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Sob o silêncio do gelo da Groenlândia, a NASA detecta complexo militar da Guerra Fria com 21 túneis, reator nuclear e projeto Iceworm para 600 mísseis, levantando a pergunta que intriga cientistas: o degelo pode trazer tudo isso de volta à superfície?

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 03/03/2026 às 14:29
Base militar Camp Century sob o gelo da Groenlândia com túneis subterrâneos, estrutura industrial e reator nuclear da Guerra Fria identificados pela NASA.
Estrutura subterrânea da Camp Century, construída pelos Estados Unidos entre 1959 e 1960, reaparece em registros recentes da NASA sob o gelo da Groenlândia.
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A NASA identificou, sob aproximadamente 30 metros de gelo na Groenlândia, a antiga base militar Camp Century, que os Estados Unidos ergueram durante a Guerra Fria.

O Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos construiu a estrutura subterrânea entre junho de 1959 e outubro de 1960, conforme relatou o portal Interesting Engineering.

Em 1967, o governo norte-americano encerrou as atividades no local e abandonou o complexo sob o gelo.

©The Daily Digest

Tecnologia de radar revela cidade subterrânea esquecida

A equipe realizava o mapeamento do leito do gelo quando encontrou a estrutura inesperada.

Segundo o glaciólogo Chad Greene, da NASA, as imagens de radar mostraram formações que não correspondiam apenas ao relevo natural.

Para investigar melhor, a agência utilizou o radar de abertura sintética UAVSAR, tecnologia que emprega ondas de rádio para identificar estruturas ocultas.

Alex Gardner, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, explicou à Popular Mechanics que a descoberta ocorreu por acaso.

No início, os pesquisadores não conseguiram identificar o que aparecia nas imagens.

Contexto militar e acordo da OTAN

Os Estados Unidos iniciaram o projeto após o Acordo de Defesa da Groenlândia de 1951, firmado com a Dinamarca no contexto da OTAN.

Conforme o Museu Nacional de Ciência e História Nuclear dos Estados Unidos, o tratado autorizou o uso de instalações na ilha para proteger países aliados.

A base, conhecida como “cidade sob o gelo”, contava com 21 túneis subterrâneos que somavam quase três quilômetros de extensão.

O corredor principal, chamado Main Street, alcançava cerca de 300 metros.

No início da década de 1960, os militares instalaram o reator nuclear PM-2A para gerar energia e aquecer o complexo.

Projeto Iceworm e estratégia nuclear secreta

Embora os pesquisadores tenham conduzido estudos geológicos no local, o governo norte-americano planejava algo mais ambicioso.

Em 1997, o Instituto Dinamarquês de Assuntos Internacionais divulgou relatório que revelou o verdadeiro objetivo do projeto.

Os Estados Unidos pretendiam implementar o Projeto Iceworm e armazenar até 600 mísseis balísticos sob o gelo da Groenlândia.

O plano também incluía 60 centros de lançamento e estrutura para abrigar até 11.000 militares, segundo o Interesting Engineering.

Diante de desafios técnicos e estratégicos, o governo desistiu da implementação.

Encerramento e resíduos nucleares sob o gelo

Após abandonar o plano, o governo dos Estados Unidos fechou definitivamente a base em 1967.

Mesmo assim, o reator PM-2A deixou resíduos no local.

De acordo com o Museu Nacional de Ciência e História Nuclear, mais de 177.000 litros de resíduos nucleares permaneceram sob o gelo.

Risco futuro diante das mudanças climáticas

Atualmente, cientistas monitoram os possíveis impactos do aquecimento global na região.

Segundo estudo citado pela Popular Mechanics, o gelo que cobre a base pode começar a diminuir a partir de 2090.

William Colgan, pesquisador da Universidade de York, em Toronto, afirmou ao The Guardian que, nos anos 1960, ninguém considerava o aquecimento global como fator relevante.

Hoje, no entanto, o cenário climático mudou significativamente.

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