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Para impedir que o mar engolisse suas praias, Holanda lançou 21,5 milhões de m³ de areia no oceano e deixou a própria natureza reforçar dunas e faixa de areia

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 24/06/2026 às 22:06 Atualizado em 24/06/2026 às 22:08
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Na costa de Delfland, o Sand Motor virou uma grande reserva de areia que vento, ondas e correntes levam aos poucos para ampliar praias e dunas
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Na costa de Delfland, o Sand Motor virou uma grande reserva de areia que vento, ondas e correntes levam aos poucos para ampliar praias e dunas, uma experiência holandesa que ajuda a entender como o engordamento de praia pode reduzir perdas causadas pela erosão costeira sem tentar prender o mar no mesmo lugar.

Para impedir que o mar avançasse sobre suas praias, a Holanda lançou 21,5 milhões de m³ de areia no oceano e criou uma grande península perto de Kijkduin, em 2011. A estrutura não foi feita para permanecer igual, pois as ondas, os ventos e as correntes passaram a transportar a areia pela costa.

As informações foram divulgadas pela Deltares, instituto holandês de pesquisa aplicada sobre água e subsolo. O objetivo era usar a força natural do mar para reforçar a faixa de areia e ajudar no crescimento das dunas, que funcionam como uma barreira entre as ondas e o continente.

O projeto ajuda a entender a erosão costeira de forma simples. Em vez de construir apenas muros ou despejar areia muitas vezes na mesma praia, a Holanda criou uma reserva enorme para que o próprio oceano levasse o material aos poucos.

A península de areia criada em 2011 avançou 1 km mar adentro e ocupou 2 km de costa

O Sand Motor nasceu no litoral de Delfland, no sul da Holanda. A península tinha formato de gancho, avançava 1 km sobre o mar e ocupava 2 km ao longo da costa.

A areia veio de uma área localizada a 10 km do litoral. Dragas, que são embarcações usadas para retirar areia do fundo do mar, levaram o material até a área onde a península foi formada.

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Em alguns pontos, a estrutura alcançou 5 metros acima do nível médio do mar. Mesmo assim, ela não foi construída como uma barreira rígida. O desenho precisava mudar com o tempo para que a areia chegasse às praias e dunas próximas.

A aparência da obra também muda porque o oceano movimenta a areia todos os dias. A península original perde parte do formato, mas esse comportamento faz parte do funcionamento previsto para o Sand Motor.

Construir com a natureza significa deixar vento, ondas e correntes fazerem parte do trabalho

A ideia usada no Sand Motor é chamada de construção com a natureza. Em palavras simples, a técnica aproveita forças naturais que já existem no local, em vez de tentar parar completamente o movimento do mar.

A enorme quantidade de areia funciona como uma reserva para a costa. O vento leva parte do material para as dunas, enquanto as ondas e as correntes espalham outra parte pelas praias vizinhas.

Essa areia ajuda a manter uma faixa maior entre o mar e as áreas ocupadas por pessoas. Também reduz o impacto direto das ondas sobre as dunas, que podem absorver parte da força do mar.

Construir com a natureza significa deixar vento, ondas e correntes fazerem parte do trabalho
Construir com a natureza significa deixar vento, ondas e correntes fazerem parte do trabalho

O projeto foi pensado para durar cerca de 20 anos sem exigir novas reposições frequentes de areia. Isso não significa que a erosão costeira desaparece, pois o mar continua mudando a forma das praias ao longo do tempo.

Os primeiros 10 anos mostraram praias mais largas e dunas em crescimento

A avaliação dos primeiros 10 anos mostrou que a costa ficou mais larga e as dunas cresceram. A areia começou a se espalhar pela área próxima, criando uma faixa de praia maior em vários trechos.

Deltares, instituto holandês de pesquisa aplicada sobre água e subsolo, coordenou o acompanhamento da área. As medições observaram a segurança de banhistas, a formação das dunas, o movimento da areia e os efeitos sobre animais e plantas.

Na parte sul do Sand Motor, surgiram dunas de até 3 metros de altura sobre a praia. A faixa de dunas já existente perto da península também ficou mais larga, aumentando a proteção natural da costa.

A área passou a reunir mais tipos de animais que vivem no fundo do mar e mais aves costeiras. Ao mesmo tempo, a presença de visitantes tornou alguns pontos menos favoráveis para aves que precisam fazer ninhos.

Engordamento de praia comum e megaalimentação de areia funcionam de formas diferentes

O engordamento de praia é a reposição de areia em trechos onde o mar levou parte do material. Esse tipo de obra tenta devolver largura à praia e criar uma área maior entre as ondas e as construções próximas.

Em intervenções tradicionais, o volume costuma ficar entre 2 milhões e 5 milhões de m³ de areia. A duração geralmente fica perto de 5 anos, o que pode exigir novas reposições com frequência.

O Sand Motor usou uma lógica diferente. Em vez de distribuir pequenas quantidades em vários momentos, concentrou 21,5 milhões de m³ de areia em uma única grande península.

O engordamento de praia é a reposição de areia em trechos onde o mar levou parte do material.
O engordamento de praia é a reposição de areia em trechos onde o mar levou parte do material.

Essa escolha reduziu a necessidade de repetir obras no mesmo ritmo. Porém, uma intervenção desse tamanho depende de areia compatível com a praia, estudos sobre o fundo do mar e monitoramento constante.

Praias brasileiras afetadas pela erosão costeira exigem estudos antes de copiar a experiência

O Sand Motor pode inspirar debates sobre erosão costeira no Brasil, mas não serve como uma solução pronta para qualquer praia. Cada litoral tem ondas, correntes, ventos e fundos marinhos diferentes.

A areia usada em uma reposição precisa ter características parecidas com a areia já existente na praia. Também é necessário avaliar a distância até a área de retirada e a profundidade necessária para buscar o material no mar.

O formato variável da península pode criar correntes temporárias e aumentar riscos para banhistas. Por isso, obras desse tipo precisam acompanhar a segurança de quem frequenta a praia, além dos efeitos sobre dunas, animais e vegetação.

A proteção da costa não depende apenas de jogar areia no oceano. O resultado muda conforme as condições locais, a força do mar e o planejamento feito antes da obra.

O Sand Motor mostrou que 21,5 milhões de m³ de areia podem funcionar como uma reserva para praias e dunas, sem tentar transformar o mar em algo imóvel. A península criada em 2011 foi planejada para mudar com as ondas e espalhar areia pela costa.

A experiência holandesa não promete uma resposta definitiva para a erosão costeira. Ela mostra que a natureza pode participar da proteção das praias quando existe estudo, acompanhamento e conhecimento sobre o comportamento do mar.

Em uma praia ameaçada, você confiaria no próprio mar para espalhar areia e ajudar na proteção da costa? Conte nos comentários e compartilhe esta publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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