X-59 completa primeiro voo acima da velocidade do som e avança em missão da NASA para desenvolver voos supersônicos mais silenciosos.
O programa que pretende transformar o futuro da aviação supersônica alcançou um novo passo na sexta-feira (5). Durante um voo de testes realizado na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, o X-59 ultrapassou a velocidade do som pela primeira vez. Desenvolvida pela NASA dentro da missão Quesst, a aeronave experimental foi criada para investigar formas de reduzir o impacto sonoro normalmente associado aos voos supersônicos, abrindo caminho para possíveis mudanças nas regras que hoje limitam esse tipo de operação sobre áreas terrestres.
De acordo com o Olhar Digital, a missão foi conduzida pelo piloto de testes Jim “Clue” Less e teve duração de 81 minutos. Ao longo da operação, o avião alcançou aproximadamente Mach 1,1, equivalente a cerca de 1,1 vez a velocidade do som, atingindo 713 mph (1.147 km/h) e uma altitude de 43.400 pés, ou 13.228 metros.
O que representa o primeiro voo supersônico do X-59?
O resultado obtido pela aeronave marca uma etapa importante do projeto iniciado pela NASA para desenvolver uma nova geração de aviões capazes de voar mais rápido que o som sem produzir os tradicionais estrondos sônicos.
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O teste aconteceu mais de seis meses após o voo inaugural do modelo, realizado em 28 de outubro de 2025. Desde então, a equipe responsável vem ampliando gradualmente as avaliações para verificar o comportamento da aeronave em diferentes condições de operação.
Segundo a NASA, o objetivo principal é entender se é possível substituir o forte impacto sonoro dos aviões supersônicos convencionais por um ruído significativamente mais discreto.
Próximas etapas da missão X-59 já estão definidas
O avanço obtido nesta semana não encerra a campanha de testes. Pelo contrário, a NASA informou que novas avaliações estão programadas para os próximos dias.
A expectativa é realizar o primeiro voo em condições operacionais completas da missão. Nessa fase, o X-59 deverá atingir parâmetros ainda mais elevados:
- Velocidade máxima de Mach 1,4;
- Altitude próxima de 55 mil pés;
- Aproximadamente 16.764 metros de altura.
Esses números servirão como referência para as próximas atividades previstas no programa.

Comunidades dos Estados Unidos terão papel fundamental
Depois da validação dos voos em velocidade supersônica, a aeronave deverá iniciar uma etapa considerada essencial para o futuro do projeto.
O plano da NASA prevê sobrevoos em diferentes comunidades norte-americanas para avaliar a percepção das pessoas em relação ao som produzido pelo avião.
De acordo com a agência, o ruído gerado pelo X-59 foi projetado para ser percebido como um “thump”, termo utilizado para descrever um som mais suave e menos impactante do que os estrondos tradicionalmente associados aos voos supersônicos.
As informações coletadas durante essa fase serão utilizadas para entender como a população reage à tecnologia desenvolvida pelo programa.
Dados poderão influenciar futuras regras da aviação
Os resultados obtidos durante os testes não ficarão restritos à NASA. A agência informou que os dados serão compartilhados com órgãos reguladores dos Estados Unidos e também de outros países.
A intenção é fornecer informações reais sobre os níveis de ruído produzidos por aeronaves supersônicas modernas.
Caso os resultados sejam considerados positivos, os estudos poderão contribuir para a elaboração de novos critérios regulatórios relacionados ao setor.

Essa discussão ganhou relevância porque, em 1973, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) proibiu voos supersônicos sobre áreas terrestres. A medida foi adotada devido aos impactos provocados pelos estrondos sônicos em pessoas e propriedades.
Projeto reúne NASA e indústria aeroespacial
O X-59 é a principal aeronave da missão Quesst, sigla para Quiet Supersonic Technology. O modelo foi construído pela Lockheed Martin Skunk Works e apresenta uma configuração desenvolvida especificamente para reduzir o impacto acústico durante voos acima da velocidade do som.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, Michael Kratsios, assistente do presidente dos Estados Unidos para ciência e tecnologia e diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica do país, afirmou que o primeiro voo supersônico do X-59 demonstra a capacidade norte-americana em áreas como ciência, engenharia e inovação aeroespacial.
Outro integrante do projeto que comentou o avanço foi o administrador da NASA, Jared Isaacman. Segundo ele, a evolução dos testes ocorreu de forma acelerada após o primeiro voo da aeronave.
Isaacman informou que o programa registrou 16 voos nos últimos 90 dias, mantendo um cronograma consistente de avaliações. O dirigente também agradeceu às equipes da NASA e da Lockheed Martin Skunk Works pelo trabalho desenvolvido até agora e declarou esperar que essa parceria seja apenas o início de futuras colaborações envolvendo aeronaves experimentais da agência.
Com a primeira barreira supersônica superada, o X-59 entra agora em uma nova fase de testes que poderá fornecer informações importantes para o desenvolvimento de futuras operações comerciais acima da velocidade do som sobre áreas terrestres.
Fonte: Olhar Digital


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