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O prédio que virou uma selva urbana: projeto de floresta vertical com 826 apartamentos na China enfrenta abandono após crescimento desordenado da vegetação

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/03/2026 às 00:05
Atualizado em 13/03/2026 às 23:06
projeto de floresta vertical com 826 apartamentos na China enfrenta abandono após crescimento desordenado da vegetação
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Projeto residencial em Chengdu foi concebido como uma floresta vertical capaz de transformar prédios em verdadeiros ecossistemas urbanos, mas crescimento desordenado das plantas e falta de manutenção afastaram moradores e levantaram debate sobre engenharia paisagística

Um conjunto de edifícios projetado para aproximar moradores da natureza acabou gerando o efeito oposto. Em Chengdu, capital da província de Sichuan, na China, um complexo residencial que prometia ser uma verdadeira floresta vertical hoje chama atenção por um motivo inesperado.

O empreendimento, chamado Jardim da Floresta Qiyi, foi inaugurado em 2018 com uma proposta ousada. Transformar varandas de apartamentos em pequenos fragmentos de floresta urbana.

Mas o cenário que começou como um experimento arquitetônico virou um caso curioso no mundo da engenharia urbana. A vegetação cresceu de forma tão intensa que a maior parte dos moradores decidiu deixar o local.

Um megaprojeto urbano que pretendia transformar edifícios comuns em uma floresta vertical gigante dentro de uma das maiores economias do planeta

O Jardim da Floresta Qiyi foi concebido como um exemplo avançado de arquitetura verde. O complexo reúne oito edifícios residenciais e chegou a ter todas as suas 826 unidades vendidas.

A ideia parecia perfeita para uma geração de cidades cada vez mais densas. Cada apartamento teria uma varanda repleta de vegetação. Árvores, arbustos e plantas formariam uma espécie de micro floresta particular.

Com o tempo, porém, o que era para ser um símbolo de urbanismo sustentável passou a chamar atenção por outro motivo. Hoje, estimativas apontam que apenas cerca de dez apartamentos permanecem ocupados.

A explicação circulou rapidamente nas redes sociais e despertou curiosidade no mundo todo. As plantas cresceram com força e passaram a dominar completamente as sacadas dos prédios.

Quando a engenharia verde encontra a realidade da manutenção urbana e revela um desafio que muitos projetos sustentáveis ainda enfrentam

As imagens do complexo impressionam. Sacadas cobertas por vegetação densa dão aos prédios a aparência de estruturas tomadas por pequenas selvas suspensas.

Segundo especialistas, o problema não está no conceito da floresta vertical. A questão envolve principalmente manutenção e planejamento botânico.

O paisagista Wolfgang Schlögel observa que a exuberância das plantas mostra que os sistemas de irrigação continuam funcionando. Sem água adequada, essa vegetação não apresentaria esse nível de crescimento.

O que parece ter ocorrido é um fenômeno comum em projetos paisagísticos de grande escala. Quando a manutenção não acompanha o ritmo de crescimento das espécies, o resultado pode se transformar em vegetação desordenada.

Esse cenário também abriu espaço para outro problema que incomodou moradores. O aumento de insetos nas varandas e áreas próximas aos apartamentos.

O segredo técnico que diferencia projetos bem sucedidos de floresta vertical e que pode decidir o sucesso ou fracasso de um empreendimento bilionário

Arquitetos e urbanistas apontam que projetos desse tipo exigem, portanto, planejamento muito mais detalhado do que um jardim comum.

A escolha das espécies é decisiva. Algumas plantas acumulam água nas folhas ou formam estruturas que favorecem a presença de mosquitos e outros insetos.

O biólogo Luiz Felipe Cavazzani explica que determinadas espécies podem agravar esse tipo de situação. Plantas que retêm água ou formam touceiras criam ambientes favoráveis para a reprodução de pernilongos.

Por outro lado, existem espécies que funcionam como repelentes naturais. Ervas aromáticas como manjericão, capim limão, gerânio e lavanda ajudam a reduzir a presença de insetos.

Além disso, podas regulares e acompanhamento técnico fazem parte do pacote de manutenção necessário em projetos desse porte.

Sem esse cuidado contínuo, um sistema projetado para ser sustentável pode se transformar rapidamente em um desafio para moradores.

Projetos semelhantes mostram que a engenharia da floresta vertical pode funcionar e se tornar um modelo para cidades do futuro

Apesar do caso chinês ter viralizado nas redes sociais, especialistas lembram que a ideia de florestas verticais continua sendo considerada, assim, uma solução importante para cidades densas.

Um dos exemplos mais conhecidos está em Milão, na Itália. O projeto Bosco Verticale, assinado pelo arquiteto Stefano Boeri, tornou-se referência internacional em arquitetura sustentável.

Nesse modelo, a vegetação é tratada como parte da infraestrutura do edifício. Sistemas de irrigação automatizados, manutenção especializada e escolha rigorosa de espécies garantem o equilíbrio entre natureza e moradia.

Quando esses elementos funcionam em conjunto, a floresta vertical pode melhorar a qualidade do ar, reduzir a temperatura urbana e aumentar o conforto térmico dos apartamentos.

A lição que urbanistas e engenheiros tiram do caso chinês e o que ele revela sobre o futuro das cidades sustentáveis

O caso de Chengdu mostra que aproximar natureza e arquitetura não depende apenas de boas ideias. Projetos que integram, portanto, vegetação em grande escala exigem planejamento contínuo e acompanhamento técnico permanente.

Segundo especialistas, também é importante considerar, então, o comportamento das espécies ao longo dos anos. Algumas plantas podem desenvolver raízes invasoras e até alcançar tubulações ou estruturas de drenagem.

Por isso, a orientação profissional se torna indispensável na escolha das espécies e no manejo da vegetação.

Quando esse equilíbrio é respeitado, a floresta vertical deixa de ser apenas um conceito arquitetônico e se transforma em um verdadeiro sistema ecológico dentro das cidades.

O curioso caso do complexo chinês chamou atenção justamente por isso. Ele revela como a engenharia urbana moderna ainda aprende a conviver com a natureza em escala real.

O projeto que prometia aproximar moradores da natureza acabou expondo um dos grandes desafios das cidades do futuro. Integrar tecnologia, arquitetura e ecossistemas vivos dentro do mesmo espaço urbano.

Agora queremos saber sua opinião. Você moraria em um prédio cercado por vegetação como esse ou acredita que projetos desse tipo ainda precisam evoluir muito? Compartilhe sua visão nos comentários.

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Jens
Jens(@lachenmeierhotmail-com)
15/03/2026 12:03

Conteúdo muito necessário! Muita gente desiste de ter verde em casa no verão porque acha que as plantas não vão aguentar o calor ou o ar-condicionado. Aqui na Nordic Green, sempre orientamos que a escolha do vaso e do substrato é tão importante quanto a espécie; uma Jiboia em um vaso que retém a umidade certa, por exemplo, exige metade do trabalho. É incrível como o design biofílico bem planejado muda a temperatura do ambiente. Parabéns pelas dicas de espécies resistentes!

Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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