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O refrigerante zero que parecia escolha inteligente entra no radar da ciência: estudo brasileiro liga adoçantes artificiais a declínio mais rápido da memória e envelhecimento cerebral acelerado

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/05/2026 às 08:26
Atualizado em 06/05/2026 às 23:46
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estudo brasileiro liga adoçantes artificiais a declínio mais rápido da memória
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Estudo associa adoçantes artificiais a declínio cognitivo mais rápido e levanta debate sobre bebidas “zero açúcar”.

Em 2025, um estudo brasileiro publicado online em 3 de setembro e registrado na edição de 7 de outubro da revista científica Neurology colocou no centro do debate um hábito comum de milhões de pessoas: o consumo de produtos com adoçantes de baixa ou nenhuma caloria. A pesquisa, conduzida com dados de 12.772 adultos brasileiros acompanhados por cerca de oito anos, avaliou substâncias como aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, xilitol, sorbitol e tagatose, encontradas em bebidas, iogurtes, sobremesas de baixa caloria e outros ultraprocessados.

O dado que mais chama atenção é direto: após ajustes por fatores como idade, sexo, hipertensão e doença cardiovascular, os participantes com maior consumo total desses adoçantes apresentaram declínio 62% mais rápido em habilidades de memória e pensamento, o equivalente a cerca de 1,6 ano adicional de envelhecimento cognitivo em comparação com o grupo de menor consumo.

O estudo não afirma que adoçantes causam perda de memória, mas aponta uma associação relevante, especialmente em pessoas com menos de 60 anos e em participantes com diabetes, reforçando que a ciência ainda precisa investigar melhor os possíveis efeitos de longo prazo desses substitutos do açúcar no cérebro.

Estudo acompanhou mais de 12 mil brasileiros por oito anos para analisar efeitos no cérebro

A pesquisa utilizou dados de um grande estudo populacional brasileiro voltado para saúde cardiovascular e neurológica, acompanhando adultos ao longo de anos com avaliações periódicas.

Os participantes passaram por testes cognitivos que medem diferentes funções do cérebro, como memória, velocidade de processamento e capacidade de planejamento.

Ao cruzar esses dados com hábitos alimentares, os pesquisadores identificaram um padrão: quanto maior o consumo de adoçantes artificiais, mais acelerado era o declínio cognitivo observado ao longo do tempo.

Esse tipo de estudo é chamado de observacional longitudinal, o que significa que ele acompanha pessoas ao longo do tempo para identificar associações entre comportamento e desfechos de saúde.

Declínio cognitivo mais rápido não significa causa direta, mas levanta alerta científico

Um ponto fundamental para entender os resultados é a diferença entre associação e causalidade. O estudo não prova que adoçantes artificiais causam perda de memória ou envelhecimento cerebral. O que ele mostra é que há uma relação estatística consistente entre alto consumo e pior desempenho cognitivo ao longo do tempo.

Isso significa que outros fatores podem estar envolvidos, como estilo de vida, alimentação geral, condições de saúde ou comportamento.

Ainda assim, quando um padrão aparece em uma amostra grande e acompanhada por anos, ele passa a ser considerado relevante o suficiente para investigação mais aprofundada.

Adoçantes artificiais já vinham sendo estudados por efeitos metabólicos e intestinais

Antes mesmo desse estudo, adoçantes artificiais já estavam no radar científico por outros motivos. Pesquisas anteriores analisaram possíveis efeitos desses compostos sobre:

  • metabolismo da glicose,
  • resposta insulínica,
  • microbiota intestinal.

Alguns trabalhos sugerem que certos adoçantes podem alterar o equilíbrio de bactérias no intestino, processo conhecido como disbiose.

Como o intestino se comunica com o cérebro por meio do eixo intestino-cérebro, essa alteração passou a ser investigada como um possível caminho indireto para impactos cognitivos.

Microbiota intestinal surge como uma das hipóteses para explicar efeitos no cérebro

Uma das hipóteses mais discutidas atualmente envolve a microbiota intestinal. O intestino abriga trilhões de microrganismos que participam da produção de substâncias químicas importantes para o corpo, incluindo neurotransmissores e compostos inflamatórios.

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Alterações nesse ecossistema podem influenciar processos como:

  • inflamação sistêmica,
  • regulação do humor,
  • função cognitiva.

Se adoçantes artificiais modificarem a microbiota de forma relevante, isso pode afetar indiretamente o cérebro. No entanto, esse mecanismo ainda está sendo investigado e não é considerado conclusivo.

Inflamação crônica de baixo grau também é apontada como possível ligação

Outro caminho possível envolve inflamação. A ciência já reconhece que inflamação crônica de baixo grau está associada a diversas condições, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes e declínio cognitivo.

Alguns estudos levantam a hipótese de que certos padrões alimentares, incluindo consumo elevado de ultraprocessados e adoçantes, podem contribuir para esse tipo de inflamação.

Essa inflamação, por sua vez, pode afetar o funcionamento do cérebro ao longo do tempo.

Consumo de bebidas “zero” cresceu com busca por redução de açúcar

O contexto do estudo também ajuda a entender sua relevância. Nos últimos anos, houve um aumento significativo no consumo de produtos com adoçantes artificiais, especialmente bebidas “zero açúcar”.

Esse crescimento está ligado à tentativa de reduzir consumo de açúcar, controlar peso e diminuir risco de doenças metabólicas.

Para muitos consumidores, o refrigerante zero passou a ser visto como uma escolha mais saudável. O estudo não invalida essa escolha, mas mostra que ela pode não ser neutra do ponto de vista científico.

Resultados exigem cautela e não indicam necessidade de eliminar adoçantes imediatamente

Os próprios pesquisadores destacam que os resultados devem ser interpretados com cuidado. O estudo não recomenda que pessoas parem imediatamente de consumir adoçantes artificiais, nem afirma que esses produtos são perigosos por si só.

O principal impacto é levantar uma questão científica que ainda precisa de mais investigação. Ensaios clínicos controlados, que conseguem testar causa e efeito de forma mais direta, ainda são necessários para confirmar esses achados.

Outros fatores de estilo de vida também influenciam saúde cognitiva

A saúde do cérebro não depende de um único fator. Diversos elementos influenciam o risco de declínio cognitivo, incluindo:

  • nível de atividade física,
  • qualidade do sono,
  • alimentação geral,
  • controle de doenças crônicas.

Por isso, analisar apenas um componente isolado pode levar a interpretações incompletas.

Debate científico tende a crescer com novos estudos sobre alimentação e cérebro

O estudo publicado na Neurology faz parte de uma tendência maior. A ciência tem se voltado cada vez mais para entender como alimentação influencia o cérebro, indo além do impacto tradicional no peso e no metabolismo.

estudo brasileiro liga adoçantes artificiais a declínio mais rápido da memória
estudo brasileiro liga adoçantes artificiais a declínio mais rápido da memória

Esse campo envolve áreas como:

  • neurociência,
  • nutrição,
  • microbiologia,
  • psiquiatria.

A ideia de que o que se come pode influenciar memória, humor e cognição está ganhando força, mas ainda está em construção científica.

Refrigerante zero deixa de ser apenas escolha alimentar e entra no debate sobre saúde mental e cognitiva

O principal efeito desse tipo de estudo não é criar medo imediato, mas mudar o tipo de pergunta que as pessoas fazem.

Antes, a discussão era: açúcar ou adoçante? Agora, passa a incluir: qual é o impacto dessas escolhas no longo prazo para o cérebro? Essa mudança amplia o debate e torna o consumo mais consciente.

Agora a pergunta que fica é direta: se bebidas “zero açúcar” podem estar associadas a mudanças no cérebro ao longo dos anos, até que ponto escolhas consideradas saudáveis hoje podem ter efeitos que a ciência ainda está começando a entender?

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Antonio
Antonio
12/05/2026 22:14

Cooperativas açucareiras teriam alguma relação com essa pesquisa?

Antonio
Antonio
12/05/2026 22:13

O mundo é gigante e tem entidades científicas espalhadas por todo canto, alguns adoçantes são mais recentes, mas outros já têm 70 anos de uso. Eu não acredito em estudos com 12 mil pessoas! Nada consegue cadastrar, manter fiel, e acompanhar 12 mil pessoas! Ficam parecendo aquelas histórias épicas de 20 mil soldados, e andavam a pé ou a cavalo, em climas em inóspitos, frio ou calor escaldante, e ninguém nunca se perguntou como era a logística de alimentação e sanitária para 10 ou 20 mil pessoas! Até simplesmente água potável! Mas é fácil vermos pesquisas que alegam que acompanharam de 5 a 50 mil pessoas durante décadas! Sabemos que isso não existiu!

André luis
André luis
07/05/2026 06:42

O fato é que as escolhas saudáveis não cabem no bolso dos brasileiros todos os dias, facila falar pra consumir coisas saudáveis.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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