A produção da Petrobras subiu 1% sobre agosto e fechou setembro no patamar mensal que o mercado tratou como recorde, puxada por Búzios, que cresceu 2% no mês, e por Tupi, que saltou 8%, enquanto o Bradesco BBI avisa que ainda é cedo para tratar o número como novo piso.
Dados preliminares da ANP colocam a produção da Petrobras em 2,96 milhões de barris por dia
Os números saíram em 14 de outubro, a partir de dados preliminares da ANP compilados pelo Bradesco BBI. Segundo o levantamento, a estatal produziu 2,96 milhões de barris diários em setembro.
A alta sobre agosto foi de 1%, conforme a reportagem do InfoMoney sobre a produção de setembro. De fato, o ganho parece pequeno, mas veio depois de um agosto já forte.
Por enquanto, trata-se de dado preliminar, não do boletim final da agência. A ANP não classificou o resultado como recorde; essa leitura partiu do mercado e da imprensa.
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Búzios passa de 1 milhão de barris diários pelo segundo mês consecutivo
O motor do resultado continua sendo Búzios. O campo do pré-sal cresceu 2% em setembro e ficou acima de 1 milhão de barris por dia pelo segundo mês seguido.
Há, porém, uma ressalva lembrada pela imprensa. O volume operado em Búzios não equivale integralmente à produção atribuível à Petrobras, porque o campo tem parceiros e contratos de partilha.
Ou seja, o milhão de barris descreve o volume operado no campo, não o que entra inteiro na conta da estatal. Parte dele cabe aos parceiros, conforme cada contrato.

Tupi ganha 8% em setembro e deixa o patamar de 500 mil barris diários
O outro destaque veio de Tupi. De acordo com o levantamento do BBI, o campo cresceu 8% no mês e produziu cerca de 550 mil barris por dia em setembro.
Entre maio e agosto, Tupi operava perto de 500 mil barris diários. Dessa forma, o salto de setembro tirou o campo de um platô que vinha se repetindo havia quatro meses.
Búzios e Tupi aparecem lado a lado no relatório do banco, embora os números divulgados até agora não detalhem quanto cada campo pesou no total de 2,96 milhões de barris diários.
Média do terceiro trimestre supera em 120 mil barris a projeção do mercado
Além disso, setembro fechou o trimestre. No terceiro trimestre de 2026, a média ficou em 2,89 milhões de barris por dia, alta de 6% sobre o trimestre anterior, segundo a mesma compilação.
O consenso de mercado esperava 2,77 milhões para o período. Assim, a diferença ficou em cerca de 120 mil barris diários acima do que os analistas tinham colocado nas planilhas.
Por isso o BBI avalia que os dados podem levar a revisões para cima nas estimativas de produção, com possível aumento das projeções de Ebitda, lucro e geração de caixa no trimestre.
Bradesco BBI diz que setembro já supera a projeção anual de 2027
Uma frase do relatório compara o mês passado com o futuro da companhia, e saiu do próprio Bradesco BBI, na reportagem que divulgou os números da ANP.
“O fato de a companhia já ter alcançado um nível mensal superior à projeção anual de 2027 adiciona conforto à tese”, afirmou o banco ao comentar o desempenho de setembro.
A curva revisada do BBI prevê 2,8 milhões de barris por dia em 2027 e 3,05 milhões em 2028. Portanto, setembro ficou acima da média esperada para 2027.
O banco também escreveu que “o desempenho de setembro é consistente com nossa curva de produção revisada”. Olhando assim, dá pra entender por que a leitura dos analistas saiu otimista.
Banco avisa que paradas programadas podem derrubar o patamar nos próximos meses
O mesmo relatório, no entanto, traz um freio. De acordo com o BBI, ainda é cedo para afirmar que os 2,96 milhões de barris diários vão se manter nos meses seguintes.
Segundo o banco, a produção mensal oscila com paradas programadas e manutenção. Uma unidade parada por alguns dias já basta para puxar a média de um mês inteiro para baixo.
Dessa forma, o número de setembro funciona mais como sinal de capacidade do que como piso garantido. A dúvida agora é quanto desse patamar sobrevive às próximas paradas nas plataformas.
Quem trabalha embarcado sustenta o patamar que o mercado chamou de recorde
O dado agregado esconde a rotina de quem trabalha nas unidades do pré-sal. É nas plataformas de Búzios e Tupi que cada ponto percentual de alta precisa ser mantido, turno após turno.
Fico imaginando o peso de segurar um campo acima de 1 milhão de barris diários por dois meses, sabendo que qualquer imprevisto a bordo aparece depois na média.
Além disso, os números divulgados até aqui não dizem quantas unidades operaram em cada campo nem se houve paradas em setembro. Esse retrato deve vir com os dados oficiais.
Acordos em Berbigão e Sururu devem render US$ 859 milhões até novembro
No mesmo dia, outra notícia mexeu com o caixa da estatal. Conforme análise da XP citada pelo InfoMoney, a Petrobras assinou acordos de equalização para os reservatórios compartilhados de Berbigão e Sururu.
Pelos acordos, a companhia deve receber cerca de US$ 859 milhões líquidos dos parceiros de consórcio até novembro, valor equivalente a 0,52% do seu valor de mercado.
As participações finais da Petrobras ficaram em 45,4% em Sururu e 62,9% em Berbigão, com vigência a partir de 1º de maio de 2026, segundo a mesma análise da corretora.
A XP viu a notícia como positiva, por reforçar a geração de caixa e os dividendos do quarto trimestre. Assim, produção e caixa apareceram juntos na leitura do mercado.
Ações da Petrobras sobem mais de 1% no dia da divulgação
A reação apareceu na bolsa. As ações PETR3 e PETR4 subiam mais de 1% no dia da publicação dos dados, enquanto o petróleo operava em leve alta, conforme o InfoMoney.
Não dá para atribuir toda a alta só aos números de produção, já que o mesmo dia trouxe os acordos de equalização. Ainda assim, as duas notícias apontaram na mesma direção.
Relatório oficial de produção e vendas sai em 28 de outubro
O próximo passo é o dado oficial da própria companhia. Em Fato Relevante, a Petrobras informou que publicará o Relatório de Produção e Vendas do terceiro trimestre em 28 de outubro.
Assim, é esse documento que vai confirmar ou corrigir a leitura feita a partir dos dados preliminares da ANP. Até lá, a média de 2,89 milhões no trimestre segue como conta provisória.
Se o relatório confirmar o patamar de setembro, a conversa muda. Deixa de ser se a companhia chega aos 2,8 milhões de 2027 e passa a ser quanto tempo fica acima deles.
Você confia que a Petrobras consegue manter a produção acima de 2,9 milhões de barris por dia depois das próximas paradas de manutenção?
