Descoberta feita na cratera Gale revela compostos preservados há bilhões de anos e amplia o entendimento científico sobre o passado de Marte
Uma descoberta científica relevante foi registrada em Marte e, ao mesmo tempo, reforça o debate sobre a habitabilidade do planeta vermelho.
Além disso, o rover Curiosity, da NASA, identificou mais de 20 moléculas orgânicas no solo marciano, conforme resultados divulgados em 21 de janeiro na revista Nature Communications
Esses compostos são considerados fundamentais, pois, por um lado, estão ligados à origem da vida na Terra e, por outro, indicam que Marte possuía condições ambientais favoráveis no passado.
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Assim, embora a descoberta não confirme vida, ela aponta que os ingredientes essenciais para sua existência estavam presentes.
Descoberta reforça condições ambientais favoráveis em Marte
Primeiramente, o experimento químico inédito foi conduzido em 2020, na região de Glen Torridon, dentro da cratera Gale.
Nesse sentido, os dados coletados mostram que a superfície marciana pode preservar compostos orgânicos ao longo de bilhões de anos.
Além disso, essas substâncias foram encontradas em arenitos ricos em argila, com idade estimada em cerca de 3,5 bilhões de anos.
Portanto, esse tipo de ambiente é considerado ideal para conservar matéria orgânica, mesmo diante de radiação e transformações geológicas.
Investigação revela moléculas ligadas à base da vida
Entre os compostos identificados, o Curiosity detectou heterociclos de nitrogênio, que são fundamentais para a formação de DNA e RNA.
Além disso, foi identificada uma molécula nitrogenada com estrutura semelhante a precursores do DNA, algo inédito em Marte.
Também foi encontrado benzotiofeno, uma substância com enxofre e estrutura em dois anéis, frequentemente associada à chegada de meteoritos.
Assim, conforme a Universidade da Flórida, essas substâncias podem ter origem tanto interna quanto externa ao planeta.
Origem dos compostos ainda gera debate científico
No entanto, apesar da relevância dos dados, o experimento não consegue diferenciar a origem das moléculas.
Dessa forma, os cientistas avaliam que os compostos podem ter sido gerados por processos abióticos, sem a presença de vida.
Além disso, existe a possibilidade de que tenham sido trazidos por meteoritos, o que amplia o campo de investigação.
Por isso, para confirmar qualquer evidência biológica, seria necessário analisar amostras diretamente na Terra.
Missão Curiosity investiga Marte desde 2012
O rover Curiosity foi lançado em 2011 e pousou em Marte em 2012, como parte da missão Mars Science Laboratory, liderada pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.
Desde então, o robô tem como objetivo responder se Marte já apresentou condições para sustentar vida microbiana.
Até agora, foram identificadas evidências químicas e minerais de ambientes habitáveis no passado, reforçando o papel da missão.
Importância da matéria orgânica para a ciência
Segundo Amy Williams, cientista da missão e professora da Universidade da Flórida, a presença de matéria orgânica preservada é essencial para avaliar a habitabilidade.
Além disso, ela destaca que esses compostos mostram que é possível encontrar carbono orgânico antigo em Marte.
Assim, a descoberta fortalece as investigações científicas, mesmo sem confirmar a existência de vida.
Marte já teve vida?
Por fim, embora os dados indiquem que Marte possuía os elementos necessários para a vida, não há confirmação de organismos vivos no passado.
Ainda assim, as amostras foram coletadas em áreas que indicam antigos lagos e rios, ambientes considerados ideais para sustentar vida.
Portanto, diante dessas evidências científicas, surge uma questão central: se Marte teve os ingredientes certos, por que ainda não encontramos sinais diretos de vida no planeta?
