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NanoGripper: robôs de DNA do tamanho de uma célula dobram dedos, agarram a proteína do COVID e travam a infecção; reprogramáveis, podem buscar células de câncer e entregar remédio no tumor

Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/04/2026 às 19:00
Atualizado em 09/04/2026 às 19:02
Assista o vídeoNanoGripper robôs de DNA do tamanho de uma célula dobram dedos, agarram a proteína do COVID e travam a infecção; reprogramáveis, podem buscar células de câncer (1)
NanoGripper usa DNA origami: robôs de DNA agarram a proteína spike do COVID-19 e podem ser reprogramados.
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Em 2026, robôs de DNA feitos por DNA origami mostram dedos programáveis que reconhecem alvos como a proteína spike, e podem ser reprogramados para vírus e até para terapia em câncer.

Imagine um robô tão pequeno que cabe dentro de uma célula do seu corpo. Em 2026, robôs de DNA com formato de “mão” e dedos articulados aparecem como uma tecnologia real de laboratório, construída a partir de uma única fita de DNA dobrada, como um origami molecular.

A proposta vai além de “ver” o vírus. A ideia é agarrar um alvo específico, como a proteína spike do COVID-19, e bloquear fisicamente a entrada nas células. E, no mesmo caminho, esses sistemas podem ser programados para buscar células de câncer e entregar medicamentos diretamente no tumor, sempre dentro do que a base descreve como testes e demonstrações em ambiente controlado.

O que são robôs de DNA e por que o DNA vira “material de engenharia”

Quando se fala em robô, muita gente imagina metal, motores e peças rígidas. Robôs de DNA são outra categoria: máquinas construídas com moléculas de DNA usadas como material estrutural, não como “informação genética”.

O ponto-chave é a programabilidade. Sequências de DNA podem ser desenhadas para se dobrar de um jeito específico, encaixar em alvos específicos e executar funções específicas, o que transforma o DNA em um tipo de “material montável” em escala nanométrica.

DNA origami: dobrar uma fita de DNA até virar uma estrutura funcional

A técnica citada na base é DNA origami. A lógica é parecida com origami tradicional, mas no lugar do papel há uma fita longa de DNA que é dobrada e redobrada até formar uma estrutura tridimensional.

Esse método permite criar partes fixas e móveis na mesma construção. O resultado é uma peça única com “mecânica” embutida, sem precisar montar várias peças separadas como na engenharia tradicional.

NanoGripper: a “mão” de quatro dedos com três articulações

NanoGripper usa DNA origami: robôs de DNA agarram a proteína spike do COVID-19 e podem ser reprogramados.

A estrutura mais destacada é o NanoGripper, descrito como uma mão nanoscópica com palma e quatro dedos. Cada dedo tem três articulações, em um desenho que lembra uma mão humana em miniatura.

Segundo a base, o NanoGripper foi desenvolvido por uma equipe liderada pelo professor Ting Wang, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e publicado na Science Robotics.

A construção usa uma única fita de DNA dobrada para formar partes fixas e móveis em uma etapa, o que chama atenção pelo nível de controle de forma e função.

Como o NanoGripper “reconhece” o vírus e bloqueia a infecção

O mecanismo descrito envolve regiões chamadas aptâmeros de DNA, programadas para reconhecer alvos moleculares específicos. No primeiro teste citado, o alvo foi a proteína spike do vírus da COVID-19.

Quando o NanoGripper encontra o alvo, os aptâmeros ativam o fechamento dos dedos. A mão se dobra e “agarra” a spike, bloqueando a entrada do vírus na célula.

A base ainda compara a sensibilidade de detecção ao que se vê em testes PCR, no sentido de reconhecer o alvo em nível molecular, dentro do contexto de laboratório.

Reprogramável: do COVID para gripe, HIV e hepatite

Um ponto forte do conceito é a possibilidade de reprogramação. A base afirma que, ao trocar os aptâmeros, o mesmo NanoGripper pode mirar outros alvos, citando gripe, HIV e hepatite B como exemplos.

Isso não significa um produto pronto para uso clínico imediato. Significa que a arquitetura do robô pode ser redesenhada para “encaixar” em alvos diferentes, mantendo o mesmo corpo básico.

Robôs de DNA “maquinários” e “computacionais”: duas categorias citadas em 2026

A base menciona uma revisão publicada em março de 2026 por um instituto de tecnologia na China, na revista Smartbot, que organiza os robôs de DNA em duas categorias.

A primeira são robôs DNA maquinários, que executam ações com base em interações físico-químicas pré-programadas, como “encontrou tal molécula, faz tal coisa”.

A segunda são robôs DNA computacionais. Aqui, a base descreve o uso de portas lógicas feitas de DNA, permitindo processar informação, avaliar condições e decidir se devem agir.

A combinação de “processamento” e “ação” é apresentada como uma fusão de computação molecular com engenharia molecular, com potencial para tarefas mais complexas.

Aplicação em câncer: entregar remédio direto no tumor

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Além de vírus, a base cita um cenário de uso em câncer: robôs de DNA capazes de navegar, encontrar uma célula doente, avaliar se é alvo e entregar medicamento diretamente nela, com a promessa de reduzir dano às células saudáveis ao redor.

Esse trecho deve ser lido como visão e direção de pesquisa, não como terapia disponível. O texto base enfatiza que o foco ainda está em pesquisa e desenvolvimento, apontando para um futuro possível.

Os obstáculos no corpo humano: enzimas, sistema imune e estabilidade

A base também destaca que há desafios grandes para sair do laboratório e funcionar no corpo humano. O ambiente biológico é descrito como caótico: há enzimas que podem degradar DNA, células imunológicas que podem atacar as estruturas e fluidos que podem desestabilizar a forma do robô.

Por isso, fazer esses robôs sobreviverem tempo suficiente para completar uma missão é apontado como um dos maiores desafios. Ainda assim, a direção indicada é a de tratamentos cada vez mais “na fonte”, com menos efeito colateral e mais precisão.

Você deixaria robôs de DNA atuarem no seu corpo para neutralizar vírus ou entregar remédio no tumor, ou preferiria esperar mais evidências antes de confiar nessa tecnologia?

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Carla Teles

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