme e se tornava cada vez mais perigoso.
Incêndios repetidos entre 2012 e 2020 mostraram como a situação já não podia continuar daquela forma.
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Três grandes incêndios e riscos crescentes
Entre 2012 e 2020, três incêndios atingiram o depósito. As chamas surgiram devido às altas temperaturas e liberaram substâncias tóxicas.
O ar ficou carregado de partículas prejudiciais, portanto a saúde de moradores próximos foi afetada.
Esses episódios expuseram o tamanho do risco ambiental. A fumaça escura se espalhava facilmente. Era impossível ignorar que o lugar precisava de atenção urgente.
Muitos fatores se somaram e pressionaram o governo a tomar uma decisão rápida.
Além disso, a proximidade de eventos importantes na região reforçou essa necessidade. A Copa do Mundo de 2022, no Qatar, colocaria o Oriente Médio sob os holofotes.
Manter o maior cemitério de pneus do planeta naquele cenário seria um problema ainda maior.
O projeto que mudou o destino dos pneus
O governo do Kuwait iniciou então um grande plano de realocação e reciclagem. A iniciativa se estendeu por anos porque o volume era enorme.
Entre 2012 e 2020, várias instalações de reciclagem foram criadas. Elas tinham capacidade para tratar quantidades significativas de pneus e transformá-los em novos materiais.
Imagens de satélite de setembro de 2021 mostraram que todos os pneus tinham sido removidos. A área de Sulaibiya ficou completamente limpa.
Essa mudança representou um marco importante porque eliminou um passivo ambiental acumulado ao longo de vinte anos. Um ponto chama atenção: o que aconteceu com todos aqueles pneus?

A reciclagem por pirólise e seus subprodutos
A maior parte passou por pirólise. É um processo que aquece o material a cerca de 450 graus Celsius. Desse modo, o pneu se transforma em gás.
O gás então é resfriado e vira biocombustível. O carbono negro é separado e armazenado, enquanto os fios metálicos são reciclados.
Esse método não apenas resolveu o problema do descarte como também gerou subprodutos aproveitáveis. Portanto, a ação trouxe benefícios ambientais e econômicos ao mesmo tempo.
Em alguns casos, antes da pirólise, os pneus eram cortados em pequenos pedaços. Esses fragmentos podiam ser usados em pisos e coberturas, ampliando ainda mais as possibilidades de reutilização.
Um exemplo para outros países
A eliminação do cemitério de pneus de Sulaibiya destacou um ponto relevante. Anualmente, o mundo produz cerca de um bilhão de pneus descartados.
Além disso, aproximadamente quatro bilhões ainda permanecem em aterros e depósitos.
O Kuwait mostrou que é possível enfrentar um problema tão grande e encontrar soluções eficientes. Essa iniciativa virou referência porque tratou uma questão ambiental grave e devolveu segurança à região.
Hoje, o antigo cemitério virou um exemplo de como políticas de reciclagem podem transformar um passivo enorme em materiais úteis.
Com informações de Times of India.


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