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O Terminal Nova Holanda, em Vila Velha, sai por R$ 800 milhões e 22 meses de obra para virar base de descomissionamento de plataformas, com 257 empregos diretos e mais de R$ 42 milhões por ano em impostos

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 05/09/2026 às 13:16 Atualizado em 05/09/2026 às 13:20
O Terminal Nova Holanda, em Vila Velha, sai por R$ 800 milhões e 22 meses de obra para virar base de descomissionamento
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O Terminal Nova Holanda, projetado para Vila Velha, no Espírito Santo, prevê R$ 800 milhões de investimento e 22 meses de obra para virar uma base de desmonte de plataformas de petróleo, com 257 empregos diretos na operação e arrecadação estimada acima de R$ 42 milhões por ano.

O projeto é do Grupo Arara Azul e aguarda um documento específico para sair do papel. A Licença Prévia já foi obtida, e a expectativa divulgada em 4 de setembro é receber a Licença de Instalação entre setembro e outubro.

Segundo o Petronotícias, o investimento equivale a cerca de US$ 156 milhões, e a operação está prevista para começar no fim de 2028.

O negócio que o Brasil ainda não sabe fazer direito

Descomissionamento é a etapa final da vida de uma plataforma. Quando o campo se esgota, a unidade precisa ser desconectada, rebocada, limpa e desmontada, e os materiais separados para reciclagem ou destinação adequada.

O Brasil tem dezenas de unidades chegando a esse ponto, resultado da maturidade da Bacia de Campos. Ainda assim, boa parte desse serviço acaba sendo feita fora do país ou de forma fragmentada, sem um polo dedicado.

A conta de deixar isso escapar é grande. Uma plataforma desmontada gera milhares de toneladas de aço para reciclagem, além de equipamentos que podem ser recuperados, e todo esse valor circula onde o desmonte acontece.

O Terminal Nova Holanda, em Vila Velha, sai por R$ 800 milhões e 22 meses de obra para vir — imagem 1

É esse mercado que o Terminal Nova Holanda quer capturar. E a escolha do Espírito Santo não é acidental: o estado fica no meio do caminho entre a Bacia de Campos e a Bacia do Espírito Santo, e já tem cadeia de serviço offshore instalada.

A vantagem física do sítio escolhido

O terminal prevê calado natural entre 10,5 e 12,5 metros em águas abrigadas. Essas duas palavras juntas valem muito num projeto portuário.

Calado natural significa profundidade que já existe, sem depender de dragagem de aprofundamento. Isso corta um dos itens mais caros e mais demorados de qualquer obra portuária, além de eliminar a necessidade de dragagem de manutenção pesada.

Águas abrigadas, por sua vez, significam menos exposição a onda e vento. Numa operação de desmonte, em que estruturas gigantes ficam paradas ao lado do cais por meses, essa estabilidade é requisito, não conforto.

O Terminal Nova Holanda, em Vila Velha, sai por R$ 800 milhões e 22 meses de obra para vir — imagem 2

Portanto, o projeto se apoia numa condição geográfica em vez de comprá-la com obra. É o tipo de vantagem que reduz o capex e encurta o cronograma, e ajuda a explicar por que 22 meses de obra é um prazo realista aqui.

Emprego, imposto e o que ainda falta

Os números de trabalho anunciados são de 257 empregos diretos na fase operacional e cerca de 514 indiretos, o dobro dos diretos.

Vale ler esse dado com cuidado. São postos da operação, não da construção, e correspondem ao regime permanente do terminal depois de pronto. A obra em si mobiliza outro contingente, por prazo determinado.

A arrecadação estimada passa de R$ 42 milhões por ano em impostos. Para um município da Grande Vitória, é receita recorrente relevante, do tipo que entra no orçamento todo exercício.

O Terminal Nova Holanda, em Vila Velha, sai por R$ 800 milhões e 22 meses de obra para vir — imagem 3

O que ainda separa o anúncio do canteiro é justamente a Licença de Instalação. Sem ela, nenhuma máquina entra, e a expectativa de setembro ou outubro é expectativa da empresa, não compromisso do órgão ambiental.

Licenciamento de terminal de descomissionamento tende a ser mais criterioso do que o de um terminal de carga comum. A atividade lida com estrutura contaminada por hidrocarboneto, resíduo perigoso e material que exige destinação controlada.

Olhando assim, o cronograma tem pouca folga. Se a licença sair em outubro e a obra levar os 22 meses previstos, a operação começa exatamente no limite do fim de 2028 que a empresa projeta.

Enquanto isso, as plataformas continuam envelhecendo. A fila de unidades a desmontar não espera cronograma de licenciamento, e cada ano sem polo nacional é mais serviço contratado fora.

Vale dimensionar o mercado que o terminal quer atender. A Petrobras já anunciou plano de descomissionar dezenas de unidades nos próximos anos, e há ainda plataformas de outras operadoras chegando ao mesmo estágio.

Cada uma dessas estruturas pesa milhares de toneladas e precisa ser desmontada sob regra ambiental específica. Não é sucata comum: parte do material esteve em contato com hidrocarboneto por décadas.

Por isso o serviço exige licença própria, área controlada e destinação rastreada para cada fração retirada. É essa complexidade que separa um pátio de reciclagem convencional de um terminal habilitado a receber plataforma.

Existe também um ganho industrial pouco comentado. O aço recuperado volta ao mercado como matéria-prima, e a siderurgia brasileira usa sucata em parte relevante de sua produção.

Ou seja, a plataforma que sai de operação pode virar insumo de fábrica em vez de custo de descarte.

Do lado da concorrência, o Espírito Santo não está sozinho nessa disputa. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também têm estruturas portuárias de olho no mesmo mercado, e o que vai definir quem leva o serviço é prazo de licenciamento e custo de operação, não discurso.

Além disso, vale observar o encadeamento das etapas. Conforme o próprio cronograma da empresa, a Licença de Instalação é o gatilho que dispara os 22 meses de obra, e qualquer atraso ali empurra a operação para além de 2028.

No entanto, o projeto tem a seu favor um elemento que costuma faltar: a demanda já existe e continua crescendo, independentemente do cronograma do terminal.

Dessa forma, o risco principal não é comercial, e sim regulatório e de execução. Durante o próximo trimestre, portanto, o dado a acompanhar é objetivo: a emissão, ou não, da licença que a companhia espera para setembro ou outubro.

Desmontar plataforma velha no Brasil deveria ser obrigatório por lei ou é melhor deixar o mercado decidir onde fazer?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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