1. Início
  2. / Energia Solar
  3. / Oportunidade histórica: energia solar travada do Nordeste abre janela e MS tenta atrair bilhões em projetos parados, prometendo transformação econômica e protagonismo nacional no setor 
Localização MS, MT Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Oportunidade histórica: energia solar travada do Nordeste abre janela e MS tenta atrair bilhões em projetos parados, prometendo transformação econômica e protagonismo nacional no setor 

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 24/04/2026 às 15:44
Atualizado em 24/04/2026 às 16:14
Usina de energia solar com milhares de painéis fotovoltaicos alinhados em área aberta ao pôr do sol, representando expansão da energia solar no Brasil
Usina solar em destaque mostra avanço da energia renovável e novos investimentos no Brasil
  • Reação
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

MS busca atrair investimentos em energia solar diante de projetos travados no Nordeste e miram expansão econômica com novas oportunidades no setor 

A disputa por investimentos em energia solar no Brasil entrou em uma fase estratégica. Com diversos projetos travados no Nordeste, o Mato Grosso do Sul se movimenta para captar bilhões que não estão conseguindo avançar em outras regiões.

Segundo informações da Campo Grande News no dia 23 de abril, a estratégia surge em meio a gargalos estruturais, limitações na rede elétrica e incertezas regulatórias que vêm freando o crescimento do setor, mesmo diante de uma demanda crescente por fontes renováveis.

Hoje, o Brasil já ultrapassa 60 GW de capacidade instalada em energia solar, sendo 42,05 GW em geração distribuída e 17,95 GW em grandes usinas. Ainda assim, uma parte relevante dos investimentos previstos não saiu do papel. Esse cenário abriu espaço para que estados fora do eixo tradicional tentem reposicionar o mapa energético nacional — e é exatamente isso que Mato Grosso do Sul busca fazer.

Janela aberta: MS tenta capturar energia solar travada no Nordeste

O avanço acelerado da energia solar no Nordeste revelou um problema que poucos previam com tanta intensidade: a infraestrutura de transmissão não acompanhou o ritmo da expansão. O resultado foi um acúmulo de projetos travados, muitos já autorizados, mas sem condições técnicas de operação plena.

Diante disso, MS passou a se apresentar como alternativa estratégica. A proposta é simples, mas ambiciosa: oferecer melhores condições para investidores que enfrentam dificuldades no Nordeste e querem tirar seus projetos do papel.

O economista Jaime Verruck, que esteve à frente da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, aponta que o momento exige ação coordenada. Segundo ele, destravar projetos em análise e garantir previsibilidade são pontos centrais para atrair novos investimentos.

Mato Grosso do Sul reúne condições atrativas, mas ainda convive com projetos travados

Os números mostram que o interesse pelo estado já é significativo. Dados da Aneel indicam que Mato Grosso do Sul possui cerca de 1,6 GW em outorgas para novas usinas de energia solar. No entanto, esse volume não representa garantia de execução imediata.

Assim como ocorre no Nordeste, há diversos projetos travados por diferentes fatores, como limitações técnicas e mudanças econômicas. Ainda assim, o potencial de crescimento é evidente.

Atualmente, o estado conta com cerca de 2,9 mil empreendimentos solares em operação, além de 33 projetos com outorga concedida que ainda não saíram do papel e outros 15 em construção. Apesar disso, a capacidade de geração centralizada ainda gira em torno de apenas 13,9 MW — um contraste que evidencia o espaço para expansão.

Entre os principais atrativos do estado, destacam-se:

  • Áreas disponíveis com custos mais competitivos
  • Elevada incidência solar ao longo do ano
  • Localização estratégica próxima aos grandes centros consumidores
  • Sinergia com o agronegócio
  • Possibilidade de projetos híbridos e sistemas com baterias

Gargalos no Nordeste travam bilhões e redefinem o mapa da energia solar

O crescimento da energia solar no Nordeste sempre foi impulsionado por condições naturais privilegiadas. No entanto, a falta de expansão proporcional da infraestrutura elétrica gerou um efeito colateral relevante.

Entre os principais entraves observados estão:

  • Saturação da rede de transmissão
  • Curtailment, com cortes na produção de energia
  • Fluxo reverso na rede elétrica
  • Redução da eficiência operacional

Esses problemas têm impacto direto na viabilidade dos projetos. Em muitos casos, usinas operam abaixo da capacidade, comprometendo o retorno financeiro. Dados da Absolar indicam que, em 2025, cerca de R$ 5,9 bilhões deixaram de ser investidos no setor, com forte concentração no Nordeste. Dos 4,6 GW previstos, apenas 2,8 GW foram efetivamente instalados, o equivalente a 61%.

Além disso, 106 usinas autorizadas acabaram sendo abandonadas, totalizando R$ 14,5 bilhões em investimentos não realizados e cerca de 132 mil empregos que deixaram de ser gerados. Esse cenário evidencia o tamanho da oportunidade que estados como Mato Grosso do Sul tentam aproveitar.

MS aposta em infraestrutura para não repetir erros do Nordeste

Apesar do cenário favorável, especialistas alertam que MS precisa agir rapidamente para não enfrentar os mesmos problemas do Nordeste. A principal preocupação está na capacidade de escoamento da energia gerada.

A estratégia do governo envolve a participação em leilões federais de transmissão, considerados fundamentais para ampliar a infraestrutura elétrica. Esses leilões, previstos para os próximos anos, devem incluir obras importantes para o Centro-Oeste.

Outro ponto em destaque é o avanço de tecnologias de armazenamento, especialmente os sistemas de baterias (BESS), que permitem guardar a energia gerada durante o dia para uso em horários de pico, entre 18h e 21h.

Entre as prioridades estratégicas estão:

  • Expansão da rede de transmissão
  • Maior previsibilidade regulatória
  • Estabilidade tributária
  • Integração entre geração e consumo

Sem esses avanços, o risco de novos projetos travados aumenta, mesmo em regiões com alto potencial como Mato Grosso do Sul.

Investimentos bilionários reforçam aposta em Mato Grosso do Sul

Um dos principais sinais de confiança no estado é o investimento previsto pela empresa Casa dos Ventos. A companhia planeja aplicar R$ 5,2 bilhões em Mato Grosso do Sul até 2027, com três projetos que somam 1,53 GW de capacidade instalada.

Esse volume representa mais da metade dos R$ 12 bilhões que a empresa pretende investir no Brasil até 2030, o que reforça a competitividade de MS frente ao Nordeste.

Além disso, segundo Verruck, o estado tem sido procurado por empresas interessadas em diversificar riscos e se aproximar de mercados consumidores do Sul e Sudeste. A localização estratégica passa a ser um diferencial relevante nesse contexto.

Crescimento acelerado exige planejamento para evitar novos gargalos

O avanço da energia solar no Brasil também traz desafios estruturais importantes. O Operador Nacional do Sistema Elétrico já aponta que a geração distribuída cresce em ritmo acelerado, inclusive em estados como Mato Grosso do Sul.

Esse crescimento, embora positivo, pode gerar situações de excesso de energia, em que a produção supera o consumo local. Nesses casos, a energia passa a circular no sentido inverso da rede, reduzindo a flexibilidade operacional e aumentando o risco de cortes na geração.

Sem planejamento adequado, o país pode enfrentar uma repetição do cenário observado no Nordeste, com aumento de projetos travados e desperdício de potencial energético.

Disputa por protagonismo nacional ganha força com nova dinâmica do setor

O movimento do Mato Grosso do Sul vai além da atração de investimentos imediatos. Trata-se de uma estratégia de longo prazo para consolidar o estado como referência nacional em energia solar. Para isso, o governo aposta em medidas como incentivos fiscais, redução de ICMS para equipamentos e simplificação do licenciamento ambiental.

Além disso, há um plano de transição energética em desenvolvimento, alinhado à meta de neutralidade de carbono. A combinação desses fatores fortalece a posição do estado em um momento em que o setor passa por reconfiguração.

O que está em jogo para MS e para o futuro da energia solar no Brasil

A tentativa de MS de atrair investimentos da energia solar travados no Nordeste pode marcar uma virada importante no setor elétrico brasileiro. O cenário atual mostra que não basta ter sol abundante — é preciso ter infraestrutura, planejamento e segurança regulatória.

Se conseguir avançar nesses pontos, Mato Grosso do Sul pode não apenas captar bilhões em investimentos, mas também assumir papel de destaque na matriz energética nacional.

Ao mesmo tempo, o caso serve de alerta: sem coordenação entre expansão e infraestrutura, novos projetos travados continuarão surgindo, independentemente da região. O Brasil vive um momento decisivo na transição energética. E, nesse novo capítulo, estados que conseguirem equilibrar crescimento e planejamento sairão na frente.

Com informações de Campo Grande News

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x