Iniciativa integra educação, tecnologia e empreendedorismo para formar profissionais capazes de atuar na nova economia energética brasileira e nas demandas da Indústria 4.0
Primeiramente, o avanço das energias renováveis, da digitalização das redes elétricas e do armazenamento em baterias está transformando a forma como a energia é gerada, distribuída e consumida no Brasil.
Nesse contexto, foi lançado oficialmente em 3 de março de 2026 o ecossistema “Tudo de Energia”, iniciativa voltada à formação profissional e ao desenvolvimento de soluções para a chamada economia da energia ligada à Indústria 4.0.
Além disso, o projeto foi apresentado durante um debate promovido pelo EnergyChannel, que reuniu executivos, especialistas e representantes do setor elétrico.
-
Eni compra 25% de projeto de lítio no Chile, prevê investir até US$ 225 milhões e aposta em sistema que tenta retirar o mineral sem espalhar salmoura por grandes lagoas no deserto
-
Com 6 milhões de garrafas PET compradas de cooperativas brasileiras, marca francesa transformou plástico reciclado de Minas Gerais em tênis sustentáveis, abasteceu uma cadeia global de moda e levou o resíduo brasileiro para vitrines internacionais
-
Antiga fábrica Vulcan vira escombro na Zona Norte do Rio, acumula água parada e lixo e expõe abandono de uma área industrial que ainda deve passar por vistoria depois de ser depenada e virar problema urbano para moradores
-
A Marinha dos Estados Unidos levou testes de submarinos para um lago no interior de Idaho, com mais de 350 metros de profundidade, porque o silêncio da água ajuda a revelar ruídos que o oceano pode esconder
Durante o encontro, portanto, foram discutidos os desafios da transição energética brasileira e a necessidade de qualificação profissional para acompanhar as transformações tecnológicas do setor.
Integração entre educação, tecnologia e inovação
Inicialmente, o ecossistema Tudo de Energia foi idealizado pelo especialista do setor elétrico Merivaldo Britto.
Além disso, a iniciativa surgiu a partir de uma pesquisa acadêmica desenvolvida na Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Segundo o estudo, embora as tecnologias energéticas avancem rapidamente, persistem lacunas importantes na formação de profissionais e na capacidade de inovação nas empresas.
De acordo com Merivaldo Britto, o setor evoluiu fortemente em tecnologia, porém ainda existe um vazio relevante quando o assunto é integração de conhecimento e formação profissional especializada.
Assim, o projeto busca aproximar educação, tecnologia, inovação e empreendedorismo, preparando profissionais e empresas para um mercado energético mais digital, inteligente e conectado.
Consequentemente, o objetivo é alinhar o setor brasileiro às demandas da chamada quarta revolução industrial.
Três pilares estruturam o ecossistema energético
Para enfrentar os desafios identificados pela pesquisa, o ecossistema foi estruturado em três pilares principais.
Primeiramente, o projeto estimula empreendedorismo e inovação no setor energético.
Nesse sentido, busca ampliar a visão de empresas que, durante anos, focaram principalmente na venda de sistemas solares fotovoltaicos.
Entretanto, atualmente o mercado exige soluções energéticas mais completas e integradas, como:
• Geração distribuída de energia
• Armazenamento em baterias
• Mobilidade elétrica
• Eficiência energética
• Gestão inteligente do consumo
Além disso, o segundo pilar envolve a formação de consultores de energia.
Esses profissionais são preparados para analisar o consumo energético de clientes.
Em seguida, eles podem propor soluções integradas para residências, empresas, indústrias e propriedades rurais.
Por fim, o terceiro eixo do projeto envolve a qualificação do chamado eletricista 4.0.
Esse profissional técnico será treinado para atuar com sistemas solares, baterias, redes inteligentes, mobilidade elétrica e monitoramento digital de energia.
Tecnologias estratégicas para o futuro da energia
Além da formação profissional, o ecossistema pretende atuar em áreas consideradas estratégicas para o futuro do setor energético.
Entre essas áreas destacam-se:
• Armazenamento de energia em baterias
• Mobilidade elétrica
• Integração da energia solar à arquitetura (BIPV)
• Segurança em sistemas energéticos
• Gestão inteligente do consumo de energia
Portanto, a iniciativa busca ampliar a capacidade tecnológica e inovadora do setor energético brasileiro.
Projeto de cidade inteligente no Ceará demonstra aplicação prática
Além da formação e da inovação, algumas soluções defendidas pelo ecossistema já estão sendo aplicadas em projetos reais.
Um exemplo foi implementado em Aquiraz, no estado do Ceará.
No local, foi desenvolvido um projeto de cidade inteligente que integra geração solar e armazenamento em baterias.
O sistema conta com 69 kWp de geração fotovoltaica e 32,2 kWh de armazenamento energético.
Assim, o projeto permite reduzir o consumo da rede elétrica nos horários de pico, estratégia conhecida como peak shaving.
Além disso, o sistema pode garantir até quatro horas de autonomia energética.
Consequentemente, a solução aumenta a segurança energética, melhora a qualidade da energia e ainda reduz custos operacionais.
Segundo informações apresentadas durante o debate, o projeto integra uma iniciativa internacional ligada ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP).
Além disso, a iniciativa também envolve a Agência Internacional de Energia (IEA).
O objetivo é desenvolver redes elétricas digitais orientadas pela demanda energética.
Especialistas discutem desafios da transição energética
Durante o evento realizado em 3 de março de 2026, especialistas discutiram temas centrais para a transição energética no Brasil.
Entre os participantes estavam:
• Merivaldo Britto, fundador do ecossistema Tudo de Energia
• Daniel Danna, secretário-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
• Zilda Costa, vice-presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD)
• José Luís Fontes, diretor de ESG da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)
• Marcelo Taborda, diretor comercial da RB Solar
• Rodrigo Cardoso Gatti, country manager da SMA Solar Technology
• David Sanfins, executivo da Astronergy
• João Carlos, CEO da Ecosunny
• Tiago Vianna, CEO da Enersim
• João Guimarães, consultor da Kraften Consultoria em Energia
Durante o debate, foram abordados o crescimento das energias renováveis, os desafios regulatórios e a crescente demanda por profissionais qualificados.
Formação de profissionais será decisiva para a economia energética
Por fim, segundo Merivaldo Britto, o avanço da infraestrutura energética dependerá não apenas de novas tecnologias.
Além disso, dependerá principalmente da preparação de profissionais capazes de liderar essa transformação.
Assim, o objetivo do ecossistema Tudo de Energia é formar uma nova geração de especialistas preparados para sustentar o crescimento da economia energética brasileira nos próximos anos.
Dessa forma, a iniciativa busca contribuir diretamente para o desenvolvimento da nova economia da energia no Brasil.
