A Origem Energia começou a preparar, no Polo Pilar, em Alagoas, as áreas onde vai erguer sete termelétricas a gás natural, dentro de um plano de R$ 2 bilhões em 30 meses que junta produção de gás, geração de energia e o primeiro estoque subterrâneo de gás do país.
A informação foi publicada nesta segunda-feira (26) pelo portal Movimento Econômico, com entrevista da diretora Jurídica e de Relações Institucionais e Governamentais da companhia, Alexandra Garchet.
Segundo a executiva, a implantação das usinas está na fase inicial de preparação das áreas. São os primeiros serviços de campo desde que os projetos venceram o leilão federal de março.
A produção do polo saiu de 4 mil para 20 mil barris equivalentes por dia
O novo ciclo de obras chega em cima de uma operação que já cresceu. De acordo com a Origem, a produção no Polo Alagoas saiu de cerca de 4 mil barris de óleo equivalente por dia em 2022.
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Em 2026, o volume está em patamares próximos de 20 mil boe/d. A empresa atribui o salto a intervenções em poços, ganhos operacionais e uma nova campanha de perfuração no polo.
Só no primeiro semestre deste ano, a companhia concluiu cinco novos poços e investiu R$ 450,7 milhões no polo. Segundo Garchet, o avanço levou a Origem à posição de quarta maior produtora de gás do Brasil.

A fase atual antecede a construção civil
Os primeiros serviços são de preparação de terreno. “Essa fase antecede a construção civil e prepara o local para a execução das obras”, detalhou Alexandra Garchet ao Movimento Econômico.
Para quem vive e trabalha em Pilar, isso marca a passagem do projeto no papel para o canteiro. A empresa não divulgou, na reportagem, quantas vagas de trabalho a obra deve abrir nem quando começa a construção civil.
Pilar e Pilar Nova somam 321 MW e entram em 2028
Das sete usinas, duas são as maiores. Pilar e Pilar Nova somam 321 MW de capacidade e seguem com entrada em operação prevista para 2028, conforme o cronograma da companhia.
As outras cinco formam o conjunto Manguaba, com 10 MW cada. Elas estão oficialmente previstas para 2029, mas a Origem avalia antecipar a operação dessas unidades para o mesmo ano das duas maiores.
Todas fazem parte do pacote de empreendimentos vencedores da Origem no Leilão de Reserva de Capacidade, o LRCAP, realizado em março pela Aneel e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.
Antecipar as cinco usinas depende de etapas regulatórias
A antecipação não está garantida. “Essa antecipação dependerá do cumprimento das etapas regulatórias aplicáveis e da evolução do cronograma de implantação dos projetos”, disse a diretora.
Ela acrescentou que a empresa já avançou na compra dos principais equipamentos das usinas. “A Origem já avançou na contratação dos principais equipamentos”, afirmou.
São 36 motores Wärtsilä comprados por 70 milhões de euros
Os motores vêm da finlandesa Wärtsilä. Em maio, a Origem divulgou a compra de dois lotes de 18 motores 34SG cada, totalizando 36 unidades para o conjunto das usinas.
A companhia investiu 70 milhões de euros na aquisição dos equipamentos. Eles serão entregues em Pilar num cronograma compatível com a entrada em operação dos empreendimentos, segundo a reportagem.

Reservatórios esgotados viram estoque de gás
O terceiro eixo do plano é o projeto de estocagem subterrânea de gás natural no Campo de Pilar. Ele usa reservatórios depletados, ou seja, que já tiveram o gás retirado, para guardar gás de novo.
O piloto vai usar inicialmente quatro desses reservatórios, com capacidade útil de 50,6 milhões de metros cúbicos. Segundo a ANP, esse é o volume efetivamente disponível para uso comercial.
A capacidade inicial prevista é de 106 milhões de metros cúbicos por ano, com expansão até 500 milhões. O empreendimento exigiu um arcabouço regulatório próprio, construído com a ANP, o IMA e o Ministério de Minas e Energia.
A licença ambiental do estoque é esperada até o fim de 2026
Segundo Garchet, o projeto-piloto segue em desenvolvimento. A expectativa é que o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas conceda até o fim de 2026 o licenciamento ambiental necessário para avançar.
“A estocagem é estratégica porque adiciona flexibilidade ao mercado de gás, permitindo armazenar a molécula em períodos de maior disponibilidade e disponibilizá-la em momentos de maior demanda”, disse ela.
A trajetória da Origem em Alagoas começou com ativos comprados da Petrobras. O CPG já contou como o campo de gás que a Petrobras vendeu virou usina termelétrica nas mãos da empresa.
Gás, usina e estoque no mesmo município
A estratégia integra três pontas no mesmo lugar: o gás que sai dos poços, as usinas que queimam esse gás quando o sistema elétrico pede e o estoque que guarda o excedente.
Confesso que é raro ver as três peças montadas no mesmo município. Se o cronograma andar, Pilar terá térmicas em operação a partir de 2028 e o primeiro estoque subterrâneo de gás do país.
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