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NASA quebra a barreira do som com o X-59 pela primeira vez: jato atinge Mach 1,1, 713 mph e 43,4 mil pés com tecnologia criada para eliminar os estrondos supersônicos

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 08/06/2026 às 19:51
Atualizado em 08/06/2026 às 19:57
Assista o vídeoX-59 completa primeiro voo acima da velocidade do som e avança em missão da NASA para desenvolver voos supersônicos mais silenciosos.
X-59 completa primeiro voo acima da velocidade do som e avança em missão da NASA para desenvolver voos supersônicos mais silenciosos. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)
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X-59 completa primeiro voo acima da velocidade do som e avança em missão da NASA para desenvolver voos supersônicos mais silenciosos.

O programa que pretende transformar o futuro da aviação supersônica alcançou um novo passo na sexta-feira (5). Durante um voo de testes realizado na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, o X-59 ultrapassou a velocidade do som pela primeira vez. Desenvolvida pela NASA dentro da missão Quesst, a aeronave experimental foi criada para investigar formas de reduzir o impacto sonoro normalmente associado aos voos supersônicos, abrindo caminho para possíveis mudanças nas regras que hoje limitam esse tipo de operação sobre áreas terrestres.

De acordo com o Olhar Digital, a missão foi conduzida pelo piloto de testes Jim “Clue” Less e teve duração de 81 minutos. Ao longo da operação, o avião alcançou aproximadamente Mach 1,1, equivalente a cerca de 1,1 vez a velocidade do som, atingindo 713 mph (1.147 km/h) e uma altitude de 43.400 pés, ou 13.228 metros.

O que representa o primeiro voo supersônico do X-59?

O resultado obtido pela aeronave marca uma etapa importante do projeto iniciado pela NASA para desenvolver uma nova geração de aviões capazes de voar mais rápido que o som sem produzir os tradicionais estrondos sônicos.

O teste aconteceu mais de seis meses após o voo inaugural do modelo, realizado em 28 de outubro de 2025. Desde então, a equipe responsável vem ampliando gradualmente as avaliações para verificar o comportamento da aeronave em diferentes condições de operação.

Segundo a NASA, o objetivo principal é entender se é possível substituir o forte impacto sonoro dos aviões supersônicos convencionais por um ruído significativamente mais discreto.

Próximas etapas da missão X-59 já estão definidas

O avanço obtido nesta semana não encerra a campanha de testes. Pelo contrário, a NASA informou que novas avaliações estão programadas para os próximos dias.

A expectativa é realizar o primeiro voo em condições operacionais completas da missão. Nessa fase, o X-59 deverá atingir parâmetros ainda mais elevados:

  • Velocidade máxima de Mach 1,4;
  • Altitude próxima de 55 mil pés;
  • Aproximadamente 16.764 metros de altura.

Esses números servirão como referência para as próximas atividades previstas no programa.

Em seu primeiro voo supersônico, o X-59 alcançou Mach 1,077 em 5 de junho de 2026. O feito foi registrado pelo sistema de visão externa da aeronave experimental da NASA, desenvolvida no âmbito da missão Quesst. Imagem: NASA.
Em seu primeiro voo supersônico, o X-59 alcançou Mach 1,077 em 5 de junho de 2026. O feito foi registrado pelo sistema de visão externa da aeronave experimental da NASA, desenvolvida no âmbito da missão Quesst. Imagem: NASA.

Comunidades dos Estados Unidos terão papel fundamental

Depois da validação dos voos em velocidade supersônica, a aeronave deverá iniciar uma etapa considerada essencial para o futuro do projeto.

O plano da NASA prevê sobrevoos em diferentes comunidades norte-americanas para avaliar a percepção das pessoas em relação ao som produzido pelo avião.

De acordo com a agência, o ruído gerado pelo X-59 foi projetado para ser percebido como um “thump”, termo utilizado para descrever um som mais suave e menos impactante do que os estrondos tradicionalmente associados aos voos supersônicos.

As informações coletadas durante essa fase serão utilizadas para entender como a população reage à tecnologia desenvolvida pelo programa.

Dados poderão influenciar futuras regras da aviação

Os resultados obtidos durante os testes não ficarão restritos à NASA. A agência informou que os dados serão compartilhados com órgãos reguladores dos Estados Unidos e também de outros países.

A intenção é fornecer informações reais sobre os níveis de ruído produzidos por aeronaves supersônicas modernas.

Caso os resultados sejam considerados positivos, os estudos poderão contribuir para a elaboração de novos critérios regulatórios relacionados ao setor.

X-59 completa primeiro voo acima da velocidade do som e avança em missão da NASA para desenvolver voos supersônicos mais silenciosos.
X-59 completa primeiro voo acima da velocidade do som e avança em missão da NASA para desenvolver voos supersônicos mais silenciosos. Fonte: NASA.

Essa discussão ganhou relevância porque, em 1973, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) proibiu voos supersônicos sobre áreas terrestres. A medida foi adotada devido aos impactos provocados pelos estrondos sônicos em pessoas e propriedades.

Projeto reúne NASA e indústria aeroespacial

O X-59 é a principal aeronave da missão Quesst, sigla para Quiet Supersonic Technology. O modelo foi construído pela Lockheed Martin Skunk Works e apresenta uma configuração desenvolvida especificamente para reduzir o impacto acústico durante voos acima da velocidade do som.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, Michael Kratsios, assistente do presidente dos Estados Unidos para ciência e tecnologia e diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica do país, afirmou que o primeiro voo supersônico do X-59 demonstra a capacidade norte-americana em áreas como ciência, engenharia e inovação aeroespacial.

Outro integrante do projeto que comentou o avanço foi o administrador da NASA, Jared Isaacman. Segundo ele, a evolução dos testes ocorreu de forma acelerada após o primeiro voo da aeronave.

Isaacman informou que o programa registrou 16 voos nos últimos 90 dias, mantendo um cronograma consistente de avaliações. O dirigente também agradeceu às equipes da NASA e da Lockheed Martin Skunk Works pelo trabalho desenvolvido até agora e declarou esperar que essa parceria seja apenas o início de futuras colaborações envolvendo aeronaves experimentais da agência.

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Com a primeira barreira supersônica superada, o X-59 entra agora em uma nova fase de testes que poderá fornecer informações importantes para o desenvolvimento de futuras operações comerciais acima da velocidade do som sobre áreas terrestres.

Fonte: Olhar Digital

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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