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Mulher é demitida por videochamada após trabalhar até o limite e pedir para dormir 8h de sono; caso levou pedido de pagar indenização de US$ 5 milhões em danos e expõe o preço de trabalhar jornadas extremas

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 26/02/2026 às 18:22
Wall Street bank settles with analyst who wanted eight hours’ sleepKathryn Shiber sued Centerview Partners, claiming she was sacked over mood and anxiety disorders that required her to have a full night’s rest
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O preço para dormir em Wall Street: Em Nova York funcionária é demitida por videochamada na Centerview após solicitar horário fixo para dormir. O processo pedia indenização de US$ 5 milhões em danos e reacende o debate sobre jornadas extremas no mercado financeiro.

O preço de dormir em Wall Street: Em Nova York onde virar a noite ainda é tratado como medalha de honra, uma história recente escancarou o custo real dessa cultura. Uma mulher é demitida por videochamada depois de informar à Centerview que precisava dormir de oito a nove horas por noite, em horário consistente, por orientação médica ligada a transtornos de humor e ansiedade. Meses depois, ela entrou na Justiça pedindo para a empresa pagar US$ 5 milhões em danos.

O caso não gira apenas em torno de uma demissão. Ele coloca em xeque o modelo de trabalho que transformou disponibilidade total em requisito informal, mas quase obrigatório, nas grandes casas de investimento.

A vaga dos sonhos que durou dez semanas

A profissional ingressou na Centerview Partners em 2020, logo após se formar em Dartmouth. Definiu a oportunidade como “um sonho”.

Poucas semanas depois da contratação, comunicou ao RH que tinha diagnóstico de transtornos de humor e ansiedade. A recomendação médica era simples: sono regular, entre meia-noite e 9h.

A empresa aceitou uma acomodação formal. A mulher ficaria indisponível nesse intervalo, mas trabalharia no restante do tempo, sete dias por semana.

Um mês depois, os gestores afirmaram que o arranjo não funcionava. Colegas passaram a absorver tarefas depois da meia-noite.

A firma declarou que precisou contratar um analista adicional, algo descrito como incomum em sua estrutura enxuta.

Em 15 de setembro de 2020, em uma chamada de vídeo, veio a decisão: desligamento. A mulher é demitida por videochamada sob o argumento de que deveria ter antecipado a imprevisibilidade do cargo antes de aceitá-lo. Ela havia trabalhado ali por exatas dez semanas.

A tese da Centerview: disponibilidade é função essencial

Durante anos, a Centerview sustentou que dormir uma noite inteira de forma ininterrupta era incompatível com “as funções essenciais do cargo de analista”.

Nos autos, afirmou ter feito “todos os esforços” para acomodar a profissional, mas considerou a situação insustentável.

O posicionamento público após o acordo foi cirúrgico:

“A Centerview sempre afirmou que as alegações legais da Sra. Shiber não têm fundamento. Estávamos prontos para provar isso no tribunal e confiantes de que teríamos vencido o julgamento. Mesmo assim, estamos felizes em deixar essa distração para trás.”

A mensagem era clara para a mulher: o modelo não estava em julgamento, ao menos não oficialmente.

A defesa: cultura ou necessidade real?

Do outro lado, a argumentação foi direta. Disponibilidade noturna permanente seria mais uma expectativa cultural do que uma exigência operacional.

Em tempos de equipes distribuídas, comunicação digital e fluxos de trabalho assíncronos, seria possível organizar demandas sem exigir vigília constante.

Um juiz federal considerou que havia “disputa genuína” suficiente para levar o caso a júri.

O julgamento, previsto para durar uma semana, começaria em uma segunda-feira. No domingo anterior, veio o anúncio: acordo fechado. Termos confidenciais. O pedido original previa que a empresa pudesse pagar US$ 5 milhões em danos.

Jornadas de 100 horas: o pano de fundo em Wall Street

O episódio não aconteceu isoladamente com essa mulher.

Em 2021, um slide deck de analistas do Goldman Sachs relatando jornadas de até 120 horas semanais viralizou e levou o banco a anunciar “fins de semana protegidos”, conforme noticiado pela Reuters.

Em 2024, a morte de um jovem banqueiro do Bank of America que relatava trabalhar mais de 100 horas por semana reacendeu o debate sobre excesso de trabalho no setor.

A causa oficial foi natural, mas o episódio gerou forte repercussão, segundo cobertura da Bloomberg e da CNBC.

Na sequência:

  • O JPMorgan anunciou limite de 80 horas semanais para analistas juniores, conforme divulgado pelo próprio banco e repercutido pelo Financial Times.
  • O Bank of America implementou uma plataforma interna para monitorar profissionais que se aproximam do teto de 100 horas.

A discussão deixou de ser apenas cultural. Tornou-se reputacional, jurídica e estratégica.

O que realmente está em jogo

A pergunta central não é se o mercado financeiro exige dedicação intensa. Exige.

A questão é outra: disponibilidade 24 horas é parte estrutural do negócio ou um hábito que nunca foi formalmente questionado?

Especialistas em direito trabalhista nos Estados Unidos costumam lembrar que a legislação federal, especialmente sob o Americans with Disabilities Act (ADA), exige que empregadores ofereçam “acomodação razoável” quando possível.

A Equal Employment Opportunity Commission (EEOC) reforça em suas diretrizes que ajustes devem ser analisados caso a caso.

Se dormir regularmente inviabiliza o cargo, isso precisa estar claramente documentado como função essencial. Caso contrário, abre-se espaço para questionamento judicial.

A demissão da mulher por videochamada e o símbolo que ficou

O fato de que a funcionária é demitida por videochamada adiciona uma camada simbólica à história. Em plena era de trabalho remoto, a tecnologia que ampliou a produtividade também passou a mediar desligamentos em ambientes de alta pressão.

O acordo fechado na véspera do julgamento levanta inevitáveis interpretações. Se a empresa afirmava estar confiante na vitória, por que recuar horas antes do júri?

Evitar exposição pública? Reduzir risco jurídico? Proteger a própria cultura interna?

Em Wall Street, sinais importam tanto quanto balanços.

O preço de dormir

Dormir oito horas parece básico. Em certos ambientes, vira privilégio.

O caso envolvendo a Centerview não redefiniu oficialmente o modelo de trabalho do setor. Mas colocou luz sobre um ponto sensível: quando a cultura exige presença total, até o descanso vira item negociável.

E quando isso vai parar nos tribunais, o debate deixa de ser interno.

Agora a pergunta ecoa além das mesas de operação: jornadas extremas são inevitáveis ou apenas toleradas há tempo demais?

E você, o que pensa? Já passou por algo parecido? Trabalhar até o limite faz parte do jogo ou chegou a hora de rever o modelo? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este artigo com quem vive a realidade de Wall Street.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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