Terceira embarcação do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), o “Tonelero” avança em testes para se juntar à esquadra, fortalecendo a soberania nacional no mar.
O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) do Brasil deu mais um passo decisivo. O submarino “Tonelero” (S42), um moderno navio de 71 metros de comprimento com propulsão diesel-elétrica, avança em sua fase de testes no mar. Com capacidade para 35 tripulantes, a embarcação é uma peça fundamental na estratégia brasileira de proteger suas riquezas marítimas na chamada Amazônia Azul.
O que é o “Tonelero”? Conheça o novo submarino brasileiro
O submarino “Tonelero” é a terceira de quatro unidades convencionais previstas no PROSUB. Com 71,6 metros de comprimento e deslocamento de 1.870 toneladas, ele representa um salto tecnológico para a Marinha do Brasil.
Seu sistema de propulsão é diesel-elétrico, permitindo que atinja velocidades superiores a 20 nós (cerca de 37 km/h) quando submerso. A tripulação é composta por 35 militares.
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Lançado ao mar em março de 2024, o “Tonelero” está atualmente em uma exigente fase de testes de aceitação. Procedimentos como a imersão estática e a navegação de superfície já foram concluídos com sucesso. A expectativa é que ele seja incorporado oficialmente à frota no segundo semestre de 2025.
Em termos de armamento, o “Tonelero” é uma plataforma poderosa. Possui seis tubos para lançar torpedos pesados F21, mísseis antinavio SM39 Exocet e minas navais. O nome homenageia a Batalha do Passo do Tonelero, um evento histórico da Marinha Imperial. Simbolicamente, o novo submarino também busca superar a memória de um acidente com uma embarcação mais antiga de mesmo nome, afirmando uma nova era de capacidade tecnológica nacional.
O programa estratégico por trás do “Tonelero”

O “Tonelero” não é um projeto isolado. Ele faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), estabelecido em 2008 através de uma parceria estratégica com a França. O acordo viabilizou a transferência de tecnologia para a construção de quatro submarinos convencionais (classe Riachuelo) e o apoio para o projeto do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
Toda a construção ocorre em uma infraestrutura de ponta, o Complexo Naval de Itaguaí (CNI), no Rio de Janeiro. Este complexo foi erguido especificamente para o programa, garantindo que o Brasil não apenas construa, mas também opere e mantenha seus próprios submarinos.
Proteger a Amazônia azul e seus recursos
A principal razão de um investimento tão robusto é a defesa da “Amazônia Azul”. Este termo designa a imensa área marítima sob jurisdição brasileira, com cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.
Essa região é vital para o país. Aproximadamente 95% do comércio exterior brasileiro passa por suas águas. Além disso, ela abriga as gigantescas reservas de petróleo do pré-sal, além de uma vasta biodiversidade e outros recursos minerais. O submarino é considerado o vetor ideal para a dissuasão, pois sua capacidade de permanecer oculto força qualquer adversário a pensar duas vezes antes de ameaçar os interesses brasileiros.
O futuro da força de submarinos
O objetivo final do PROSUB é a construção do “Álvaro Alberto”, o primeiro submarino convencionalmente armado com propulsão nuclear (SCPN) do Brasil. A tecnologia nuclear oferece vantagens transformadoras.
Um submarino nuclear possui autonomia virtualmente ilimitada, podendo permanecer submerso por meses. Ele também consegue manter altas velocidades por tempo indeterminado. Sua principal vantagem é a furtividade, pois não precisa se aproximar da superfície para recarregar as baterias, como os modelos convencionais. Essa capacidade o torna a arma de dissuasão estratégica por excelência.
O impacto do orçamento no cronograma
Apesar dos avanços, o PROSUB enfrenta um desafio crônico: a instabilidade orçamentária. Como um projeto de longo prazo, ele depende de um fluxo de recursos constante e previsível. Os contingenciamentos e a volatilidade econômica do Brasil já causaram atrasos.
A Marinha considera o atual patamar de investimentos insuficiente para cumprir os prazos originais, especialmente para a conclusão do submarino nuclear “Álvaro Alberto”. A sustentabilidade financeira do programa é, portanto, o maior obstáculo para a plena concretização de uma das mais ambiciosas iniciativas de defesa da história do Brasil.

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