O Ibama e a Fundação Florestal de São Paulo intensificaram o combate à Sonneratia apetala, uma planta invasora asiática conhecida como mangue-maçã, encontrada até agora apenas nos manguezais de Cubatão. A operação usa drones, sensoriamento remoto e inteligência artificial para mapear a espécie antes que ela se espalhe pelo litoral brasileiro. Mais de 700 árvores já foram arrancadas, e os especialistas acreditam que a erradicação total ainda é possível.
O Ibama está travando uma corrida contra o tempo nos manguezais de Cubatão, na Baixada Santista, para eliminar uma planta invasora que pode causar danos irreversíveis à biodiversidade costeira brasileira. A espécie é a Sonneratia apetala, originária da Ásia e conhecida popularmente como mangue-maçã, que chegou aos manguezais paulistas por vias ainda não completamente esclarecidas e se instalou com um crescimento acelerado que ameaça competir diretamente com as espécies nativas por espaço, luz e nutrientes.
O diferencial da operação está na tecnologia empregada. Em vez de depender apenas de buscas manuais em áreas de difícil acesso, a equipe técnica do Ibama utiliza drones para mapeamento aéreo com imagens de altíssima resolução, sensoriamento remoto para detectar indivíduos da planta em diferentes estágios de desenvolvimento e inteligência artificial para ampliar a escala dos levantamentos. A combinação dessas ferramentas permite identificar exemplares de mangue-maçã que seriam invisíveis em inspeções convencionais, especialmente quando a planta ainda é jovem e se confunde com a vegetação nativa.
O que é o mangue-maçã e por que ele ameaça os manguezais brasileiros

Segundo informações divulgadas pelo portal Gov, a Sonneratia apetala é uma espécie arbórea originária do Sudeste Asiático que se adapta facilmente a ambientes de manguezal. Seu crescimento é significativamente mais rápido do que o das espécies nativas, o que lhe dá vantagem na competição por recursos como luz solar, espaço e nutrientes do solo. Em países onde foi introduzida sem controle, a planta dominou áreas inteiras de manguezal e reduziu a diversidade biológica que sustenta a cadeia alimentar costeira.
-
Embrapa leva caju, amendoim e gergelim ao maior banco de sementes do mundo, na Noruega, onde o Brasil já tem mais de 8 mil amostras guardadas desde 2012 contra pragas e mudanças climáticas
-
Empresa finlandesa cria blocos de plástico reciclado e biomassa que se encaixam sem cimento, são 10 vezes mais leves que blocos comuns e já foram usados para erguer escolas em áreas atingidas por terremotos
-
Startup dos EUA quer construir um canhão espacial de 10 km para disparar cargas de várias toneladas à órbita a Mach 23, substituindo parte dos foguetes por uma estrutura colossal que parece uma arma de ficção científica
-
Secas e cheias extremas dobraram no planeta desde 1901, aponta estudo com 1.300 bacias hidrográficas que revela pressão crescente sobre agricultura, rios, solos, ecossistemas e abastecimento de água
No Brasil, o mangue-maçã foi identificado até o momento apenas nos manguezais de Cubatão, o que os especialistas consideram uma janela de oportunidade. Enquanto a invasão estiver restrita a uma única localidade, a erradicação total ainda é tecnicamente viável. Se a espécie se espalhar para outros pontos do litoral brasileiro, a contenção se tornaria exponencialmente mais difícil e cara, podendo comprometer ecossistemas que sustentam a pesca artesanal, protegem a costa contra erosão e funcionam como berçários para centenas de espécies marinhas.
Como o Ibama usa drones e inteligência artificial para encontrar a planta
A operação realizada entre 15 e 17 de abril combinou três camadas de tecnologia para garantir precisão no mapeamento da bioinvasão. Os drones sobrevoaram áreas estratégicas dos manguezais de Cubatão gerando imagens de altíssima resolução que permitem distinguir a copa do mangue-maçã da vegetação nativa, tarefa que seria impossível do nível do solo devido à densidade da vegetação e ao terreno alagadiço.
Os dados coletados pelos drones foram submetidos a fotointerpretação e sensoriamento remoto, técnicas que identificam diferenças espectrais entre espécies vegetais e permitem detectar indivíduos da planta invasora em estágios iniciais de crescimento. O Ibama também testa o uso de inteligência artificial para automatizar a análise dessas imagens, o que pode multiplicar a capacidade de monitoramento e permitir levantamentos em escala que a equipe humana sozinha não conseguiria cobrir. Após o mapeamento digital, inspeções em campo validam os dados e subsidiam o planejamento das próximas remoções.
Os resultados até agora: mais de 700 árvores arrancadas
O trabalho conjunto entre Ibama e Fundação Florestal já resultou na retirada de mais de 700 árvores da espécie invasora nos manguezais de Cubatão. A remoção é feita manualmente, arrancando cada exemplar pela raiz para impedir a rebrota, um processo trabalhoso que exige equipes em campo operando em terreno úmido e de difícil acesso. O volume de exemplares retirados indica que a invasão já havia avançado mais do que se imaginava inicialmente.
Além da supressão direta, o Ibama atua na identificação de novas áreas para intervenção futura. A testagem de inteligência artificial visa justamente ampliar a capacidade de detecção para encontrar exemplares que possam ter escapado das operações anteriores e que, se não forem removidos, funcionariam como focos de reinfestação. A estratégia é eliminar 100% dos indivíduos antes que a planta produza sementes em quantidade suficiente para se dispersar por correntes marítimas e colonizar outros manguezais do litoral.
Por que a erradicação precisa ser rápida e o que acontece se falhar
A Sonneratia apetala produz frutos que se dispersam pela água, o que significa que correntes marítimas podem carregar sementes de Cubatão para outros manguezais da Baixada Santista e, eventualmente, para o litoral de outros estados. Se a espécie escapar da área atual de contenção, a operação de erradicação se transformaria em operação de controle permanente, muito mais cara e com resultados incertos.
O precedente internacional é preocupante. Na China, a Sonneratia apetala foi introduzida intencionalmente para reflorestar áreas degradadas e acabou dominando manguezais inteiros, substituindo espécies nativas e reduzindo a biodiversidade dos ecossistemas costeiros. No Brasil, a estratégia é justamente evitar que esse cenário se repita, aproveitando o fato de que a invasão ainda está concentrada em uma única localidade. A ação do Ibama se insere na Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras, que prioriza respostas rápidas quando a erradicação total ainda é possível.
O que está em jogo para os manguezais e para quem vive deles
Os manguezais são ecossistemas costeiros que funcionam como berçários para peixes, crustáceos e moluscos que sustentam a pesca artesanal de comunidades inteiras. Eles também protegem a costa contra erosão, filtram poluentes, armazenam carbono e abrigam biodiversidade que depende exclusivamente desse ambiente para sobreviver. A entrada de uma planta invasora que compete com as espécies nativas ameaça todas essas funções simultaneamente.
Para os pescadores de Cubatão e da Baixada Santista, a saúde dos manguezais é questão de renda e segurança alimentar. Se o mangue-maçã dominar a vegetação nativa, a redução na biodiversidade afetará diretamente os estoques de peixes e caranguejos que dependem da estrutura do manguezal para se reproduzir. A operação do Ibama com drones e inteligência artificial não é apenas uma ação ambiental: é proteção de um ecossistema que sustenta vidas humanas e economias locais.
Você sabia que uma planta asiática ameaça os manguezais brasileiros, ou achou que invasões biológicas só aconteciam com animais? Conte nos comentários o que pensa sobre o uso de drones e inteligência artificial na proteção ambiental e se acha que o Brasil está agindo rápido o suficiente.

Eu já imaginava que isso seria possível,
porque as plantas invasoras estão por toda parte, com novas espécies e nomes científicos.
Acho essa iniciativa de usar drones pra fazer a busca dessa espécie invasora excelente, e creio que todo o litoral brasileiro deve ser vistoriado pela própria população local pra tentar identificar essa planta tão danosa.
Podiam tbm usar drones pra vistoriar as casas onde tem gaiolas de passarinhos que deviam estar voando e não presos em gaiolas e poder punir esses criminosos
A pergunta que fica é como isso veio parar aqui no Brasil?
Pode ter sido via o casco de navios? Ou intencionalmente?