1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Na madrugada de 28 de agosto, o Brasil inteiro poderá ver a Lua quase desaparecer no céu: eclipse parcial vai cobrir 93% do disco lunar e transformar a Lua cheia em uma meia-esfera escura, no fenômeno mais perto da totalidade visível no país até os eclipses totais de 2029
1 comentário 8 min de leitura

Na madrugada de 28 de agosto, o Brasil inteiro poderá ver a Lua quase desaparecer no céu: eclipse parcial vai cobrir 93% do disco lunar e transformar a Lua cheia em uma meia-esfera escura, no fenômeno mais perto da totalidade visível no país até os eclipses totais de 2029

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 03/05/2026 às 19:44
Assista o vídeoNa madrugada de 28 de agosto, o Brasil inteiro poderá ver a Lua quase desaparecer no céu: eclipse parcial vai cobrir 93% do disco lunar e transformar a Lua cheia em uma meia-esfera escura, no fenômeno mais perto da totalidade visível no país até os eclipses totais de 2029
Eclipse lunar parcial de 28 de agosto de 2026 será visível em todo o Brasil
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
308 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Eclipse lunar parcial de 28 de agosto de 2026 será visível em todo o Brasil, com 93% da Lua na umbra e tom avermelhado.

Segundo o Observatório Nacional, na noite de 27 para 28 de agosto de 2026 ocorrerá um eclipse parcial da Lua visível em todo o território brasileiro, com 93% do disco lunar entrando na sombra escura da Terra, chamada de umbra. A astrônoma Dra. Josina Nascimento, do Observatório Nacional, descreveu o evento com precisão: “Esse eclipse será somente parcial, mas será quase total, pois 93% da Lua vai entrar na sombra escura da Terra.”

O diretor do Observatório do Valongo, Thiago Gonçalves, acrescentou que essa magnitude já deve ser suficiente para produzir o tom avermelhado característico dos eclipses totais. Isso ocorre porque a fração da Lua dentro da umbra será iluminada apenas pela luz filtrada pela atmosfera terrestre, adquirindo a cor que faz gerações de observadores chamarem o fenômeno de Lua de Sangue.

O evento deve durar da noite até a madrugada, entre 22h23 e 4h01 no horário de Brasília. A Lua ficará alta no céu durante boa parte do fenômeno, permitindo acompanhamento completo em todas as regiões do país. Nenhum equipamento especial, proteção para os olhos ou viagem será necessário.

Eclipse lunar parcial de 93% terá fases visíveis durante toda a noite no céu do Brasil

O eclipse lunar não é um evento instantâneo. É um processo que se desdobra ao longo de horas, com fases progressivas que qualquer observador pode acompanhar mesmo sem conhecimento técnico de astronomia. Basta olhar para a Lua em horários diferentes e perceber a mudança no brilho e na sombra.

Todo eclipse lunar total passa pelas fases penumbral, parcial, total, parcial e penumbral, nessa ordem. O eclipse de 28 de agosto será parcial, portanto não terá a fase total, mas percorrerá todas as outras. A fase penumbral é a mais sutil, quando a Lua entra na região de sombra mais fraca da Terra, chamada penumbra, e perde brilho levemente.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A fase parcial começa quando a borda da Lua entra na umbra, a sombra escura da Terra. Nesse momento, uma “mordida” escura aparece no disco lunar e cresce progressivamente até cobrir 93% da superfície visível. É a partir dessa etapa que o eclipse se torna claramente perceptível a olho nu.

No pico do eclipse, a Lua terá 93% do disco na umbra e apenas 7% ainda iluminado diretamente

No pico do eclipse, 93% da Lua estará dentro da umbra. O que restará iluminado normalmente será apenas uma fatia de 7% do disco, brilhando com a luz prateada habitual, enquanto a maior parte da superfície lunar ficará mergulhada na sombra terrestre.

Essa porção de 93% não ficará completamente apagada. Ela será iluminada pela luz solar que atravessa a atmosfera da Terra, é desviada para dentro da sombra e chega à superfície lunar com tonalidade avermelhada ou alaranjada. É o mesmo princípio visual que torna os eclipses totais conhecidos como Lua de Sangue.

Numa fotografia de longa exposição, o contraste entre a fatia prateada e o disco avermelhado pode ser um dos pontos mais dramáticos do evento. Depois do pico, a Lua começa a sair da umbra, a mordida escura diminui, e o disco recupera seu brilho completo ao longo das horas seguintes.

Por que a Lua fica avermelhada quando entra na sombra escura da Terra durante um eclipse

A explicação da cor vermelha está na física atmosférica, a mesma que produz o tom alaranjado dos pores e nasceres do sol. Quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua durante um eclipse, ela bloqueia a luz solar direta, mas sua atmosfera continua permitindo a passagem de parte da luz.

Essa atmosfera funciona como um prisma circular ao redor do planeta. Ela refrata e dispersa a luz solar que passa tangencialmente pelos seus bordos, curvando principalmente os comprimentos de onda mais longos para dentro da sombra que, sem atmosfera, seria muito mais escura.

Fases da lua – ilustração

A dispersão de Rayleigh espalha preferencialmente os comprimentos de onda curtos, como azul e violeta. O que sobra para atravessar a atmosfera e alcançar a Lua são tons de vermelho e laranja. Durante um eclipse lunar, a Lua recebe a luz de todos os pores do sol e amanheceres da Terra ao mesmo tempo.

A intensidade do vermelho depende da atmosfera terrestre, poeira, vapor d’água e nuvens no dia do eclipse

A intensidade da cor vermelha varia de eclipse para eclipse. Ela depende de quanta poeira vulcânica, vapor d’água, nuvens e aerossóis estão presentes na atmosfera terrestre no momento em que a luz solar atravessa os bordos do planeta.

Após grandes erupções vulcânicas, que injetam aerossóis na estratosfera, a Lua pode ficar muito escura, às vezes quase preta. Em anos de atmosfera mais limpa, pode assumir tons de laranja vivo, vermelho-cobre ou marrom-avermelhado.

Agosto de 2026 não permite uma previsão precisa da cor final com grande antecedência. Nenhum modelo consegue antecipar exatamente a composição óptica da atmosfera meses antes. O tom real da Lua no pico do eclipse só será conhecido naquela noite.

Todo o Brasil verá o eclipse, mas o extremo oeste deve observar uma cobertura ligeiramente maior

A visibilidade varia conforme a localização no país, mas nenhuma região brasileira deve perder o evento. A diferença é que algumas áreas verão fases com intensidade um pouco maior do que outras, de acordo com a geometria orbital e o ângulo de observação.

No extremo oeste do Brasil, a Lua poderá chegar a cerca de 96% de obscurecimento, percentual ainda mais próximo da totalidade. Mesmo assim, o evento continuará sendo classificado como eclipse parcial, porque a Lua não passará pelo centro da sombra da Terra e uma fatia do disco permanecerá iluminada.

Para observadores no Acre ou no Amazonas ocidental, o eclipse parecerá ligeiramente mais profundo do que para observadores no Rio de Janeiro ou em Salvador. Ainda assim, o fenômeno será visível em todas as regiões, com a Lua alta no céu durante boa parte da noite.

Eclipse de agosto de 2026 será mais acessível no Brasil do que o eclipse lunar de março

O eclipse de agosto se destaca porque a geometria favorece o Brasil. Diferentemente do eclipse total de março de 2026, que ocorreu com a Lua muito baixa no horizonte brasileiro e já se pondo durante parte importante do fenômeno, o eclipse de agosto terá a Lua em posição mais confortável para observação.

Isso permite acompanhar a evolução do fenômeno do início ao fim, sem depender de horizonte totalmente livre ou condições muito específicas de localização. Em termos práticos, basta céu limpo e atenção aos horários.

Por isso, o eclipse de 28 de agosto é apontado como o evento astronômico mais acessível para observadores brasileiros em 2026. Ele não exige telescópio, binóculo, filtro, óculos especiais ou deslocamento para uma faixa estreita de visibilidade.

Próximo eclipse total visível no Brasil só deve ocorrer em junho de 2029

O próximo eclipse total da Lua visível no Brasil deverá ocorrer em 26 de junho de 2029. Isso significa que, depois do eclipse parcial de 93% de agosto de 2026, haverá um intervalo de quase três anos sem um espetáculo lunar comparável para observadores brasileiros.

Em 2027, os três eclipses lunares previstos serão penumbrais, praticamente imperceptíveis a olho nu. Em 2028, dois eclipses parciais ocorrerão, mas com magnitudes bem menores: um com menos de 3% e outro com menos de 33% de obscurecimento.

Em termos práticos, quem não observar o eclipse de 28 de agosto de 2026 terá de esperar até junho de 2029 para ver a Lua ficar completamente vermelha novamente do Brasil. A janela de 2026 é a última grande oportunidade antes de um intervalo longo sem evento lunar de impacto semelhante.

Eclipse lunar é diferente de eclipse solar porque pode ser visto por muito mais pessoas e sem proteção ocular

O eclipse solar, como o de 12 de agosto de 2026, que percorrerá o Ártico, a Islândia e a Espanha, exige deslocamento para uma faixa estreita de totalidade. Quem não estiver nessa faixa vê apenas uma fase parcial ou não vê nada relevante.

Além disso, eclipses solares exigem proteção ocular adequada, porque observar o Sol diretamente pode causar danos graves à retina. A totalidade dura poucos minutos e depende de localização precisa, céu limpo e equipamento correto.

O eclipse lunar funciona de forma oposta. Ele é visível de qualquer lugar do planeta onde a Lua esteja acima do horizonte, não exige proteção para os olhos, dura horas e permite acompanhamento progressivo. Para o observador casual, é um fenômeno muito mais acessível e seguro.

Como observar o eclipse lunar de 28 de agosto de 2026 e acompanhar a sombra da Terra na Lua

A preparação para observar o eclipse de agosto é mínima. O ideal é saber os horários, escolher um local com boa visibilidade do céu e acompanhar a Lua ao longo da noite, primeiro a leste e depois migrando em direção ao oeste conforme as horas passam.

Afastar-se de luzes artificiais melhora o contraste entre a parte iluminada e a porção mergulhada na sombra. Mesmo assim, o eclipse será visível em áreas urbanas, especialmente durante a fase parcial, quando a “mordida” da umbra ficará evidente no disco lunar.

Binóculos podem melhorar a experiência, mas não são obrigatórios. Eles revelam crateras na borda iluminada da Lua e tornam mais evidente a diferença entre a fatia prateada e a porção avermelhada dentro da sombra.

Como fotografar a Lua avermelhada com celular, câmera compacta ou teleobjetiva durante o eclipse

Para fotografia com celular, o recurso mais importante é o modo noturno ou de longa exposição, que permite ao sensor capturar a luz fraca da porção da Lua dentro da sombra. O ideal é apoiar o aparelho em uma superfície estável ou usar tripé para evitar tremores.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Câmeras compactas ou DSLR com teleobjetiva de pelo menos 200 mm permitem registrar o disco lunar com detalhe suficiente para mostrar a curvatura da sombra da Terra. Essa curvatura não é acidental: foi uma das evidências observacionais usadas desde a Antiguidade para demonstrar que a Terra é esférica.

Binóculos 7×50 ou 10×50, os mesmos usados para observação de aves ou navegação, também revelam detalhes interessantes. A diferença de cor entre a fatia prateada de 7% e o disco avermelhado de 93% deve ser o visual mais impressionante do eclipse.

O eclipse de 28 de agosto começa na noite de quinta-feira e se estende pela madrugada de sexta. A Lua estará alta no céu, não rastejando pelo horizonte, e 93% dela estará dentro da sombra da Terra, iluminada pela luz que passa pelos bordos do planeta e chega à superfície lunar tingida de vermelho.

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
MAYSA LAURA 9 anos
MAYSA LAURA 9 anos
04/05/2026 08:00

Amei agora sei sobre o eclipse mais que horas vai acontecer

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x