Estrutura conhecida como Camp Century foi construída entre 1959 e 1960, desativada em 1967 e pode perder cobertura de gelo a partir de 2090, segundo estudo citado pela Popular Mechanics
Uma descoberta histórica de grande relevância científica e estratégica voltou ao centro do debate internacional em abril de 2024.
A NASA identificou, sob aproximadamente 30 metros de gelo na Groenlândia, a antiga base militar Camp Century, que os Estados Unidos ergueram durante a Guerra Fria.
O Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos construiu a estrutura subterrânea entre junho de 1959 e outubro de 1960, conforme relatou o portal Interesting Engineering.
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Em 1967, o governo norte-americano encerrou as atividades no local e abandonou o complexo sob o gelo.

Tecnologia de radar revela cidade subterrânea esquecida
A equipe realizava o mapeamento do leito do gelo quando encontrou a estrutura inesperada.
Segundo o glaciólogo Chad Greene, da NASA, as imagens de radar mostraram formações que não correspondiam apenas ao relevo natural.
Para investigar melhor, a agência utilizou o radar de abertura sintética UAVSAR, tecnologia que emprega ondas de rádio para identificar estruturas ocultas.
Alex Gardner, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, explicou à Popular Mechanics que a descoberta ocorreu por acaso.
No início, os pesquisadores não conseguiram identificar o que aparecia nas imagens.
Contexto militar e acordo da OTAN
Os Estados Unidos iniciaram o projeto após o Acordo de Defesa da Groenlândia de 1951, firmado com a Dinamarca no contexto da OTAN.
Conforme o Museu Nacional de Ciência e História Nuclear dos Estados Unidos, o tratado autorizou o uso de instalações na ilha para proteger países aliados.
A base, conhecida como “cidade sob o gelo”, contava com 21 túneis subterrâneos que somavam quase três quilômetros de extensão.
O corredor principal, chamado Main Street, alcançava cerca de 300 metros.
No início da década de 1960, os militares instalaram o reator nuclear PM-2A para gerar energia e aquecer o complexo.
Projeto Iceworm e estratégia nuclear secreta
Embora os pesquisadores tenham conduzido estudos geológicos no local, o governo norte-americano planejava algo mais ambicioso.
Em 1997, o Instituto Dinamarquês de Assuntos Internacionais divulgou relatório que revelou o verdadeiro objetivo do projeto.
Os Estados Unidos pretendiam implementar o Projeto Iceworm e armazenar até 600 mísseis balísticos sob o gelo da Groenlândia.
O plano também incluía 60 centros de lançamento e estrutura para abrigar até 11.000 militares, segundo o Interesting Engineering.
Diante de desafios técnicos e estratégicos, o governo desistiu da implementação.
Encerramento e resíduos nucleares sob o gelo
Após abandonar o plano, o governo dos Estados Unidos fechou definitivamente a base em 1967.
Mesmo assim, o reator PM-2A deixou resíduos no local.
De acordo com o Museu Nacional de Ciência e História Nuclear, mais de 177.000 litros de resíduos nucleares permaneceram sob o gelo.
Risco futuro diante das mudanças climáticas
Atualmente, cientistas monitoram os possíveis impactos do aquecimento global na região.
Segundo estudo citado pela Popular Mechanics, o gelo que cobre a base pode começar a diminuir a partir de 2090.
William Colgan, pesquisador da Universidade de York, em Toronto, afirmou ao The Guardian que, nos anos 1960, ninguém considerava o aquecimento global como fator relevante.
Hoje, no entanto, o cenário climático mudou significativamente.
Diante disso, surge a dúvida central: o degelo poderá expor estruturas e resíduos que permaneceram ocultos por mais de meio século?

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