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Designer italiano colocou água salgada em potes de terracota, usou apenas o calor do sol e criou um purificador capaz de produzir até 5 litros de água potável por dia sem energia elétrica

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 06/07/2026 às 15:27
Designer italiano colocou água salgada em potes de terracota, usou apenas o calor do sol e criou um purificador capaz de produzir até 5 litros de água potável por dia sem energia elétrica
Designer italiano colocou água salgada em potes de terracota, usou apenas o calor do sol e criou um purificador capaz de produzir até 5 litros de água potável por dia sem energia elétrica.
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Inventor italiano criou um dessalinizador de terracota movido apenas pela luz solar que transforma água salgada em água potável sem filtros ou eletricidade.

Em um planeta onde bilhões de pessoas convivem com escassez hídrica e muitas regiões costeiras estão cercadas por água imprópria para consumo, um designer italiano decidiu apostar em uma solução extremamente simples. Em vez de membranas industriais, bombas elétricas ou equipamentos sofisticados, ele utilizou apenas terracota, plástico reciclado, zinco e a energia do Sol.

Segundo o site Designboom, o resultado foi um equipamento chamado Eliodomestico, um destilador solar doméstico desenvolvido pelo italiano Gabriele Diamanti, capaz de transformar água salgada ou salobra em água potável sem utilizar eletricidade, filtros ou combustível. O projeto ganhou notoriedade internacional por combinar tecnologia acessível, materiais tradicionais e um conceito que pode ser reproduzido em comunidades com infraestrutura limitada.

Designer italiano buscava uma solução para comunidades que convivem com a falta de água potável

A ideia começou a ser desenvolvida por Gabriele Diamanti entre 2005 e 2012, período em que o designer estudava alternativas para ampliar o acesso à água limpa em regiões vulneráveis do planeta. Segundo o criador, a inspiração surgiu após viagens por países do Oriente Médio e outras áreas onde a disponibilidade de água doce representa um desafio constante.

A proposta era criar um equipamento que pudesse ser produzido por artesãos locais, utilizando matérias-primas facilmente encontradas em diferentes regiões do mundo. Em vez de depender de peças industriais complexas, Diamanti apostou em uma combinação de materiais tradicionais, principalmente a terracota, amplamente utilizada há milhares de anos em recipientes de armazenamento de água.= O resultado recebeu o nome de Eliodomestico, expressão que remete ao aproveitamento da energia solar em uma solução de uso doméstico.

O sistema funciona como uma cafeteira italiana invertida movida pela luz do Sol

O funcionamento do Eliodomestico é relativamente simples. O equipamento possui um reservatório superior onde é colocada água salgada, água salobra ou até mesmo água contaminada por impurezas minerais. Ao longo do dia, a radiação solar aquece o recipiente escuro, elevando gradualmente sua temperatura.

Com o aumento do calor, parte da água evapora, produzindo vapor. Esse vapor é direcionado por um tubo para uma segunda câmara, localizada na parte inferior do equipamento. Ao entrar em contato com uma superfície mais fria, o vapor se condensa e retorna ao estado líquido.

Como os sais minerais, impurezas e contaminantes permanecem no reservatório inicial, apenas água destilada escorre para o recipiente de coleta. O próprio criador descreve o sistema como uma espécie de cafeteira italiana invertida, já que o vapor percorre um caminho contrário ao observado nos modelos tradicionais de preparo de café.

O equipamento foi projetado para produzir até 5 litros de água potável por dia

De acordo com o projeto original, o Eliodomestico pode produzir aproximadamente cinco litros de água potável por dia, dependendo da intensidade da radiação solar e das condições ambientais do local onde está instalado. A quantidade não é suficiente para abastecer uma família inteira em todas as necessidades diárias, mas pode representar uma importante fonte complementar de água segura em regiões costeiras, comunidades isoladas ou áreas afetadas por secas severas.

Outro aspecto que chamou atenção foi o baixo custo estimado de fabricação. As primeiras estimativas apresentadas pelo inventor indicavam que a unidade poderia ser produzida por cerca de US$ 50, valor significativamente inferior ao de sistemas convencionais de dessalinização. Além disso, o equipamento não exige troca de filtros, consumo de energia elétrica nem manutenção frequente.

Terracota foi escolhida por ser barata, resistente e facilmente produzida por artesãos

Diamanti afirma que a escolha da terracota não ocorreu apenas por razões estéticas. O material apresenta propriedades térmicas adequadas para processos de aquecimento gradual e possui ampla disponibilidade em diversos países em desenvolvimento. Outro objetivo do projeto era estimular economias locais.

Em vez de importar equipamentos caros, a ideia consiste em disponibilizar instruções abertas para que artesãos possam produzir versões adaptadas às necessidades específicas de suas comunidades. Por esse motivo, o Eliodomestico foi concebido como um projeto de código aberto. O próprio designer disponibilizou informações técnicas para incentivar adaptações regionais, utilizando materiais e métodos de fabricação compatíveis com diferentes contextos sociais.

Projeto recebeu reconhecimento internacional por seu impacto social

O Eliodomestico tornou-se finalista do Prix Émile Hermès 2011, uma competição internacional dedicada a projetos de inovação social. Posteriormente, também conquistou o prêmio Core77 Design Awards 2012, na categoria de impacto social. Especialistas destacaram o potencial da tecnologia para atender comunidades costeiras que convivem com escassez de água potável, especialmente em países da África, Oriente Médio e partes da Ásia.

A proposta também passou a ser frequentemente citada em debates sobre inovação frugal, conceito utilizado para descrever soluções desenvolvidas com baixo custo, simplicidade operacional e foco em necessidades essenciais.

Embora a dessalinização industrial continue sendo a principal alternativa para produção em larga escala, projetos como o Eliodomestico demonstram que pequenas tecnologias descentralizadas podem desempenhar papel importante em regiões onde infraestrutura e investimentos permanecem limitados.

Uma solução simples para um dos maiores desafios do século XXI

Estima-se que bilhões de pessoas enfrentem algum grau de insegurança hídrica ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, cerca de 97% da água existente no planeta encontra-se nos oceanos e não pode ser consumida diretamente devido à alta concentração de sal. Foi justamente diante desse paradoxo que surgiu o Eliodomestico.

A invenção não pretende competir com grandes usinas de dessalinização, mas sim oferecer uma alternativa acessível para locais onde equipamentos industriais são inviáveis. Usando apenas o calor do Sol, um reservatório de terracota e princípios básicos da destilação, o projeto mostra que soluções simples ainda podem representar avanços significativos em regiões que convivem diariamente com a escassez de água limpa.

O Eliodomestico continua sendo uma das invenções mais curiosas da engenharia social recente

Mais de uma década após ser apresentado ao público, o Eliodomestico permanece como um dos exemplos mais conhecidos de tecnologia apropriada aplicada ao abastecimento humano. Sua combinação de design tradicional, energia renovável e produção descentralizada tornou-se referência para pesquisadores, arquitetos, engenheiros e organizações que trabalham com acesso à água.

Em um cenário de mudanças climáticas, aumento da pressão sobre recursos hídricos e expansão de regiões áridas, soluções capazes de transformar água imprópria em recurso consumível sem depender de redes elétricas podem ganhar importância cada vez maior. E tudo isso começou com uma ideia aparentemente improvável: colocar água salgada dentro de um recipiente de terracota e deixar o Sol fazer o restante do trabalho.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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