Projeto desenvolvido com Lloyd’s Register e GTT combina propulsão híbrida, baterias e sistema avançado de armazenamento para tornar o transporte de gás natural liquefeito mais eficiente.
A Shell se uniu à Lloyd’s Register e à francesa GTT para desenvolver o conceito de um navio híbrido-elétrico capaz de transportar 200 mil metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL). Segundo comunicado oficial da Lloyd’s Register, publicado em 13 de outubro de 2026, as empresas estudarão uma embarcação que combina baterias, propulsão elétrica e uma nova tecnologia de armazenamento. A iniciativa busca aumentar a capacidade de transporte, melhorar a eficiência energética e avaliar alternativas para reduzir as emissões da navegação.
Navio de 200 mil m³ terá sistema de propulsão híbrida
O projeto reúne três empresas com atuações diferentes na indústria marítima. A Shell participa com sua experiência no mercado de gás, enquanto a GTT desenvolve sistemas de armazenamento de GNL.
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Já a Lloyd’s Register ficará envolvida nas avaliações técnicas e de segurança do conceito.
O principal objetivo é estudar como um navio de grande capacidade pode combinar propulsão híbrida e armazenamento de energia em baterias.
Para isso, as empresas analisarão a arquitetura elétrica da embarcação, a integração dos equipamentos e os sistemas de redundância.

Esses mecanismos permitem manter funções essenciais em caso de falha de determinados componentes.
Além disso, a parceria avaliará os requisitos necessários para operar o sistema com segurança durante viagens de longa distância.
O projeto também inclui uma análise do custo total de propriedade, considerando os gastos envolvidos na utilização da embarcação ao longo de sua vida operacional.
Entretanto, as companhias ainda não divulgaram a potência dos motores, a capacidade das baterias ou a configuração definitiva do sistema híbrido.
A iniciativa acompanha uma transformação mais ampla da indústria naval. Em agosto de 2026, armadores encomendaram 52 navios preparados para combustíveis alternativos, sendo 46 com propulsão a GNL, conforme levantamento da DNV divulgado pelo CPG.
Tecnologia NEXT1 poderá melhorar o armazenamento do gás
Outro componente importante será o NEXT1, sistema de contenção de cargas desenvolvido pela GTT.
A tecnologia foi projetada para armazenar gás natural liquefeito em temperaturas extremamente baixas, necessárias para manter o combustível no estado líquido.
O GNL normalmente permanece próximo de -162°C. Nessas condições, seu volume diminui significativamente, facilitando o transporte marítimo entre países.
Entretanto, manter o produto refrigerado exige isolamento térmico, monitoramento e equipamentos específicos.
Por isso, a GTT avaliará como integrar o NEXT1 ao conceito de navio de 200 mil metros cúbicos.
As empresas também pretendem estudar a relação entre a capacidade de armazenamento e o desempenho energético da embarcação.
Em princípio, transportar mais gás por viagem pode melhorar a eficiência logística. Porém, o resultado depende das condições de operação, das rotas e da infraestrutura portuária disponível.
No Brasil, a expansão desse mercado também exige investimentos em terminais. A J&F planeja ampliar sua movimentação de gás natural para 30 milhões de metros cúbicos por dia até 2030 e preparar dois terminais de GNL, buscando fortalecer sua atuação no setor.
Empresas querem reduzir custos e emissões no transporte marítimo
A parceria também pretende estabelecer orientações técnicas para a utilização de propulsão híbrida-elétrica em navios transportadores de GNL.
Segundo a Lloyd’s Register, o setor enfrenta uma pressão crescente para movimentar maiores volumes de energia com menos emissões e maior flexibilidade operacional.
Por isso, os participantes estudarão alternativas para melhorar o desempenho dos sistemas de propulsão e armazenamento.
Além disso, a análise econômica buscará identificar se a combinação das tecnologias oferece vantagens durante a vida útil do navio.
Entretanto, o comunicado não apresenta uma estimativa de redução de combustível, economia financeira ou diminuição de emissões.
Assim, os possíveis benefícios ainda dependem dos resultados dos estudos técnicos.
O desenvolvimento ocorre em um momento de mudanças no mercado brasileiro de gás. A ANP autorizou a Petrobras a importar até 24,34 milhões de metros cúbicos de GNL por ano, com possibilidade de recebimento por terminais no Rio de Janeiro e na Bahia.
Essa movimentação reforça a importância dos navios especializados na ligação entre produtores internacionais e mercados consumidores.
Apesar disso, o projeto da Shell, GTT e Lloyd’s Register ainda não representa uma encomenda de construção naval.
As empresas não anunciaram estaleiro, investimento, cronograma de entrega ou previsão de entrada em operação.
Por enquanto, a iniciativa busca desenvolver e avaliar um conceito que poderá orientar futuras embarcações de grande capacidade.
Se os estudos demonstrarem viabilidade técnica e econômica, a proposta poderá contribuir para uma nova geração de navios transportadores de gás natural liquefeito.
