A refinaria de Mataripe, comprada da Petrobras pela Acelen em 2021, encerrou o último ciclo de obras na unidade que tira enxofre do diesel, e cada dia de operação agora pode entregar mais combustível de baixo teor de enxofre a um país que ainda importa parte do que consome.
A Acelen anunciou em 14 de outubro o fim da última etapa de obras
A Acelen anunciou em 14 de outubro a conclusão do último ciclo de ampliação de diesel em Mataripe, a segunda maior refinaria do país, conforme reportagem da Agência iNFRA sobre a ampliação.
Segundo a reportagem, a obra dessa etapa terminou em maio. No entanto, a autorização para operar no novo patamar só saiu em setembro, e por isso o anúncio veio meses depois.
Celso Ferreira, vice-presidente de Operações da Acelen, resumiu sem rodeio: “Concluímos o último ciclo de ampliação da capacidade”. De fato, a frase fecha um processo iniciado com a troca de dono.
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A unidade de diesel S-10 saltou de 11.000 para 13.700 metros cúbicos por dia
O número central está no hidrotratamento, etapa que retira enxofre do diesel. A capacidade passou de 11.000 m³ por dia em 2021 para 13.700 m³ por dia, segundo a Agência iNFRA.
Só o último ciclo levou a unidade de 12.400 m³ ao patamar atual. Ou seja, a etapa final respondeu por quase metade do ganho acumulado sob a Acelen.
Somados os ciclos, o salto chega a 25% em cinco anos. No uso máximo, isso equivale a cerca de 100 milhões de litros adicionais de diesel no período, conforme a reportagem.

A ANP liberou o novo patamar no Diário Oficial de 24 de setembro
A autorização da Agência Nacional do Petróleo saiu no Diário Oficial da União em 24 de setembro, segundo o portal Movimento Econômico, com aumento de cerca de 10,5% na capacidade.
O ato trata da unidade de hidrodessulfurização U-37, onde o diesel recebe o tratamento que o enquadra no padrão S-10. Assim, a decisão da ANP veio antes do anúncio.
Nesse caso, a ordem dos fatos importa. A obra acabou em maio, a licença veio em setembro e a confirmação pública da empresa, só agora em outubro.
O último ciclo custou R$ 71,5 milhões dentro de um investimento bilionário
A etapa final consumiu R$ 71,5 milhões, segundo a Agência iNFRA. É pouco perto do total que a Acelen afirma ter colocado na refinaria baiana desde que a comprou, há cinco anos.
A empresa diz ter investido cerca de R$ 4 bilhões no ativo desde então. Assim, o valor cobre a planta inteira, já que as melhorias alcançaram também outros produtos.
Trocadores de calor e uma ferramenta de IA explicam parte do ganho
A Acelen credita o avanço a melhorias de engenharia. Entre elas estão novos trocadores de calor, troca de catalisadores, recuperação de equipamentos e otimização do uso de vapor.
A lista inclui ainda a redução da queima de hidrogênio. Além disso, a empresa usa uma ferramenta híbrida de inteligência artificial que prevê a desativação dos catalisadores.
Olhando assim, a ampliação parece menos uma refinaria nova e mais uma sequência de ajustes finos, feitos em ciclos, sobre uma planta que já operava.
A refinaria de Mataripe processa 301 mil barris por dia, cerca de 14% do Brasil
O porte ajuda a medir a notícia. A refinaria processa 301 mil barris de petróleo por dia, segundo a Agência iNFRA, o que a coloca como a segunda maior do país.
Comprada da Petrobras, a unidade pertence à Acelen, empresa do fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos. O diesel a mais é, portanto, um balanço da nova gestão.

Mais de 80% do combustível da Bahia sai da mesma planta
A dependência regional é grande. Mataripe abastece mais de 80% do combustível da Bahia e 42% do Nordeste, conforme a Agência iNFRA.
Segundo a reportagem, os produtos devem continuar concentrados na própria região, com envios pontuais por cabotagem. Por isso, o diesel extra tende a ficar perto de quem já é atendido.
Nesse contexto, entram os caminhoneiros do Nordeste. Quem roda pelas rodovias da região abastece, em boa parte, com combustível que sai de Mataripe.
Destilados médios subiram de 35% para até 43% da produção
A ampliação mudou também o perfil da refinaria. Segundo a Acelen, a fatia dos destilados médios, que inclui diesel e querosene de aviação, subiu de 35% para 42% a 43%.
Além do diesel, a Acelen ampliou a produção de QAV, gasolina, lubrificantes e parafinas. Dessa forma, o ganho não ficou preso a um só produto.
O Brasil ainda importa até 30% do diesel que consome
O contexto ajuda a explicar o investimento. Importações cobrem entre 20% e 30% do consumo de diesel no Brasil, e é nesse espaço que a produção nacional disputa mercado.
Segundo a Agência iNFRA, essa dependência sustenta margens fortes para quem refina no país, mesmo com os preços da Petrobras abaixo da paridade de importação.
Dessa forma, cada metro cúbico tratado em Mataripe disputa espaço com o diesel que chega de fora, num mercado em que a produção interna ainda não cobre toda a demanda.
Celso Ferreira foi direto sobre o momento: “A demanda por diesel no país e no mundo está aquecida”. Para a Acelen, a capacidade extra chega com procura alta.
O anúncio não traz nenhuma estimativa de efeito no preço da bomba
Por outro lado, há um ponto que a notícia não responde. Nem a Acelen nem a reportagem informam qualquer efeito da ampliação sobre o preço do diesel nas bombas do Nordeste.
Contudo, mais oferta regional não significa, automaticamente, combustível mais barato. Enquanto não houver projeção de valor, qualquer promessa de alívio no posto seria chute.
Dá pra entender, ainda assim, por que a notícia interessa a quem vive da estrada. A refinaria que abastece boa parte da região agora tem mais diesel S-10 para entregar.
Cinco anos depois da venda, a refinaria encerra o ciclo de ampliação do diesel
A venda pela Petrobras tirou da estatal a segunda maior refinaria do país. Cinco anos depois, a nova dona apresenta uma unidade de diesel bem maior.
O último ciclo, concluído em maio e autorizado em setembro, fecha a sequência de ampliações dessa unidade. Na reportagem, a Acelen não menciona uma etapa seguinte.
Para o caminhoneiro, porém, o efeito prático segue em aberto, porque preço e distribuição dependem de decisões que não estavam no anúncio feito pela empresa nesta semana.
E você, acredita que o caminhoneiro do Nordeste vai sentir no preço da bomba o diesel S-10 a mais que sai da Bahia?
