Brasil e Holanda assinam acordo para modernizar portos com foco em sustentabilidade, corredores verdes e energias renováveis. Plano prevê investimentos e visitas técnicas bilaterais.
Em um movimento que reforça o compromisso com a transição sustentável da infraestrutura logística, Brasil e Holanda firmaram um novo Plano de Ação do programa Green Ports Partnership (GPP) na última quarta-feira (18), durante um evento realizado em Brasília. A iniciativa tem como meta acelerar o desenvolvimento sustentável e tecnológico dos portos brasileiros por meio de intercâmbio técnico, inovação e energias limpas. As ações ocorrerão ao longo dos próximos 15 meses.
O acordo internacional prevê capacitações especializadas, visitas técnicas binacionais e estudos para criação de um corredor verde intermodal no país. A articulação é liderada pela Embaixada da Holanda no Brasil, com envolvimento direto de portos estratégicos em ambas as nações.
Brasil aposta em corredores verdes e tecnologia limpa
Com foco na modernização do setor, o plano contempla treinamentos sobre práticas sustentáveis e projetos voltados à utilização de fontes renováveis como energia eólica e hidrogênio verde.
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A proposta visa alinhar os portos brasileiros aos padrões internacionais de descarbonização e logística inteligente.
Segundo o embaixador holandês André Driessen, o programa atua em duas direções: inovação na gestão portuária e integração energética com base em fontes limpas.
“O programa atua em duas frentes: o desenvolvimento sustentável e inovador dos portos e terminais brasileiros e logística, e segundo, projetos de energia renovável relacionados aos portos, especificamente energia eólica, offshore e nearshore, hidrogênio verde”, afirmou.
Missões técnicas vão conectar portos brasileiros e holandeses
A colaboração também prevê uma intensa troca de experiências por meio de missões técnicas.
No Brasil, delegações visitarão os portos de Santos (SP), Pecém (CE), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). Já na Holanda, os terminais de Rotterdam, Harlingen e Nijmegen serão os anfitriões da parte europeia da programação.
O destaque fica para o Porto de Rotterdam, o maior da Europa, que movimentou mais de 467 milhões de toneladas em 2022 e adota um modelo de gestão híbrido que combina controle público, operação privada e metas ambientais ambiciosas – como a neutralidade de carbono até 2050.
Expansão do setor portuário brasileiro impulsiona parcerias estratégicas
O cenário de forte crescimento dos portos brasileiros dá ainda mais relevância à parceria internacional. De acordo com a Antaq, o país movimentou 1,32 bilhão de toneladas em cargas em 2024, alcançando recordes de operação.
O Porto de Santos, principal do país, também bateu seu recorde histórico de contêineres em janeiro de 2025, com 460,8 mil TEUs movimentados no mês.
Para acompanhar essa expansão, o Brasil prevê R$ 50 bilhões em investimentos privados até 2026 no setor portuário.
Entre os destaques está o STS-10, novo mega terminal em Santos, que promete ampliar em até 50% a capacidade operacional do porto.
O projeto integra o pacote que inclui o túnel subaquático Santos–Guarujá, voltado a transformar o complexo portuário em um hub logístico regional.
Modelo europeu inspira novos rumos para os portos nacionais
A experiência holandesa se apresenta como referência para os gestores brasileiros.
O sucesso de Rotterdam como polo logístico global e símbolo de sustentabilidade portuária inspira o Brasil na construção de um modelo mais eficiente, resiliente e alinhado às demandas ambientais globais.
A expectativa é que o Porto de Santos seja oficialmente integrado à rede do Green Ports Partnership, fortalecendo ainda mais os laços entre os dois países e garantindo que o maior porto da América Latina participe ativamente das transformações sustentáveis do setor.

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