O campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, completou em 15 de outubro o primeiro ano de produção com 25 milhões de barris retirados, 25 operações de offloading e uma rotina de cerca de 900 profissionais por dia no mar, enquanto a meta de 220 mil barris diários para 2026 continua no horizonte.
Primeiro ano de Bacalhau termina com 25 milhões de barris no pré-sal
A produção de Bacalhau começou em 15 de outubro de 2025. Um ano depois, o campo soma 25 milhões de barris extraídos, segundo o balanço divulgado pela Equinor e reproduzido pelo Portos e Navios e pelo Petronotícias.
O número se refere ao volume bruto do campo. Ele não corresponde à fatia da Equinor, que opera a área ao lado de sócios.
O marco veio acompanhado de outro dado redondo. No mesmo período, o campo realizou 25 operações de offloading, quando o óleo armazenado na plataforma é transferido para um navio aliviador.
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Equinor opera o campo ao lado de ExxonMobil, Petrogal e PPSA
Bacalhau não é um projeto solitário. Conforme o Portos e Navios, a Equinor é a operadora, e os parceiros são a ExxonMobil Brasil, a Petrogal Brasil e a PPSA.
A Petrogal Brasil, por sua vez, é uma joint venture entre a Galp e a Sinopec, conforme o mesmo texto.
Por isso, os 25 milhões de barris do primeiro ano se dividem entre quatro sócios. A divisão exata da produção entre eles não aparece no balanço publicado.
Rotina de 900 profissionais por dia sustenta a produção offshore
Por trás do volume há gente embarcada todos os dias. De acordo com o Petronotícias, cerca de 900 profissionais trabalharam diariamente offshore ao longo do primeiro ano de operação.
Essa equipe se reveza em turnos longe da costa, e cada troca de turma depende de transporte aéreo até a plataforma.
O balanço não detalha funções, escalas ou a divisão entre empregados próprios e terceirizados. A informação divulgada se limita ao total diário aproximado.
Ponte aérea de 3 mil voos de helicóptero liga a costa ao campo
A logística aparece em outro número do balanço. Segundo o Petronotícias, foram cerca de 3 mil voos de helicóptero no primeiro ano de produção.
O helicóptero é o elo entre a terra e a plataforma. Leva equipes, traz quem termina o embarque e mantém a rotação de pessoal funcionando sem interrupção.
Dividindo os 3 mil voos pelos 365 dias do ano, a conta da reportagem chega a uma média de cerca de 8 voos por dia. Ou seja, uma decolagem a cada três horas, aproximadamente, ao longo de um ano inteiro.

Conta da reportagem mostra média de 68,5 mil barris por dia no primeiro ano
A Equinor não divulgou a produção diária atual de Bacalhau. O balanço traz apenas o acumulado do ano, e é a partir dele que se pode medir o ritmo médio.
Dividindo 25 milhões de barris por 365 dias, a conta da reportagem chega a uma média de cerca de 68,5 mil barris por dia ao longo do primeiro ano.
Esse valor é uma média do ano inteiro, e não a vazão de hoje. Em um campo novo, a produção costuma subir aos poucos, à medida que os poços entram em operação.
Portanto, a média mistura os primeiros meses, de produção mais baixa, com os meses mais recentes. A produção atual pode estar acima desse patamar, mas o dado não foi informado.
Média do ano equivale a 31% da meta de 220 mil barris diários
A meta declarada é alcançar 220 mil barris por dia em 2026, conforme o Portos e Navios e o Petronotícias. Esse é o patamar que dá a dimensão do projeto.
Comparando a média do primeiro ano com a meta, a conta da reportagem mostra que os 68,5 mil barris diários equivalem a cerca de 31% dos 220 mil.
O dado indica quanto da rampa de produção ainda separa o ritmo médio do primeiro ano do objetivo da operadora. Faltam pouco mais de dois meses para o fim de 2026.
Sem a produção diária atual, não é possível dizer se a meta será batida no prazo. O que a conta mostra é a distância entre a média acumulada e o alvo.
Cada navio aliviador saiu de Bacalhau com cerca de 1 milhão de barris
Os 25 offloadings também permitem uma conta simples. Dividindo os 25 milhões de barris pelas 25 operações, cada transferência levou, em média, cerca de 1 milhão de barris.
Em outras palavras, o campo carregou pouco mais de dois navios aliviadores por mês, em média, ao longo do primeiro ano.
A média, no entanto, esconde variações. O balanço não informa o tamanho de cada carga nem o intervalo entre as operações.
Investimento de US$ 8 bilhões na Fase 1 e reservas acima de 1 bilhão de barris
O tamanho do projeto aparece na fala da presidente da Equinor no Brasil. “Juntos com nossos parceiros, investimos US$ 8 bilhões na Fase 1”, disse Nina Koch, segundo o Petronotícias.
As reservas recuperáveis do campo passam de 1 bilhão de barris de óleo equivalente, de acordo com o balanço. A vida útil prevista é de 30 anos.
Diante desse volume, os 25 milhões do primeiro ano representam uma parcela pequena do total. A conta da reportagem indica no máximo 2,5% das reservas recuperáveis.
Nina Koch também resumiu o peso do campo para a companhia: “Bacalhau traduz a dimensão da nossa ambição no Brasil”. A Equinor completa 25 anos no país.
Emissão de 9 kg de CO2 por barril fica abaixo da média global de 17 kg
O balanço também traz um dado ambiental. Segundo a empresa, Bacalhau emite cerca de 9 kg de CO2 por barril produzido, contra uma média global de 17 kg.
Pela aritmética direta, a intensidade informada fica em pouco mais da metade da média mundial citada. O número é da própria Equinor e não traz detalhes de metodologia no texto divulgado.
Estimativa de 50 mil empregos ao longo de 30 anos ainda é projeção da empresa
A Equinor estima que o campo gere cerca de 50 mil empregos ao longo de toda a vida útil. O número aparece no balanço como projeção.
A empresa não divulgou a metodologia por trás da estimativa. Por isso, o dado deve ser lido como expectativa da operadora, e não como contagem de postos já criados.
O número concreto, medido no primeiro ano, continua sendo o dos cerca de 900 profissionais embarcados por dia.
Segundo ano de Bacalhau deve mostrar se a rampa chega aos 220 mil barris
O balanço completo do primeiro ano está na reportagem do Portos e Navios sobre os 25 milhões de barris de Bacalhau, que reproduz o texto da Equinor.
Daqui em diante, o indicador a acompanhar é a produção diária. Se a operadora divulgar o volume atual, ficará claro quanto da distância até os 220 mil barris já foi percorrida.
Até lá, o retrato do campo é este: 25 milhões de barris, 25 navios carregados, 3 mil voos e cerca de 900 pessoas no mar todos os dias.
Você acha que Bacalhau consegue chegar aos 220 mil barris por dia ainda em 2026, ou a rampa vai ficar para o ano que vem?
