Aprovação em Princípio concedida pela DNV avalia a viabilidade técnica preliminar de uma unidade flutuante que reuniria processamento de gás, fabricação de amônia, captura de carbono, armazenamento refrigerado e transferência marítima, mas ainda não representa uma decisão de construir o projeto.
A BW Offshore e a McDermott avançaram no desenvolvimento de um FPSO capaz de converter gás natural produzido no mar em amônia de baixo carbono. O conceito recebeu uma Aprovação em Princípio, ou AiP, da classificadora DNV, avaliação técnica que permite seguir para etapas mais detalhadas de engenharia.
O aval se refere a uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência que concentraria no mesmo casco o processamento do gás, a produção de hidrogênio e amônia, a captura de carbono e a armazenagem refrigerada do produto final, segundo reportagem do MarineLink.
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A instalação foi dimensionada para processar até 3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia e produzir mais de 1 milhão de toneladas de amônia por ano.
O sistema de captura previsto no projeto pode reter e comprimir até 99% do dióxido de carbono gerado no processo. O CO₂ separado poderia seguir para armazenamento geológico ou outros usos autorizados, enquanto a amônia seria liquefeita, armazenada em tanques refrigerados e transferida diretamente para navios.
Aprovação técnica ainda não significa construção
A Aprovação em Princípio é uma avaliação independente aplicada ainda na fase conceitual. No projeto da BW Offshore e da McDermott, a análise considerou riscos técnicos e fornece uma base para etapas posteriores de detalhamento, certificação e classificação.
O reconhecimento não equivale à contratação de uma unidade nem a uma decisão final de investimento. Ainda seriam necessários uma aplicação comercial definida, operadores ou clientes interessados, licenciamento, parceiros, escolha do campo atendido e um cronograma para transformar o conceito em projeto executável.
A BW Offshore apresentou a configuração industrial do FPSO em fevereiro deste ano. Pela proposta, o gás natural chegaria à unidade a partir de instalações offshore próximas, por uma linha submarina, e seria convertido primeiro em hidrogênio e depois em amônia dentro da própria embarcação.
Essa configuração reúne no mar etapas que, em projetos convencionais, podem depender de instalações industriais em terra. Produção, captura de carbono, armazenamento temporário e transferência da amônia seriam integrados à unidade, enquanto o dióxido de carbono comprimido deixaria o FPSO para receber a destinação prevista.
Produção no mar mira reservas com limitações de escoamento
O conceito foi desenvolvido para situações em que reservas de gás offshore enfrentam limitações de escoamento por causa da distância da costa ou da falta de infraestrutura. A alternativa proposta é converter o recurso perto do campo produtor, reduzindo a necessidade de extensos gasodutos até instalações terrestres.
A unidade também poderia ser posicionada próxima de áreas adequadas ao armazenamento geológico de CO₂. Na configuração apresentada pela BW Offshore, a amônia seguiria diretamente para navios de transporte, diminuindo a dependência de terminais, portos e dutos terrestres para movimentar o produto final.
O armazenamento faz parte do próprio desenho do FPSO. Depois da síntese, a amônia seria resfriada e mantida em tanques no casco até a transferência para navios, seguindo uma lógica operacional semelhante à empregada em unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência.
A captura de até 99% do dióxido de carbono gerado na produção não significa que toda a cadeia teria emissões próximas de zero. A desenvolvedora estima para o conceito uma intensidade de aproximadamente 0,5 tonelada de CO₂ por tonelada de amônia produzida.
A empresa prevê ainda opções para reduzir emissões associadas à geração de energia a bordo. O desempenho climático de uma futura unidade dependeria também da eficiência efetiva da captura, das emissões vinculadas ao fornecimento do gás e do destino permanente dado ao carbono separado.
Estrutura de FPSO é adaptada à produção de amônia
O projeto adapta componentes usados em unidades flutuantes de petróleo e gás para uma cadeia voltada à produção de amônia. A BW Offshore participa com experiência em sistemas flutuantes, enquanto a McDermott atua em engenharia, construção, instalação e integração dos módulos industriais.
Para países com experiência consolidada em FPSOs, como o Brasil, o conceito representa uma possível aplicação de cascos, módulos de processo, sistemas de armazenamento e logística marítima em projetos ligados à transição energética. Isso não significa que uma unidade desse tipo esteja contratada para operar no país.
A amônia pode ser empregada como insumo químico, vetor para transporte de hidrogênio e combustível em determinadas aplicações de geração de energia ou transporte marítimo. No projeto, ela funcionaria como produto exportável obtido a partir de gás natural produzido longe da costa.
Com a aprovação técnica concluída, BW Offshore e McDermott pretendem aproximar o conceito de operadores de petróleo e gás e de outros parceiros capazes de avaliar sua aplicação comercial. Uma eventual construção ainda dependerá de projeto definido, licenças, cliente e decisão de investimento.
