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Os cerca de 900 trabalhadores que vão ao mar todos os dias em Bacalhau fecham o primeiro ano no pré-sal com 25 milhões de barris tirados do campo operado pela Equinor, que ainda mira 220 mil barris por dia em 2026

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 16/10/2026 às 11:07 Atualizado em 16/10/2026 às 11:11
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FPSO Bacalhau, da Equinor, em operação no pré-sal da Bacia de Santos
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O campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, completou em 15 de outubro o primeiro ano de produção com 25 milhões de barris retirados, 25 operações de offloading e uma rotina de cerca de 900 profissionais por dia no mar, enquanto a meta de 220 mil barris diários para 2026 continua no horizonte.

Primeiro ano de Bacalhau termina com 25 milhões de barris no pré-sal

A produção de Bacalhau começou em 15 de outubro de 2025. Um ano depois, o campo soma 25 milhões de barris extraídos, segundo o balanço divulgado pela Equinor e reproduzido pelo Portos e Navios e pelo Petronotícias.

O número se refere ao volume bruto do campo. Ele não corresponde à fatia da Equinor, que opera a área ao lado de sócios.

O marco veio acompanhado de outro dado redondo. No mesmo período, o campo realizou 25 operações de offloading, quando o óleo armazenado na plataforma é transferido para um navio aliviador.

Equinor opera o campo ao lado de ExxonMobil, Petrogal e PPSA

Bacalhau não é um projeto solitário. Conforme o Portos e Navios, a Equinor é a operadora, e os parceiros são a ExxonMobil Brasil, a Petrogal Brasil e a PPSA.

A Petrogal Brasil, por sua vez, é uma joint venture entre a Galp e a Sinopec, conforme o mesmo texto.

Por isso, os 25 milhões de barris do primeiro ano se dividem entre quatro sócios. A divisão exata da produção entre eles não aparece no balanço publicado.

Rotina de 900 profissionais por dia sustenta a produção offshore

Por trás do volume há gente embarcada todos os dias. De acordo com o Petronotícias, cerca de 900 profissionais trabalharam diariamente offshore ao longo do primeiro ano de operação.

Essa equipe se reveza em turnos longe da costa, e cada troca de turma depende de transporte aéreo até a plataforma.

O balanço não detalha funções, escalas ou a divisão entre empregados próprios e terceirizados. A informação divulgada se limita ao total diário aproximado.

Ponte aérea de 3 mil voos de helicóptero liga a costa ao campo

A logística aparece em outro número do balanço. Segundo o Petronotícias, foram cerca de 3 mil voos de helicóptero no primeiro ano de produção.

O helicóptero é o elo entre a terra e a plataforma. Leva equipes, traz quem termina o embarque e mantém a rotação de pessoal funcionando sem interrupção.

Dividindo os 3 mil voos pelos 365 dias do ano, a conta da reportagem chega a uma média de cerca de 8 voos por dia. Ou seja, uma decolagem a cada três horas, aproximadamente, ao longo de um ano inteiro.

Navio aliviador se aproxima de um FPSO em alto-mar
Navio aliviador a caminho de um FPSO; Bacalhau já fez 25 descargas desse tipo. Imagem ilustrativa: Jon Olav/Flickr (CC BY 2.0)

Conta da reportagem mostra média de 68,5 mil barris por dia no primeiro ano

A Equinor não divulgou a produção diária atual de Bacalhau. O balanço traz apenas o acumulado do ano, e é a partir dele que se pode medir o ritmo médio.

Dividindo 25 milhões de barris por 365 dias, a conta da reportagem chega a uma média de cerca de 68,5 mil barris por dia ao longo do primeiro ano.

Esse valor é uma média do ano inteiro, e não a vazão de hoje. Em um campo novo, a produção costuma subir aos poucos, à medida que os poços entram em operação.

Portanto, a média mistura os primeiros meses, de produção mais baixa, com os meses mais recentes. A produção atual pode estar acima desse patamar, mas o dado não foi informado.

Média do ano equivale a 31% da meta de 220 mil barris diários

A meta declarada é alcançar 220 mil barris por dia em 2026, conforme o Portos e Navios e o Petronotícias. Esse é o patamar que dá a dimensão do projeto.

Comparando a média do primeiro ano com a meta, a conta da reportagem mostra que os 68,5 mil barris diários equivalem a cerca de 31% dos 220 mil.

O dado indica quanto da rampa de produção ainda separa o ritmo médio do primeiro ano do objetivo da operadora. Faltam pouco mais de dois meses para o fim de 2026.

Sem a produção diária atual, não é possível dizer se a meta será batida no prazo. O que a conta mostra é a distância entre a média acumulada e o alvo.

Cada navio aliviador saiu de Bacalhau com cerca de 1 milhão de barris

Os 25 offloadings também permitem uma conta simples. Dividindo os 25 milhões de barris pelas 25 operações, cada transferência levou, em média, cerca de 1 milhão de barris.

Em outras palavras, o campo carregou pouco mais de dois navios aliviadores por mês, em média, ao longo do primeiro ano.

A média, no entanto, esconde variações. O balanço não informa o tamanho de cada carga nem o intervalo entre as operações.

Investimento de US$ 8 bilhões na Fase 1 e reservas acima de 1 bilhão de barris

O tamanho do projeto aparece na fala da presidente da Equinor no Brasil. “Juntos com nossos parceiros, investimos US$ 8 bilhões na Fase 1”, disse Nina Koch, segundo o Petronotícias.

As reservas recuperáveis do campo passam de 1 bilhão de barris de óleo equivalente, de acordo com o balanço. A vida útil prevista é de 30 anos.

Diante desse volume, os 25 milhões do primeiro ano representam uma parcela pequena do total. A conta da reportagem indica no máximo 2,5% das reservas recuperáveis.

Nina Koch também resumiu o peso do campo para a companhia: “Bacalhau traduz a dimensão da nossa ambição no Brasil”. A Equinor completa 25 anos no país.

Emissão de 9 kg de CO2 por barril fica abaixo da média global de 17 kg

O balanço também traz um dado ambiental. Segundo a empresa, Bacalhau emite cerca de 9 kg de CO2 por barril produzido, contra uma média global de 17 kg.

Pela aritmética direta, a intensidade informada fica em pouco mais da metade da média mundial citada. O número é da própria Equinor e não traz detalhes de metodologia no texto divulgado.

Estimativa de 50 mil empregos ao longo de 30 anos ainda é projeção da empresa

A Equinor estima que o campo gere cerca de 50 mil empregos ao longo de toda a vida útil. O número aparece no balanço como projeção.

A empresa não divulgou a metodologia por trás da estimativa. Por isso, o dado deve ser lido como expectativa da operadora, e não como contagem de postos já criados.

O número concreto, medido no primeiro ano, continua sendo o dos cerca de 900 profissionais embarcados por dia.

Segundo ano de Bacalhau deve mostrar se a rampa chega aos 220 mil barris

O balanço completo do primeiro ano está na reportagem do Portos e Navios sobre os 25 milhões de barris de Bacalhau, que reproduz o texto da Equinor.

Daqui em diante, o indicador a acompanhar é a produção diária. Se a operadora divulgar o volume atual, ficará claro quanto da distância até os 220 mil barris já foi percorrida.

Até lá, o retrato do campo é este: 25 milhões de barris, 25 navios carregados, 3 mil voos e cerca de 900 pessoas no mar todos os dias.

Você acha que Bacalhau consegue chegar aos 220 mil barris por dia ainda em 2026, ou a rampa vai ficar para o ano que vem?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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