Receitas das exportações venezuelanas passaram ao controle dos Estados Unidos em janeiro de 2026, porém apenas uma transferência de US$ 300 milhões aparece no sistema oficial
Mais de US$ 13 bilhões obtidos com a venda de petróleo da Venezuela foram controlados pelo governo dos Estados Unidos em 2026, segundo cálculos do Financial Times.
Entretanto, apesar do valor bilionário, poucas informações foram divulgadas sobre o destino do dinheiro e sobre quanto efetivamente retornou à economia venezuelana.
As receitas petrolíferas representam cerca de 25% do Produto Interno Bruto da Venezuela. Por isso, esperava-se que o alívio parcial das sanções provocasse uma forte recuperação econômica no país.
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Contudo, seis meses após o início do controle americano, os sinais de crescimento continuavam limitados.
Estados Unidos assumiram o controle das exportações em janeiro de 2026
O controle das receitas começou em janeiro de 2026, depois que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro e colocaram a vice-presidente Delcy Rodríguez na liderança do país.
Além disso, Washington suspendeu parte das sanções impostas à Venezuela e passou a supervisionar a comercialização do petróleo venezuelano.
Segundo o decreto presidencial publicado naquele mês, os recursos pertenciam ao governo da Venezuela. Porém, seriam mantidos em contas americanas sob uma função considerada “custodial”.
Posteriormente, o Departamento de Energia afirmou que o dinheiro seria utilizado em benefício dos povos americano e venezuelano.
Ao mesmo tempo, Donald Trump declarou que os Estados Unidos estavam “ganhando muito dinheiro” com o petróleo da Venezuela.

Financial Times calculou a receita com dados de embarques e preços do petróleo
Para estimar a arrecadação, o Financial Times analisou informações sobre embarques de petróleo reunidas pela plataforma Kpler.
Além disso, o jornal utilizou preços fornecidos pela Argus Media para variedades como o petróleo extrapesado Merey e os tipos Boscan e Hamaca.
Os carregamentos com preços diretamente identificados somavam aproximadamente US$ 11,5 bilhões.
Entretanto, como nem todas as variedades possuíam cotação disponível, o jornal aplicou padrões históricos para calcular o restante.
Dessa forma, a estimativa total ultrapassou US$ 13 bilhões em receitas petrolíferas.
Apenas US$ 300 milhões aparecem no sistema criado pelo governo venezuelano
O governo venezuelano criou uma plataforma destinada a acompanhar os valores provenientes das vendas operadas pelos Estados Unidos.
Contudo, apenas uma operação aparecia registrada: uma transferência de US$ 300 milhões realizada em março de 2026.
Em abril, Michael Kozak, funcionário do Departamento de Estado, declarou que cerca de US$ 3 bilhões haviam sido repassados à Venezuela.
Segundo ele, a KPMG estava auditando as contas bancárias. Além disso, o governo americano apresentaria relatórios trimestrais.
Ainda assim, parlamentares democratas disseram que não receberam novas informações.
Congresso dos Estados Unidos aumenta cobrança por transparência nas receitas
Diante disso, integrantes dos partidos Democrata e Republicano passaram a cobrar explicações sobre os recursos.
A deputada republicana María Elvira Salazar defendeu a divulgação de relatórios detalhados sobre o destino do dinheiro.
Por outro lado, o democrata Joaquin Castro afirmou que o Congresso permanecia sem acesso às informações necessárias.
Além disso, parlamentares querem saber quais mecanismos foram adotados para evitar corrupção na distribuição das receitas.
Terremotos de junho aumentaram a urgência pelo acesso aos recursos
A pressão aumentou após os terremotos de 24 de junho de 2026, que atingiram a Venezuela e causaram grandes danos.
Segundo a Organização das Nações Unidas, os prejuízos em edifícios e infraestrutura chegaram a US$ 37 bilhões.
Os Estados Unidos disponibilizaram US$ 386 milhões em ajuda e enviaram soldados para colaborar com os trabalhos de socorro.
Autoridades também afirmaram que receitas petrolíferas seriam utilizadas na reconstrução. Entretanto, nenhum valor específico foi divulgado.
Destino dos US$ 13 bilhões continua sem esclarecimento público detalhado
Assim, mesmo com bilhões arrecadados, o destino completo das receitas do petróleo venezuelano permanece sem esclarecimento público detalhado.
Além disso, continuam abertas as dúvidas sobre os valores repassados, os critérios de distribuição e os mecanismos de fiscalização adotados pelos Estados Unidos.
Na sua opinião, o governo americano deveria divulgar publicamente todos os valores, repasses e destinos dos US$ 13 bilhões arrecadados com o petróleo da Venezuela?
