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No Texas, ex-moradores de rua deixam abrigos e pontes para viver em comunidade planejada com 25 casas de 51 m², cozinha, sala, lavanderia, refeições diárias, clínica futura, capela e até lagoas em um terreno de 280 acres para recomeçar com dignidade

Escrito por Carla Teles
Publicado em 07/06/2026 às 21:09
Atualizado em 07/06/2026 às 21:26
No Texas, ex-moradores de rua deixam abrigos e pontes para viver em comunidade planejada com 25 casas de 51 m², cozinha, sala, lavanderia, refeições diárias, clínica futura, capela (3)
Moradores de rua no Texas chegam a Ferris em casas de 51 m² da OurCalling, com apoio e refeições diárias.
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Em Ferris, no Texas, moradores de rua passaram a ocupar casas de 51 m² da OurCalling em uma comunidade planejada com refeições diárias, apoio local e serviços futuros. O projeto atende pessoas dos condados de Dallas e Ellis que precisam de moradia estável e cuidados de longo prazo no local.

Uma comunidade planejada para moradores de rua em Ferris, no Texas, começou a receber seus primeiros residentes em 2026, em um terreno de 280 acres localizado a cerca de 40 quilômetros de Dallas. O projeto da OurCalling reúne casas de 51 m² e foi mostrado pela FOX 4 em 26 de março de 2026 e pela KERA/NPR em 27 de março de 2026.

De acordo com reportagem de Lori Brown, da FOX 4 Dallas-Fort Worth e KERA/NPR, a iniciativa atende pessoas dos condados de Dallas e Ellis que estavam em situação de rua e precisam de cuidados de longo prazo. Entre os novos moradores estão idosos, pessoas com deficiências físicas ou cognitivas e pessoas com problemas graves de saúde, em um modelo pensado para recomeço com endereço fixo.

Comunidade planejada no Texas tenta criar um recomeço fora dos abrigos

Moradores de rua no Texas chegam a Ferris em casas de 51 m² da OurCalling, com apoio e refeições diárias.
Imagem: Reprodução/FOX 4 Dallas-Fort Worth.

A comunidade foi criada para atender um público que muitas vezes não se encaixa bem em soluções tradicionais. Segundo as informações da KERA, a proposta é oferecer um espaço intermediário entre a moradia independente e uma instituição de longa permanência, especialmente para quem precisa de apoio diário.

O projeto não se limita a entregar uma casa, mas tenta criar uma rotina de convivência e cuidado. As primeiras 25 casas têm cerca de 51 m² cada e foram organizadas de forma que as varandas fiquem voltadas umas para as outras, incentivando contato entre vizinhos.

Para pessoas que passaram por abrigos, ruas ou áreas sob pontes, a mudança representa mais do que um endereço. Relatos de moradores indicam que o silêncio, a segurança e a possibilidade de conversar com vizinhos na varanda passaram a fazer parte de uma rotina que antes era marcada por incerteza.

A comunidade planejada em Ferris recebeu pessoas que vieram de estruturas de acolhimento em Dallas, incluindo abrigos citados pelos próprios moradores. A ideia central é reduzir o isolamento e permitir que ex-moradores de rua reconstruam vínculos em um ambiente estável.

Casas de 51 m² têm estrutura pensada para rotina diária

As casas da comunidade têm aproximadamente 550 pés quadrados, o equivalente a cerca de 51 m². Segundo a FOX 4, as unidades incluem cozinha completa, sala de estar, quarto, lavadora e secadora, criando um espaço mais próximo de uma moradia definitiva do que de um abrigo temporário.

Essa estrutura é importante porque muitos moradores de rua com problemas de saúde enfrentam dificuldade para manter medicação, alimentação regular e consultas. Em um ambiente fixo, com casa e apoio próximo, a rotina pode se tornar menos instável.

A moradia foi pensada para pessoas em situação de alto risco, incluindo quem convive com doenças graves, deficiência cognitiva ou limitações físicas. A comunidade também foi projetada com acessibilidade, incluindo rampas em casas pequenas mostradas pela reportagem da KERA.

Além das unidades residenciais, o bairro conta com um clube onde moradores e funcionários se reúnem para refeições e convivência. De acordo com a fonte, os residentes compartilham três refeições diárias, o que reforça a proposta de comunidade e acompanhamento contínuo.

Terreno de 280 acres inclui lagoas, silêncio e vida em comunidade

Moradores de rua no Texas chegam a Ferris em casas de 51 m² da OurCalling, com apoio e refeições diárias.
Imagem: Reprodução/FOX 4 Dallas-Fort Worth.

O terreno onde a comunidade está sendo implantada tem 280 acres e fica em Ferris, no condado de Ellis. Segundo Wayne Walker, CEO da OurCalling, a propriedade inclui mais de 20 acres de lagoas, além de áreas abertas com árvores, grama e vento no campo.

A descrição contrasta com a realidade de quem vivia em abrigos, ruas ou debaixo de pontes. Em vez de trânsito, sirenes e insegurança, o projeto tenta oferecer silêncio, espaço e previsibilidade.

Esse cenário foi chamado por Walker de “santuário” na reportagem da KERA. A palavra aparece associada ao objetivo de criar um local onde pessoas vulneráveis possam sair do modo de sobrevivência e reconstruir hábitos básicos, como dormir, comer e conviver.

Ainda assim, o projeto não é apresentado como solução pública ampla para todos os moradores de rua. Ele tem foco específico em pessoas com necessidade de cuidados de longo prazo, especialmente aquelas que enfrentam maior vulnerabilidade física, cognitiva ou de saúde.

OurCalling planeja ampliar estrutura com clínica, capela, café e lavanderia

Moradores de rua no Texas chegam a Ferris em casas de 51 m² da OurCalling, com apoio e refeições diárias.
Imagem: Reprodução/FOX 4 Dallas-Fort Worth.

A segunda fase do projeto prevê a construção de dois novos bairros e de um centro com serviços adicionais. Segundo a KERA, esse espaço deve incluir clínica médica, café, lavanderia, capela e cafeteria, entre outros apoios para os residentes.

A construção dessa etapa ainda depende de recursos. A OurCalling informou que busca arrecadar US$ 25 milhões para a segunda fase, e as obras devem começar quando o financiamento for obtido.

A presença de uma clínica médica futura é um ponto importante da proposta, já que parte dos moradores atendidos precisa de acompanhamento de saúde. A FOX 4 também informou que cuidados médicos estarão disponíveis no local dentro do plano de expansão.

Segundo a FOX 4, o projeto prevê chegar a 500 casas no futuro. A informação amplia a dimensão da iniciativa, mas também mostra que a comunidade ainda está em fase inicial, com 25 casas já inauguradas até as reportagens publicadas em março de 2026.

Residentes missionários ajudam na adaptação dos novos moradores

Além dos moradores atendidos, a comunidade conta com residentes missionários que vivem no local para ajudar nas atividades diárias e no apoio espiritual. A proposta tem ligação com a atuação da OurCalling, organização de base religiosa voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua.

Broderick Ellison, diácono citado pela KERA, mudou-se para a comunidade e relatou observar a adaptação de pessoas que não tinham uma moradia permanente havia anos. Para ele, o trabalho missionário também pode acontecer dentro da própria cidade, perto de quem vive em vulnerabilidade.

Essa presença permanente diferencia o projeto de uma entrega simples de moradias. A intenção é que os moradores tenham pessoas por perto para ajudar na transição, na convivência e nas necessidades cotidianas.

Ao mesmo tempo, a iniciativa levanta uma discussão relevante: como equilibrar apoio social, moradia permanente, saúde e autonomia para pessoas que viveram anos em instabilidade? A comunidade planejada tenta responder a essa pergunta por meio de convivência, estrutura e acompanhamento.

Projeto mostra lacuna entre moradia independente e cuidado assistido

Wayne Walker afirmou à KERA que a comunidade busca preencher uma lacuna entre apartamentos independentes e casas de repouso. Segundo ele, há pessoas que não precisam necessariamente de uma instituição tradicional, mas também não conseguem viver completamente sozinhas sem suporte.

Essa lacuna é especialmente sensível para moradores de rua idosos, doentes ou com deficiência. Sem apoio adequado, muitos acabam circulando entre rua, abrigo, hospital e serviços emergenciais, sem estabilidade suficiente para recuperar rotina e saúde.

O modelo em Ferris tenta oferecer uma resposta de longo prazo, não apenas acolhimento emergencial. Por isso, a proposta envolve casa, vizinhança, alimentação, apoio diário e serviços planejados para o futuro.

A experiência ainda está em desenvolvimento e depende de expansão, financiamento e acompanhamento dos resultados. Mesmo assim, as primeiras casas já mostram uma tentativa concreta de mudar a lógica do atendimento a pessoas que passaram anos sem moradia permanente.

Recomeço com endereço fixo também abre debate social

O caso do Texas chama atenção porque transforma uma questão geralmente tratada como emergência em uma proposta de comunidade permanente. Para os residentes, sair de abrigos ou ruas e chegar a uma casa com cozinha, sala, lavanderia e refeições diárias muda a forma de viver o cotidiano.

Mas o projeto também abre uma discussão maior sobre responsabilidade social, financiamento privado, políticas públicas e modelos de moradia assistida. Quando uma comunidade planejada consegue acolher moradores de rua com alto risco de vulnerabilidade, surge a pergunta sobre como esse tipo de solução poderia ser ampliado.

A OurCalling aposta em doações privadas e em uma estrutura com forte presença comunitária. Já os relatos dos moradores indicam que a principal mudança sentida está nas coisas básicas: dormir melhor, comer com regularidade, ter vizinhos por perto e não viver em alerta constante.

E você, acredita que comunidades planejadas como essa poderiam funcionar em outras regiões ou o caminho ideal deveria ser outro? Deixe sua opinião nos comentários e conte que tipo de solução parece mais realista para enfrentar a falta de moradia com dignidade.

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Carla Teles

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