Oito das dez maiores empresas de armazenamento de energia do mundo são chinesas, e a BYD assumiu a liderança global do setor em 2025 ao distribuir mais de 60 GWh em sistemas estacionários, superando os 46,7 GWh instalados pela Tesla. Segundo o portal insideevs UOL, a fabricante chinesa, que já ultrapassou a americana em vendas de carros elétricos, agora domina também o mercado de baterias de grande porte usadas para armazenar eletricidade de fontes renováveis e estabilizar redes elétricas.
O domínio chinês no setor ficou ainda mais evidente quando os números de instalação são comparados por país. Em 2025, as instalações globais de sistemas BESS (Battery Energy Storage System) avançaram 51% e chegaram perto de 315 GWh, e boa parte dessa expansão veio da própria China. Apenas em dezembro de 2025, o país instalou cerca de 65 GWh em projetos de armazenamento de grande porte, volume superior ao que os Estados Unidos registraram durante um ano inteiro. O dado revela que a disputa entre BYD e Tesla é, na verdade, o reflexo de uma diferença muito maior entre a infraestrutura energética que a China está construindo e a que o restante do mundo ainda planeja.
BYD: de carros elétricos a líder global em armazenamento

A ascensão da BYD entre as maiores empresas de armazenamento de energia não é coincidência. A fabricante chinesa opera com um modelo de produção verticalizado onde fabrica internamente células, baterias e sistemas completos, usando tecnologias próprias como as baterias Blade de fosfato de ferro-lítio (LFP). Essa verticalização reduz custos, dá controle sobre toda a cadeia produtiva e permite que a empresa lance produtos integrados sem depender de fornecedores externos para componentes críticos.
A Tesla, por sua vez, ainda compra células de empresas como CATL e da própria BYD para alimentar seus sistemas Megapack. A fabricante americana também firmou um acordo bilionário com a LG Energy Solution para ampliar o fornecimento nos próximos anos, o que demonstra que, apesar de projetar e comercializar o Megapack, a Tesla não controla a cadeia de suprimentos com a mesma profundidade que a concorrente chinesa. No mercado de armazenamento de energia, onde custo e escala definem a competitividade, fabricar tudo em casa é vantagem que se traduz diretamente em preço menor por megawatt-hora armazenado.
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HaoHan: o sistema que tem quase três vezes o Megapack
Um dos fatores decisivos para a BYD ultrapassar a Tesla entre as maiores empresas de armazenamento de energia foi o lançamento do sistema HaoHan, apresentado no segundo semestre de 2025. A plataforma oferece capacidade de 14,5 MWh por unidade na configuração padrão, quase três vezes mais do que o Tesla Megapack atual. Para projetos de grande porte que precisam armazenar gigawatts-hora de energia, a diferença de capacidade por unidade reduz o número de módulos necessários, simplifica a instalação e diminui o custo total do sistema.
O HaoHan já começou a ser adotado em projetos de escala gigante, incluindo um programa de 12,5 GWh na Arábia Saudita desenvolvido em parceria com a Saudi Electricity Company. O empreendimento saudita é considerado um dos maiores projetos de armazenamento energético do mundo e demonstra que a BYD não apenas fabrica baterias: posiciona sistemas completos em mercados estratégicos onde a demanda por armazenamento está em crescimento exponencial. Para a Tesla, que construiu sua reputação em armazenamento com o Megapack, perder um contrato dessa magnitude para a concorrente chinesa é um sinal de que a liderança no setor mudou de mãos.
O domínio chinês: oito entre as dez maiores
O ranking das maiores empresas de armazenamento de energia revela uma concentração geográfica que poucas indústrias globais apresentam. Atrás de BYD e Tesla aparecem nomes como Sungrow, CATL, CRRC Zhuzhou e Hyper Strong, todas chinesas, completando um cenário onde oito das dez maiores do setor pertencem ao mesmo país. Segundo a consultoria Benchmark Mineral Intelligence, a BYD alcançou 13% do mercado global em 2025, seguida pela Tesla com 10%.
A concentração chinesa não é apenas numérica: é estrutural. A China domina a extração e o refino de lítio, a produção de células de bateria, a montagem de módulos e a integração de sistemas completos. Quando um projeto de armazenamento de energia é contratado em qualquer lugar do mundo, as chances de que as baterias venham da China são superiores a 80%. Para países que buscam diversificar suas cadeias de suprimentos energéticos e reduzir dependência da China, esse dado é tão preocupante quanto relevante para entender o mercado.
315 GWh instalados e um mercado que cresce 51% ao ano
Os números do mercado global de armazenamento de energia em 2025 mostram um setor em expansão acelerada. As instalações globais de sistemas BESS avançaram 51% no ano, chegando perto de 315 GWh, enquanto os embarques globais de células para armazenamento estacionário superaram 600 GWh. O volume embarcado é praticamente o dobro do instalado, o que indica que muitos projetos estão em fase de construção e entrarão em operação nos próximos meses.
O crescimento de 51% em um único ano transforma o armazenamento de energia em um dos mercados de infraestrutura que mais expandem no mundo. A demanda é puxada pela multiplicação de projetos solares e eólicos que precisam de baterias para funcionar à noite ou em dias sem vento, pelo crescimento de data centers que exigem fornecimento estável de energia e pela necessidade de modernizar redes elétricas envelhecidas. Para as maiores empresas de armazenamento de energia, cada gigawatt-hora de capacidade solar ou eólica instalada no mundo gera demanda proporcional por sistemas de baterias que garantam estabilidade.
Tesla cresce 49%, mas não o suficiente para liderar
A Tesla não ficou parada enquanto a BYD avançava. A fabricante americana registrou crescimento anual de 49% em instalações de armazenamento energético em 2025, atingindo 46,7 GWh distribuídos globalmente com seus sistemas Megapack. É um número expressivo que, em qualquer outro ano, teria consolidado a liderança da empresa no setor. Mas os 60 GWh da BYD foram maiores.
A perda da liderança para a BYD não significa que a Tesla esteja fracassando em armazenamento, mas que o ritmo de crescimento da concorrente chinesa é incompatível com a estrutura produtiva americana. A Tesla projeta, comercializa e instala o Megapack, mas compra células de fornecedores externos. A BYD faz tudo internamente, da célula ao sistema pronto, e consegue escalar a produção sem os gargalos de fornecimento que limitam a velocidade de expansão da americana. Enquanto a Tesla negocia contratos de fornecimento com CATL e LG, a BYD simplesmente aumenta a produção nas próprias fábricas.
Um mercado que a China construiu e que o mundo precisa disputar
Oito das dez maiores empresas de armazenamento de energia são chinesas, a BYD lidera com sistema HaoHan de 14,5 MWh que opera em projeto de 12,5 GWh na Arábia Saudita, e a China instalou mais armazenamento em um único mês de dezembro do que os EUA em todo o ano de 2025. O mercado global cresce 51% ao ano e se aproxima de 315 GWh instalados, mas a maior parte da capacidade, da tecnologia e da cadeia de suprimentos está concentrada em um único país. Para a transição energética global, essa concentração é tão indispensável quanto arriscada.
Você sabia que a BYD ultrapassou a Tesla também no armazenamento de energia? Conte nos comentários o que acha do domínio chinês nesse mercado, se o Brasil deveria investir em fabricação nacional de baterias e como avalia a diferença entre o HaoHan de 14,5 MWh e o Megapack da Tesla. Queremos ouvir a sua opinião.

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