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Pacientes do SUS com vício em apostas e jogos online serão atendidos de graça no Hospital Sírio Libanês, um dos mais caros do Brasil

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 08/12/2025 às 19:40 Atualizado em 08/12/2025 às 19:41
Pacientes do SUS com vício em apostas e jogos online serão atendidos de graça no Hospital Sírio Libanês, um dos mais caros do Brasil
O impacto das “bets” na saúde dos brasileiros: SUS fecha parceria com Hospital Sírio-Libanês para oferecer teleatendimento gratuito a viciados em apostas e jogos online
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O impacto das “bets” na saúde dos brasileiros: SUS fecha parceria com Hospital Sírio-Libanês para oferecer teleatendimento gratuito a viciados em apostas e jogos online

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai passar a contar, a partir de fevereiro de 2026, com um programa de teleatendimento em saúde mental em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, um dos hospitais privados mais caros e renomados de São Paulo. O foco será exclusivo em pacientes com problemas relacionados a jogos e apostas, especialmente plataformas online, as chamadas “bets”.

O projeto prevê cerca de 450 consultas mensais por teleatendimento, totalmente gratuitas via SUS, para identificar comportamentos de risco e oferecer acompanhamento especializado. Quando necessário, os pacientes serão encaminhados para atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

A iniciativa vem acompanhada de duas outras frentes consideradas estratégicas pelo governo federal: uma ferramenta de autoexclusão nacional, que permitirá ao apostador bloquear o próprio acesso a sites de apostas, e o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, criado para monitorar os impactos das bets na saúde da população e orientar políticas públicas.

SUS, Sírio-Libanês e vício em apostas: o que está em jogo

O aumento do vício em apostas online já aparece nos dados do próprio SUS. Em 2023, foram registrados 2.262 atendimentos relacionados a problemas com jogos e apostas. Em 2024, esse número saltou para 3.490 casos. E apenas no primeiro semestre de 2025, já foram contabilizados 1.951 atendimentos.

Por trás das estatísticas, está um fenômeno que mistura publicidade agressiva, facilidade de acesso via celular e promessa de dinheiro rápido. O novo teleatendimento do SUS com o Hospital Sírio-Libanês mira justamente esse perfil de usuário, que muitas vezes só procura ajuda quando a dívida e o sofrimento mental já estão fora de controle.

Além de ampliar a oferta de cuidado em saúde mental, o governo tenta criar um “cinturão de proteção” em torno dos apostadores, com a autoexclusão e o monitoramento de dados, para impedir que o problema avance em silêncio.

Por que o SUS mira o vício em apostas online

Explosão de casos e pressão sobre a saúde mental

Nos últimos anos, o vício em apostas online deixou de ser um tema restrito a cassinos físicos e passou a fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros. A aposta hoje cabe na palma da mão, com bônus, cashbacks e transmissões de jogos recheadas de publicidade.

Os números da rede pública mostram essa virada:

  • 2.262 atendimentos no SUS por problemas relacionados a jogos e apostas em 2023;
  • 3.490 em 2024;
  • 1.951 apenas no primeiro semestre de 2025.

Esse crescimento pressiona uma rede de saúde mental que já lida com depressão, ansiedade, uso de álcool e outras drogas. Por isso, o Ministério da Saúde passou a tratar o vício em apostas como questão de saúde pública, com linha de cuidado específica, protocolos clínicos e articulação com o Ministério da Fazenda, responsável pela regulação das bets.

Quem é mais afetado

Segundo técnicos da área, o perfil mais frequente entre os pacientes com vício em apostas é de homens jovens, muitas vezes entre 18 e 35 anos, frequentemente em situação de estresse financeiro, desemprego ou instabilidade. A combinação de crédito fácil, aplicativos que não param de notificar e publicidade direcionada cria um ambiente propício para a perda de controle.

Como vai funcionar o teleatendimento do SUS com o Sírio-Libanês

Teleatendimento em saúde mental focado em jogos e apostas

O programa de teleatendimento em saúde mental do SUS com o Hospital Sírio-Libanês será voltado exclusivamente para problemas relacionados a jogos e apostas — com atenção especial às plataformas eletrônicas e apostas esportivas.

A partir de fevereiro de 2026, estarão disponíveis cerca de 450 teleconsultas por mês. A ideia é fazer uma triagem qualificada, identificar padrões de dependência, orientar famílias e, quando necessário, encaminhar o paciente para atendimento presencial na rede pública.

Do contato inicial ao CAPS: o percurso do paciente

Na prática, o fluxo deve funcionar assim:

  1. Identificação do caso
    • por demanda espontânea no SUS;
    • por encaminhamento de serviços da RAPS (CAPS, Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios);
    • por dados vindos da ferramenta de autoexclusão e do Observatório.
  2. Teleatendimento com equipe especializada
    Profissionais treinados em saúde mental e em transtornos por jogos de apostas fazem a avaliação do paciente, identificam o grau de risco e desenham um plano inicial de cuidado.
  3. Encaminhamento para a rede física quando necessário
    Casos mais graves, com forte impacto financeiro, emocional ou risco de autoextermínio, são direcionados para atendimento presencial em CAPS, unidades de saúde ou hospitais da rede SUS.
  4. Acompanhamento e monitoramento
    O paciente pode ser acompanhado tanto na rede presencial quanto em novas teleconsultas, de acordo com a estratégia de cuidado definida pela equipe.

Autoexclusão nacional para apostas online entra em cena: apostador poderá se bloquear em todas as plataformas

Outra peça central da estratégia é a ferramenta de autoexclusão que será lançada em dezembro de 2025. Por meio dela, o próprio apostador poderá bloquear o acesso às plataformas de apostas regularizadas no país.

Em termos práticos, isso significa:

  • impossibilidade de realizar novas apostas nos sites autorizados;
  • bloqueio de novos cadastros vinculados ao CPF do usuário;
  • restrição ao recebimento de publicidade de apostas.

A autoexclusão é voluntária, mas os prazos de bloqueio não podem ser desfeitos antes do término. O objetivo é interromper o ciclo de dependência em momentos de crise, dificultando a recaída impulsiva.

Além disso, a plataforma de autoexclusão será integrada a informações sobre pontos de atendimento do SUS, facilitando o caminho para quem busca ajuda em saúde mental.

Estado vai monitorar bets para prevenir danos e buscar casos de risco

Para não ficar no escuro em relação ao impacto das apostas online, o governo criou o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas. A missão é acompanhar, em tempo real, como os brasileiros estão usando as plataformas — sempre respeitando as regras de proteção de dados pessoais.

O Observatório será responsável por:

  • monitorar padrões de uso e frequência de apostas;
  • mapear perfis mais vulneráveis e regiões mais afetadas;
  • produzir dados para orientar campanhas, leis e políticas de prevenção;
  • apoiar a chamada “busca ativa”: identificar, entre os autoexcluídos e outros grupos, quem precisa de oferta de cuidado em saúde mental.

Na prática, isso transforma o SUS em um sistema capaz de agir antes da crise, não apenas depois que a pessoa já perdeu dinheiro, emprego ou vínculos familiares.

Impacto econômico e social do vício em apostas: Bilhões em perdas e milhões de pessoas em risco

O vício em apostas não afeta apenas o orçamento de quem perde dinheiro em jogos. Estimativas citadas pelo governo apontam para perdas econômicas e sociais da ordem de R$ 38,8 bilhões por ano no Brasil, considerando endividamento, queda de produtividade, conflitos familiares e impacto sobre a saúde pública.

Organismos internacionais de saúde estimam que cerca de 1,2% da população possa sofrer algum transtorno relacionado a jogos e apostas. Aplicando esse percentual à realidade brasileira, o problema pode atingir milhões de pessoas — muitas delas sem diagnóstico formal ou acompanhamento.

O resultado aparece nas estatísticas do SUS, na sobrecarga dos serviços de saúde mental e também nos relatos de famílias que veem, de repente, toda a renda ser drenada por apostas.

Como buscar ajuda hoje: canais do SUS já disponíveis

Embora o teleatendimento com o Hospital Sírio-Libanês só comece em fevereiro de 2026, quem está sofrendo com vício em apostas já pode procurar ajuda na rede pública. Entre os principais caminhos estão:

CAPS e Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

  • Procurar o CAPS mais próximo ou a Unidade Básica de Saúde (UBS) da região;
  • relatar claramente que o problema está relacionado a jogos e apostas;
  • o serviço fará a avaliação e poderá encaminhar para acompanhamento contínuo em saúde mental.

Canais digitais e telefônicos

  • Meu SUS Digital: aplicativo e plataforma web do Ministério da Saúde, com informações sobre serviços e unidades;
  • Ouvidoria do SUS (telefone 136, WhatsApp, chatbot e formulário online): canal oficial para orientações e denúncias, que já vem sendo adaptado para receber demandas ligadas a jogos de apostas.

A partir de dezembro de 2025, a própria ferramenta de autoexclusão deverá orientar o usuário sobre como buscar atendimento em saúde mental e quais serviços do SUS estão disponíveis na região.

O que esperar para os próximos anos

O pacote que inclui teleatendimento em saúde mental com o Hospital Sírio-Libanês, autoexclusão nacional e Observatório de Apostas Eletrônicas é um passo importante para reconhecer o vício em apostas como problema de saúde pública, e não apenas como “falta de controle” individual.

Se os planos saírem do papel como anunciado, o Brasil tende a ter:

  • mais dados sobre o impacto das bets na saúde;
  • mais portas de entrada para tratamento gratuito pelo SUS;
  • mecanismos tecnológicos para ajudar o próprio apostador a se proteger.

Ainda assim, o sucesso da iniciativa vai depender da capacidade de divulgação, da estrutura da rede de saúde mental e da disposição das pessoas em buscar ajuda antes que o problema fique insustentável.

Você conhece alguém que já perdeu o controle com apostas online e não sabia que poderia buscar ajuda gratuita no SUS?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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