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O CO2 da poluição já está subindo dentro do sangue humano, e um novo estudo alerta que, se nada mudar, em cerca de 50 anos esse gás pode ultrapassar o limite saudável no corpo, com o risco maior recaindo justamente sobre as crianças de hoje

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 22/05/2026 às 00:56
O CO2 da poluição já está subindo dentro do sangue humano, e um novo estudo alerta que, se nada mudar, em cerca de 50 anos esse gás
Estudo detecta CO2 no sangue humano subindo com a poluição. É a primeira vez que se mede o dióxido de carbono no corpo humano em larga escala.
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Pesquisadores da Austrália analisaram 21 anos de exames de sangue de 7 mil pessoas e viram um marcador de CO2 subir no mesmo ritmo do gás na atmosfera. O recado deles é duplo: a tendência preocupa, mas por enquanto é uma hipótese, não uma sentença.

Um estudo publicado em fevereiro de 2026 detectou que o CO2 no sangue humano vem subindo de forma constante nas últimas duas décadas, no mesmo ritmo em que o gás aumenta na atmosfera. A pesquisa, feita pelo The Kids Research Institute Australia em parceria com a Universidade Curtin e a Universidade Nacional Australiana, analisou exames de cerca de 7 mil pessoas e concluiu que, se a tendência continuar, um marcador de CO2 no corpo pode ultrapassar o limite saudável em torno de 50 anos. É a primeira vez que uma pesquisa de grande escala acompanha o dióxido de carbono no corpo humano e encontra esse padrão.

Os dados saíram na revista científica Air Quality, Atmosphere and Health e repercutiram em veículos como a CNN em março de 2026. Entre 1999 e 2020, o bicarbonato no sangue, que é a principal forma como o CO2 circula no corpo, subiu cerca de 7 por cento, indo de 23,8 para 25,3 miliequivalentes por litro. No mesmo período, o CO2 na atmosfera saltou de cerca de 369 partes por milhão em 2000 para mais de 420 hoje, o nível mais alto da história da nossa espécie.

Como o gás do ar acaba dentro do seu sangue

A lógica é mais simples do que parece. Com mais CO2 no ar, a gente respira mais CO2 a cada inspiração. Esse excesso deixa o sangue um pouco mais ácido, e o corpo reage tentando se equilibrar: os rins produzem e seguram mais bicarbonato para neutralizar a acidez. É por isso que esse marcador subiu, e é assim que o dióxido de carbono no corpo humano acaba virando um número que aparece no exame de sangue.

O problema é que esse equilíbrio tem um custo. No mesmo intervalo estudado, o cálcio no sangue caiu cerca de 2 por cento e o fósforo, cerca de 7 por cento. Uma das hipóteses dos pesquisadores é que os ossos entrem na conta como amortecedores, liberando minerais para ajudar a tamponar a acidez, o que ajudaria a explicar essa queda.

O alerta pesa mais para as crianças

Os autores fazem questão de destacar quem está mais exposto: as crianças e os adolescentes de hoje. Como vão viver as próximas décadas inteiras respirando um ar cada vez mais carregado de CO2, o tempo de exposição acumulada deles é o maior de todos.

Nas projeções do estudo, mantido o ritmo atual, o bicarbonato no sangue pode chegar ao topo da faixa considerada saudável por volta de 2076. O cálcio e o fósforo, caindo, poderiam se aproximar do limite mínimo saudável até o fim deste século.

Atenção: ainda é uma hipótese, não uma certeza

Aqui entra a parte honesta que muita manchete por aí esconde. Os próprios autores, escrevendo no site The Conversation, deixaram claro que o estudo mostra uma correlação forte, não uma causa provada. Em outras palavras, eles flagraram duas curvas subindo juntas, a do CO2 no ar e a do bicarbonato no sangue, mas isso ainda não significa que uma causa a outra de forma definitiva.

Outros fatores, como mudanças de dieta, peso da população e função dos rins ao longo dos anos, também podem estar empurrando esses números. O próprio título do trabalho fala em uma atmosfera “potencialmente” tóxica, e o resumo dos cientistas é desconfortavelmente sincero: o sinal é preocupante, mas eles ainda não sabem ao certo o que ele significa. É um alerta para investigar mais, não um diagnóstico para entrar em pânico.

Por que isso importa mesmo assim

Mesmo sendo hipótese, a descoberta abre uma porta nova. Até agora, a conversa sobre mudança climática girava quase toda em torno de temperatura, seca, enchente e nível do mar. Esse estudo sugere, pela primeira vez com dados de população em larga escala, que o excesso de dióxido de carbono no corpo humano pode estar deixando uma marca mensurável.

Se confirmado por novas pesquisas, seria mais um motivo, agora bem pessoal, para encarar a quantidade de carbono que a humanidade joga no ar. Não como um problema só do clima lá fora, mas como uma coisa que circula, literalmente, na nossa veia.

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Paulo
Paulo
22/05/2026 15:42

Mas não precisa se preocupar, logo estaremos indo morar em Marte e esse planeta **** que estamos vivendo será passado …

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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