O Vietnã dividiu o megaprojeto de trem de alta velocidade Norte-Sul em 17 projetos independentes por meio da Resolução nº 98, permitindo que obras de compensação, reassentamento e construção avancem simultaneamente em diferentes trechos sem depender da conclusão de etapas centralizadas.
O Vietnã tomou uma decisão que pode mudar o ritmo de uma das maiores obras de infraestrutura da Ásia. O governo emitiu a Resolução nº 98, de 6 de abril de 2026, que divide o megaprojeto de trem de alta velocidade Norte-Sul em 17 projetos independentes, cada um com autonomia para avançar em compensação de terrenos, reassentamento de comunidades e início de obras sem precisar esperar que as demais etapas do projeto nacional estejam concluídas. A medida busca acelerar o progresso e otimizar os recursos de investimento em uma ferrovia que vai atravessar o país inteiro.
A lógica é prática. Em vez de tratar o megaprojeto de trem de alta velocidade como uma única obra monolítica que depende de aprovações centralizadas, o Vietnã criou 17 frentes de trabalho que podem avançar em paralelo. O responsável pela tomada de decisões de investimento em cada projeto está autorizado a preparar, avaliar e decidir sobre o investimento com base nos documentos de projeto preliminares, sem precisar aprovar novamente a política de investimento geral. Para um país que precisa construir uma ferrovia de alta velocidade cortando seu território de norte a sul, eliminar gargalos burocráticos pode significar anos de economia no cronograma.
Por que o Vietnã decidiu dividir o megaprojeto de trem de alta velocidade em 17 partes
Megaprojetos de infraestrutura em qualquer país do mundo sofrem com o mesmo problema: centralização excessiva que cria gargalos, conforme o Jornal Dan Tri. Quando uma única autoridade precisa aprovar cada etapa de uma obra que se estende por centenas de quilômetros, qualquer atraso em um trecho paralisa todos os outros.
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A desapropriação de terrenos, o reassentamento de famílias e a realocação de infraestrutura técnica como redes elétricas são processos que variam enormemente de região para região e que não precisam esperar uns pelos outros.
Ao separar o megaprojeto de trem de alta velocidade em 17 projetos independentes, o Vietnã permite que cada trecho resolva suas questões locais no seu próprio ritmo.
Uma região onde a desapropriação de terras é simples pode iniciar as obras enquanto outra região ainda negocia com as comunidades afetadas. O resultado esperado é que a ferrovia avance simultaneamente em múltiplas frentes, reduzindo drasticamente o tempo total de construção.
O que cada um dos 17 projetos independentes pode fazer sem depender dos outros
A Resolução nº 98 dá autonomia significativa a cada um dos 17 trechos. Os responsáveis por cada projeto podem selecionar empreiteiros por meio de contratação direta, licitação restrita ou outros métodos previstos na legislação vietnamita, incluindo contratos do tipo EPC (Projeto, Aquisição e Construção), EC (Projeto e Construção) e contratos chave na mão.
Essa flexibilidade na contratação acelera o início das obras porque elimina a necessidade de processos licitatórios unificados para toda a ferrovia.
A compensação e o reassentamento em cada trecho do megaprojeto de trem de alta velocidade são implementados assim que o investidor entrega os documentos e define os limites do terreno para desapropriação às autoridades locais e ao Grupo de Eletricidade do Vietnã (EVN).
Os ajustes de projeto são atualizados e aprovados localmente, com financiamento alocado anualmente pelos orçamentos central e locais. Cada projeto funciona como uma mini-obra dentro do megaprojeto, com orçamento próprio e cronograma próprio.
As exigências técnicas que o Vietnã impôs para garantir qualidade no megaprojeto de trem de alta velocidade
Dividir em 17 projetos não significa perder controle. O Ministério da Construção, em coordenação com ministérios e setores relevantes, orienta os consultores de projeto a criarem o trajeto mais reto possível, garantindo precisão nos parâmetros técnicos para adequá-los às condições topográficas, geológicas e hidrológicas de cada trecho.
O objetivo é minimizar a necessidade de realinhamento do trajeto após o desmatamento, evitando desperdício de recursos e retrabalho.
A resolução também determina acompanhamento contínuo da implementação dos mecanismos especiais criados para o megaprojeto de trem de alta velocidade. As autoridades devem comunicar prontamente quaisquer dificuldades e recomendar soluções, assegurando o cumprimento dos requisitos práticos e prevenindo violações legais, desperdício e corrupção.
Para um projeto dessa escala em um país em desenvolvimento, o equilíbrio entre velocidade de execução e controle de qualidade é o fator que determina se a ferrovia será concluída dentro do prazo ou se enfrentará os mesmos atrasos que afetam grandes obras em toda a Ásia.
O que a ferrovia de alta velocidade Norte-Sul significa para o Vietnã
O megaprojeto de trem de alta velocidade Norte-Sul é uma das obras mais ambiciosas do Vietnã contemporâneo. A ferrovia vai conectar o norte ao sul do país, atravessando regiões com características geográficas, econômicas e demográficas muito diferentes, desde áreas urbanas densas como Hanói e Ho Chi Minh até trechos rurais e montanhosos no centro do território.
A conexão ferroviária de alta velocidade promete reduzir drasticamente o tempo de viagem entre as duas maiores cidades do país.
Para a economia vietnamita, a ferrovia representa integração de mercados que hoje dependem de rodovias congestionadas e voos domésticos caros. Mercadorias e passageiros poderão circular pelo país com velocidade e eficiência que a infraestrutura atual simplesmente não oferece.
O Vietnã, que é uma das economias que mais crescem no sudeste asiático, aposta que o megaprojeto de trem de alta velocidade será o catalisador de um novo ciclo de desenvolvimento que conectará regiões que hoje funcionam de forma fragmentada.
O que outros países podem aprender com a estratégia vietnamita de dividir o megaprojeto de trem de alta velocidade
A decisão de fracionar uma obra nacional em projetos independentes não é comum, mas pode se tornar referência. Países como Brasil, Índia e Indonésia enfrentam desafios semelhantes em megaprojetos de infraestrutura que emperram por causa de burocracias centralizadas, desapropriações lentas e processos licitatórios que demoram anos para serem concluídos.
A abordagem vietnamita de 17 frentes paralelas oferece uma alternativa que mantém o controle central sobre padrões técnicos, mas distribui a execução de forma descentralizada.
Se o megaprojeto de trem de alta velocidade do Vietnã for concluído dentro do cronograma graças a essa estratégia, o modelo pode ser replicado em outros países que tentam construir ferrovias de grande extensão sem os recursos ilimitados da China ou a tradição ferroviária da Europa.
A Resolução nº 98 pode parecer um documento burocrático, mas na prática é uma decisão que pode definir se o Vietnã terá sua ferrovia em uma década ou em três.
O que você acha da estratégia do Vietnã de dividir o megaprojeto de trem de alta velocidade em 17 obras independentes? Acredita que o Brasil deveria adotar abordagem semelhante em suas obras de infraestrutura? Conta nos comentários. Soluções criativas para destravar grandes obras merecem debate, especialmente em países onde o atraso é regra e não exceção.

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