Escavações ligadas a uma obra ferroviária em Sonora revelaram a aldeia La Ciénega, com cerca de 60 casas semi-subterrâneas, mais de 100 restos mortais e gravuras rupestres que ampliam o conhecimento sobre antigas comunidades da região
Uma aldeia arqueológica em Sonora, no México, foi revelada durante escavações ligadas ao desvio ferroviário entre Ímuris e Nogales, perto da fronteira com o Arizona. O sítio La Ciénega, antes estimado em apenas 10 casas, mostrou cerca de 60 moradias, sepultamentos e gravuras rupestres.
Aldeia arqueológica apareceu durante obra ferroviária
A descoberta foi feita em uma escavação de salvamento associada à construção de uma linha férrea em Sonora.
Segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História do México, o trabalho revelou uma antiga aldeia anterior ao famoso sítio de Cerro de Trincheras.
-
Embrapa leva caju, amendoim e gergelim ao maior banco de sementes do mundo, na Noruega, onde o Brasil já tem mais de 8 mil amostras guardadas desde 2012 contra pragas e mudanças climáticas
-
Empresa finlandesa cria blocos de plástico reciclado e biomassa que se encaixam sem cimento, são 10 vezes mais leves que blocos comuns e já foram usados para erguer escolas em áreas atingidas por terremotos
-
Startup dos EUA quer construir um canhão espacial de 10 km para disparar cargas de várias toneladas à órbita a Mach 23, substituindo parte dos foguetes por uma estrutura colossal que parece uma arma de ficção científica
-
Secas e cheias extremas dobraram no planeta desde 1901, aponta estudo com 1.300 bacias hidrográficas que revela pressão crescente sobre agricultura, rios, solos, ecossistemas e abastecimento de água
O assentamento fica no vale e desfiladeiro do rio Cocóspera, região próxima ao Arizona. A equipe de seis arqueólogos do Centro Sonora do INAH foi liderada por Júpiter Martínez Ramírez e passou meses documentando os vestígios.
O caso ganhou importância porque o sítio já era conhecido desde 2008, mas sua dimensão real não havia sido registrada. Na época, apenas 10 casas haviam sido identificadas. A obra mostrou que La Ciénega era muito maior.

Casas ficavam até 2,2 metros abaixo do solo
As moradias de La Ciénega chamaram a atenção pela forma de construção. As casas eram estruturas semi-subterrâneas ovais ou retangulares, com profundidade entre 1 e 2,2 metros abaixo do nível do solo.
Os arqueólogos identificaram paredes internas dentro dos complexos residenciais. Esses espaços fechados indicam uma organização semelhante a núcleos familiares, possivelmente ocupados por várias gerações de famílias extensas.
De acordo com Martínez Ramírez, os vestígios arquitetônicos aparecem por todo o planalto, que mede 250 metros de comprimento por 250 metros de largura. A estimativa é que ali tenham existido cerca de 60 casas.
As terras próximas ao curso d’água também eram cultivadas. Para os pesquisadores, a escolha do local pode estar ligada ao acesso a áreas férteis e a condições favoráveis para a permanência da comunidade.
Sepultamentos indicam práticas rituais e circulação de recursos
As escavações em três complexos residenciais revelaram duas zonas de sepultamento com mais de 100 restos mortais associados à Tradição Trincheras, conforme relatado pelo Heritage Daily.
Entre os achados estão aproximadamente 40 sepultamentos tradicionais, nos quais os indivíduos foram colocados em posição fetal. Também foram identificadas 28 cremações, com restos mortais depositados em recipientes de cerâmica.
Alguns sepultamentos tinham ornamentos simples de conchas. Esse detalhe sugere diferença no acesso a bens considerados valiosos dentro da comunidade, conforme a interpretação apresentada no material consultado.
A equipe do INAH também observou vestígios das tradições Trincheras e Hohokam. Os pesquisadores apontam que La Ciénega pode ter sido um espaço de fronteira para circulação de recursos, marcado por migrações e abandonos repetidos.

Gravuras rupestres ampliam o retrato de La Ciénega
Além da aldeia arqueológica, o INAH informou que foram documentados dois sítios de arte rupestre na região. Um deles, chamado Petroglifos de Babasac, reúne seis painéis distribuídos por mais de 200 metros.
Esses painéis apresentam figuras geométricas e humanas. O segundo sítio, chamado Pegadas de Urso, fica em uma pequena caverna e contém gravuras semelhantes a marcas de urso.
A idade exata das gravuras ainda é incerta. Mesmo assim, os arqueólogos indicam que a arte rupestre provavelmente data de 800 a 1400 d.C.
Em conjunto, casas, sepultamentos e gravuras ajudam a ampliar a compreensão sobre como os antigos moradores de La Ciénega viviam, organizavam suas famílias, cultivavam a terra e marcavam o ambiente ao redor.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Instituto Nacional de Antropologia e História do México e do Heritage Daily, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


Os círculos internos dessa pintura muito sensível com as pinturas rupestres aqui em Andrelândia Sul de Minas Gerais no Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, administrado pelo núcleo de pesquisa arqueológicas do Alto Rio Grande.