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Novo hidrogel feito de algas e cascas de camarão absorve até 60 vezes o próprio peso em água e mantém o solo úmido para salvar lavouras da seca, na Espanha

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 06/07/2026 às 15:12 Atualizado em 06/07/2026 às 15:15
Criado em Sevilha, um hidrogel de algas e cascas de camarão absorve até 60 vezes o próprio peso em água e mantém o solo úmido contra a seca; ainda é pesquisa.
Criado em Sevilha, um hidrogel de algas e cascas de camarão absorve até 60 vezes o próprio peso em água e mantém o solo úmido contra a seca; ainda é pesquisa.
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Criado na Universidade de Sevilha, na Espanha, um novo hidrogel usa algas e cascas de camarão que iriam para o lixo. Em testes, o material absorve até 60 vezes o próprio peso em água e mantém o solo úmido por mais tempo, uma promessa barata para salvar lavouras da seca.

Na Espanha, um resíduo que quase sempre vira lixo pode se tornar aliado do campo. Pesquisadores da Universidade de Sevilha criaram um hidrogel feito de algas e cascas de camarão que absorve muita água e ajuda a manter o solo úmido, como mostrou o El Independiente. A ideia é enfrentar a seca nas lavouras.

O material biodegradável chega a absorver até 60 vezes o próprio peso em água, segundo o Agronews. Apresentado como alternativa aos géis feitos de petróleo, ele ainda está em fase de pesquisa, mas promete guardar umidade no solo e liberá-la aos poucos para as plantas.

A ideia une dois resíduos numa só solução. Das algas vem o alginato, e das cascas de camarão vem a quitosana, dois compostos naturais que, junto com um pouco de cálcio, formam o hidrogel. Tudo a partir de material que costuma ser jogado fora.

A seguir, veja o que é o hidrogel de algas e cascas de camarão, como ele absorve até 60 vezes o próprio peso em água, por que pode substituir os géis de petróleo e o que essa pesquisa tem a ver com a seca no Brasil.

O que é o hidrogel de algas e cascas de camarão

Amostra do hidrogel desenvolvido pela Universidade de Sevilha.
Amostra do hidrogel desenvolvido pela Universidade de Sevilha.

O produto é um material superabsorvente de origem natural. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Sevilha, o hidrogel combina compostos extraídos de algas e de cascas de camarão, dois resíduos abundantes que ganham uma função nova nesse projeto.

A base química vem de dois polímeros conhecidos. Das algas é retirado o alginato, e das cascas de camarão vem a quitosana, ambos naturais e biodegradáveis. Um pouco de cálcio entra como estabilizador, dando estrutura ao hidrogel que segura a água.

Por trás do trabalho está a ciência de verdade. A pesquisadora Carmen María Granados aparece entre os responsáveis pelo estudo, publicado em uma revista científica internacional, o que mostra que o hidrogel de algas e camarão passou por avaliação técnica, e não é só uma promessa de laboratório improvisada.

O objetivo é atacar um problema enorme. Ao guardar água e soltar aos poucos no solo, o hidrogel busca ajudar as plantas a atravessar períodos de seca, quando a chuva some e a lavoura sofre. É uma resposta simples para um desafio cada vez mais comum.

A escolha das matérias-primas não é por acaso. Algas e cascas de camarão são fontes naturais de polímeros que já vinham sendo estudados para outros usos, de curativos a embalagens. Aqui, essas substâncias foram combinadas para segurar água, aproveitando o que a natureza oferece.

Como o hidrogel absorve até 60 vezes o próprio peso em água?

O desempenho é o que mais chama atenção. Segundo o estudo, o hidrogel consegue absorver até 60 vezes o próprio peso em água, um número que ajuda a entender por que ele desperta tanto interesse na agricultura sob estresse hídrico.

O segredo está na estrutura do material. Quando seco, o hidrogel tem uma estrutura muito porosa, parecida com uma esponja, cheia de espaços vazios. Ao entrar em contato com a água, esses poros se enchem e o material se transforma em uma rede gelatinosa.

Depois de cheio, ele age como um reservatório. A água capturada fica presa nessa rede e é liberada aos poucos, conforme o solo vai secando. Assim, em vez de a água escorrer ou evaporar de uma vez, ela permanece disponível para as raízes por mais tempo.

Vale registrar que o valor é um teto, não uma regra fixa. O material absorve “até” 60 vezes o próprio peso, o que depende das condições. Ainda assim, mesmo números menores já representariam um ganho relevante de umidade no solo durante a estiagem.

Outro ponto interessante é a reversibilidade. O hidrogel pode inchar quando recebe água e murchar quando o solo seca, repetindo o ciclo várias vezes. Essa capacidade de encher e esvaziar é o que permite usar o material ao longo de uma safra, e não apenas uma vez.

Da alga e da casca de camarão que iriam para o lixo

O ponto de partida da pesquisa é o reaproveitamento. Tanto as algas quanto as cascas de camarão costumam ser tratadas como descarte, seja da pesca, seja do processamento de frutos do mar, e acabam poluindo ou lotando o lixo.

Transformar esse resíduo em produto muda a lógica. Em vez de gastar dinheiro para descartar as cascas de camarão e as algas, é possível extrair delas os compostos que formam o hidrogel, agregando valor a um material que antes não tinha serventia.

Essa origem barata é parte do apelo. Como a matéria-prima vem de sobras, o custo do hidrogel tende a ser menor do que o de produtos feitos de insumos nobres, o que é essencial para uma solução pensada para o campo, onde a margem costuma ser apertada.

Há também um ganho ambiental duplo. Ao usar algas e camarão descartados, o projeto tira resíduo do meio ambiente e ainda cria um item útil, no espírito da economia circular, em que o lixo de um processo vira insumo de outro.

O volume desse tipo de resíduo é enorme. A pesca e o cultivo de frutos do mar geram toneladas de cascas de camarão por ano, e boa parte das algas recolhidas em praias e cultivos também acaba descartada. Dar destino a esse material já é um ganho por si só.

Como o hidrogel mantém o solo úmido contra a seca

A função central do material é segurar a umidade. Misturado ao solo, o hidrogel absorve a água da chuva ou da irrigação e a mantém armazenada, evitando que ela se perca rápido por evaporação ou por escoamento.

O efeito aparece quando a chuva falta. Nos dias de seca, o solo tende a ressecar e as plantas sofrem, mas o hidrogel vai devolvendo a água guardada aos poucos, funcionando como uma reserva que segura a lavoura até a próxima rega.

Esse mecanismo pode reduzir o uso de água. Se o solo retém mais umidade, o agricultor precisa irrigar com menos frequência, o que economiza água e energia, dois recursos caros e cada vez mais escassos em muitas regiões produtoras.

O potencial vai além da simples rega. Segundo os pesquisadores, no futuro o hidrogel poderia ser carregado com fertilizantes ou micronutrientes para liberá-los de forma gradual, unindo a retenção de água à nutrição controlada das plantas.

Na prática, o uso é simples. O hidrogel costuma ser misturado ao solo na hora do plantio, perto das raízes, onde faz mais efeito. Depois, cabe à chuva ou à irrigação abastecer o material, que passa a funcionar como uma esponja subterrânea cheia de água.

Uma alternativa biodegradável aos hidrogéis de petróleo

O grande diferencial é a origem do material. A maior parte dos hidrogéis superabsorventes usados hoje vem de polímeros derivados de petróleo, que demoram muito para se decompor e podem deixar resíduos plásticos no solo por longos períodos.

hidrogel de algas e camarão propõe o caminho oposto. Por ser feito de compostos naturais, ele é biodegradável, ou seja, tende a se decompor no ambiente sem deixar o mesmo rastro de plástico que os produtos de petróleo costumam deixar.

Esse ponto é cada vez mais importante. Espalhar toneladas de material plástico no solo para reter água pode resolver um problema e criar outro, o do acúmulo de resíduos, e é justamente esse dilema que a versão de algas e camarão tenta evitar.

Não à toa a pesquisa se apresenta como sustentável. Trocar um gel de petróleo por um feito de algas e cascas de camarão é substituir um material fóssil e poluente por outro renovável e de resíduo, mantendo a mesma função de segurar água no solo.

A preocupação com microplásticos torna isso urgente. Géis sintéticos podem se fragmentar e deixar partículas plásticas no solo, que depois entram na cadeia alimentar. Um hidrogel biodegradável de algas e camarão evita esse risco, oferecendo função parecida sem o passivo ambiental do petróleo.

Ainda é pesquisa: o que falta para chegar à lavoura

É importante não confundir promessa com realidade. O hidrogel de algas e camarão é, por enquanto, um resultado de pesquisa publicado em revista científica, e não um produto que já está sendo vendido ou usado em larga escala nas lavouras.

Faltam etapas antes do uso amplo. Os próprios pesquisadores apontam que ainda serão necessários testes em condições reais de cultivo, além da avaliação da biodegradação e da ecotoxicidade, ou seja, verificar se o material não causa efeitos indesejados no ambiente.

Esse cuidado é o que separa ciência séria de exagero. Só depois de comprovar que o hidrogel funciona no campo, e não apenas no laboratório, é que ele poderá ser produzido em escala e chegar às mãos de quem planta, com segurança e preço acessível.

Ainda assim, o caminho é animador. Ter um material barato, de resíduo, capaz de segurar água no solo e ainda se decompor sem poluir é exatamente o tipo de solução que a agricultura busca para enfrentar a seca sem multiplicar o lixo.

Vale lembrar que a pesquisa teve apoio público. O estudo contou com financiamento de órgãos de ciência e de fundos europeus, o que costuma acelerar o desenvolvimento. Ainda assim, transformar um resultado de laboratório em produto de prateleira leva tempo e mais investimento.

Nada disso tira o mérito do avanço. Mesmo em fase inicial, o hidrogel de algas e camarão aponta um caminho concreto para unir o combate à seca com a redução do lixo, e é esse tipo de pesquisa que costuma virar tecnologia útil alguns anos depois.

Por que a seca ameaça as lavouras

A falta de água é um dos maiores riscos do campo. Sem chuva na hora certa, o solo resseca, as raízes não conseguem se sustentar e a produção despenca, o que gera prejuízo para o agricultor e pressão sobre o preço dos alimentos.

As mudanças no clima agravam o quadro. Secas mais longas e imprevisíveis se tornaram comuns em várias partes do mundo, deixando lavouras à mercê de períodos sem água que, antes, eram menos frequentes ou mais curtos.

É nesse contexto que reter umidade vira prioridade. Guardar a água que cai e mantê-la no solo por mais tempo pode ser a diferença entre perder ou salvar uma safra, sobretudo em regiões onde a irrigação é cara ou simplesmente não existe.

Ferramentas simples fazem diferença nessas horas. Um hidrogel barato e eficiente, misturado ao solo, é o tipo de recurso que pode ajudar pequenos e grandes produtores a atravessar a seca sem depender só da sorte de uma chuva.

O tema é de segurança alimentar. Quando a seca derruba safras, faltam alimentos e os preços sobem, afetando tanto quem produz quanto quem consome. Por isso, reter água no solo deixou de ser só uma questão do campo e virou preocupação de todos.

O que isso tem a ver com o Brasil

O Brasil convive de perto com o problema da seca. O semiárido do Nordeste enfrenta longos períodos sem chuva, e mesmo outras regiões agrícolas sofrem com estiagens que castigam as lavouras, o que torna soluções de retenção de água no solo muito bem-vindas por aqui.

A ciência brasileira já se debruça sobre o tema. Centros de pesquisa e universidades estudam há anos géis e biopolímeros para segurar água no solo, inclusive a partir de resíduos agrícolas, o que mostra que o país tem base técnica para desenvolver um hidrogel próprio.

O país também tem a matéria-prima de sobra. O Brasil é forte na criação de camarão, principalmente no Nordeste, e tem litoral cheio de algas, o que significa resíduos disponíveis para, em tese, produzir um hidrogel parecido com o desenvolvido na Espanha.

Além disso, o uso de hidrogel na agricultura não é novidade nacional. Produtores e viveiros já empregam géis para segurar água no plantio de mudas e no reflorestamento, o que mostra que existe mercado e conhecimento para adotar versões mais sustentáveis.

O Nordeste, aliás, reúne as duas pontas do problema e da solução. É a região que mais sofre com a seca e, ao mesmo tempo, um polo de criação de camarão, que gera muita casca descartada. Aproveitar esse resíduo local faria um sentido duplo.

Por fim, há o encaixe com a economia circular. Aproveitar cascas de camarão e algas que sobram da pesca e da indústria, transformando esse lixo em um produto que segura água e ajuda o solo, é o tipo de ideia que o Brasil poderia desenvolver e adaptar à própria realidade.

E você, plantaria com um hidrogel feito de casca de camarão?

A pesquisa espanhola mostra como o lixo pode virar aliado contra a seca. Feito de algas e cascas de camarão descartadas, o novo hidrogel absorve até 60 vezes o próprio peso em água e mantém o solo úmido por mais tempo, tudo com um material biodegradável e barato.

Mais do que um truque de laboratório, é uma aposta com propósito. Ao substituir os géis de petróleo por um feito de resíduo natural, os pesquisadores buscam ajudar as lavouras a enfrentar a falta de água sem encher o solo de plástico, mesmo que ainda falte estrada até o uso em escala.

E você, plantaria usando um hidrogel feito de casca de camarão e algas para gastar menos água e proteger a lavoura da seca? Acha que o Brasil deveria investir em soluções assim para o campo? Conta aqui nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem entende de plantação.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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