Mortes em colônias de morcegos em Victoria, Nova Gales do Sul e Austrália Meridional acendem alerta para impacto imediato na fauna nativa
A onda de calor que atingiu o sudeste da Austrália na semana passada provocou a morte de milhares de zorros voladores, no maior evento de mortalidade em massa desses animais desde o Verão Negro.
As perdas se espalharam por colônias em Austrália Meridional, Victoria e Nova Gales do Sul, com impacto mais forte sobre o zorro volador de cabeça cinza, espécie classificada como vulnerável pelas leis ambientais federais. A situação também ampliou a pressão sobre equipes de resgate e atendimento veterinário.
Voluntários encontram milhares de animais mortos no parque Brimbank, em Melbourne
No parque Brimbank, em Melbourne, voluntários localizaram milhares de morcegos mortos. Em outros pontos, como os acampamentos de Yarra Bend e Tatura, houve registro de centenas de animais sem vida, ampliando o cenário de emergência em diferentes áreas.
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O resgate tentou reduzir as perdas, com atenção especial a filhotes que permaneciam agarrados às mães já mortas. Sem intervenção, esses órfãos tendem a morrer por estresse térmico, fome ou predação, o que agrava a queda de sobrevivência no curto prazo.
Calor acima de 42 graus coloca os zorros voladores no limite fisiológico

Temperaturas acima de 42 graus são conhecidas por causar mortalidade em zorros voladores, e a onda recente voltou a empurrar as colônias para esse limite. Em áreas mais expostas, como árvores com menos sombra e a margem do rio com solo quente, muitos adultos não conseguiram resistir.
A combinação de desidratação e golpe de calor torna a sobrevivência fisiologicamente muito difícil acima desse patamar. Mesmo com ação de resgate, a quantidade de animais afetados foi grande demais para evitar um saldo severo.
Estimativas indicam de 1000 a 2000 mortes na Austrália Meridional e até 1000 em Nova Gales do Sul
Pesquisadores ainda contabilizavam as perdas, com estimativas de 1000 a 2000 zorros voladores mortos em Austrália Meridional, milhares em Victoria e até 1000 em Nova Gales do Sul. O episódio se tornou o evento de mortalidade em massa mais significativo desde 2019 20.
O histórico recente mostra a escala que ondas de calor podem atingir. No Verão Negro, mais de 72.000 zorros voladores morreram em oito episódios separados de calor extremo, e uma onda mortal em 2018 eliminou 23.000 zorros voladores de óculos em Queensland, cerca de um terço da população daquela época.
Adelaide chega a 43 °C e Melbourne e Sydney superam 42 °C no dia mais quente
A semana de calor foi marcada por máximas elevadas em grandes centros e regiões. Adelaide atingiu 43 °C em dias consecutivos, enquanto Melbourne e Sydney superaram 42 °C no dia mais quente.
O quadro também apareceu em subúrbios e áreas regionais, com máximas registradas entre 4 e 4 °C no trecho informado. Mesmo com a inconsistência do número, o ponto central permanece, o calor intenso se espalhou e manteve colônias sob estresse contínuo.
Efeito duplo do calor reduz alimento e dificulta voo, atingindo mães e filhotes
O calor forte gerou um efeito duplo, colocou os animais sob estresse direto e ainda prejudicou a busca por alimento. O voo fica mais difícil em temperaturas extremas, e a disponibilidade de néctar das flores de eucalipto diminui, reduzindo energia disponível para sustentar a colônia.
Mães e filhotes foram os mais atingidos, o que compromete a recuperação das populações. Quando a reprodução sofre perdas grandes, o retorno ao equilíbrio costuma ser mais lento, mesmo após o fim do pico de calor.
Sinais de sofrimento incluem abrir asas, descer das árvores e tentar ir ao rio
Antes de morrer, muitos animais apresentaram sinais claros de angústia. Entre os comportamentos descritos estão abrir as asas, começar a descer das árvores, ofegar e, em alguns casos, tentar voar para mergulhar no rio.
Com a temperatura acima de 42 °C, a desidratação e o golpe de calor se impõem rapidamente. Esse padrão ajuda a explicar por que eventos de calor intenso podem causar mortalidade em massa, especialmente em colônias grandes instaladas em áreas urbanas.
Orientação ao público, nunca tentar resgatar morcego sozinho
A recomendação ao público é direta, nunca tentar resgatar por conta própria qualquer morcego doente, ferido ou órfão. O caminho indicado é entrar em contato com a organização de vida selvagem mais próxima, o que reduz risco para pessoas e aumenta a chance de atendimento correto.
A Wildlife Victoria ampliou a capacidade de resposta de emergência diante do aumento de casos e acionou um serviço veterinário itinerante para atender uma colônia de zorros voladores considerada crítica em nível nacional. O episódio também expôs a sobrecarga sobre voluntários e um setor veterinário com poucos recursos, em um cenário sem estratégia nacional de resgate de fauna silvestre.
O calor extremo não afetou apenas os zorros voladores, mas essas mortes aparecem mais porque os animais ficam em grandes grupos, muitas vezes em centros urbanos. Por isso, a perda visível funciona como um alerta do que pode estar acontecendo com outras espécies durante ondas de calor mais frequentes e intensas.
A temporada já vinha marcada por muitos filhotes órfãos, e o pico de calor ampliou a crise. Com novas ocorrências de temperatura elevada, a pressão sobre resgate, cuidado e reabilitação tende a crescer, enquanto as populações mais sensíveis enfrentam maior dificuldade para se recuperar.
Este conteúdo foi elaborado com base em informações publicadas pelo jornal The Guardian, veículo de imprensa de origem britânica, com cobertura internacional de temas ambientais, científicos e sociais.

