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Moradores caminhavam quilômetros por água no sul do Chade, até a China entrar com projeto que já entregou mais de 500 poços, 57 estações e pode beneficiar mais de 600 mil pessoas

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 03/07/2026 às 19:15 Atualizado em 03/07/2026 às 19:17
No sul do Chade, famílias que faziam longas jornadas por água agora recebem apoio de obra chinesa com mais de 500 poços, 57 estações e impacto previsto para mais de 600 mil moradores
Imagem: Ilustração artística
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Com mais de 500 poços, 57 estações e sistema com energia solar e gerador, obra nas províncias de Mandoul e Salamat busca reduzir longas caminhadas e beneficiar mais de 600 mil pessoas no sul chadiano

Mais de 500 poços no Chade, 57 estações centralizadas de abastecimento de água e mais de 100 latrinas públicas foram entregues nas províncias de Mandoul e Salamat, no sul do país. A obra, iniciada no fim de outubro de 2024 por engenheiros chineses, busca reduzir longas caminhadas e ampliar o acesso à água segura em áreas rurais vulneráveis.

Poços no Chade reduzem caminhadas diárias por água

Durante anos, moradores de Mandoul e Salamat enfrentaram uma rotina marcada pela distância e pela insegurança no abastecimento.

Em muitas comunidades, buscar água exigia deslocamentos longos, mesmo quando o líquido encontrado não era seguro para consumo.

Em Madan, distrito de Koumra, capital da província de Mandoul, Robgue Ozias caminhava quatro quilômetros todos os dias apenas para encher um galão.

Segundo ele, durante a estação seca, cada família precisava enviar ao menos uma pessoa com condições físicas para fazer esse trajeto.

A mudança começou no fim de outubro de 2024, quando engenheiros da China Jiangxi International Economic and Technical Cooperation Co., Ltd. iniciaram a perfuração em áreas áridas de Mandoul e Salamat.

Até o momento, o projeto entregou mais de 500 poços com bombas manuais, 57 estações centralizadas de abastecimento de água e mais de 100 latrinas públicas. O alcance informado pelo governo chadiano é de mais de 600.000 pessoas beneficiadas.

No sul do Chade, famílias que faziam longas jornadas por água agora recebem apoio de obra chinesa com mais de 500 poços, 57 estações e impacto previsto para mais de 600 mil moradores
Moradoras buscam água em uma estação de abastecimento construída com apoio da China em Koumra, província de Mandoul, Chade, em 5 de junho de 2026. (Foto de Arnaud Mbaigolmem/Xinhua)

Perfurações passam de 45 metros e chegam a mais de 150 metros

A escala técnica da obra aparece na profundidade das estruturas. Segundo Huo Wenlong, gerente do local do projeto em Mandoul, os poços com bombas manuais têm profundidade média superior a 45 metros.

As estações centralizadas de abastecimento de água exigem perfurações ainda mais profundas, acima de 90 metros. O poço mais profundo chegou a mais de 150 metros.

Huo afirmou que as equipes realizam explorações e análises preliminares antes da perfuração. Segundo ele, os poços precisam atender aos padrões de qualidade e quantidade de água.

Um dos pontos mais difíceis foi Aboudeia, na província de Salamat. De acordo com o gerente do projeto, Fu Renyin, tentativas anteriores de perfuração haviam fracassado durante duas décadas por causa do terreno rochoso e da baixa produção de água subterrânea.

Fu disse que, após oito meses de trabalho, a equipe alcançou uma vazão adequada para a comunidade chadiana. Ele acrescentou que a construção estava quase concluída no fim de junho.

No sul do Chade, famílias que faziam longas jornadas por água agora recebem apoio de obra chinesa com mais de 500 poços, 57 estações e impacto previsto para mais de 600 mil moradores
Foto tirada em 5 de junho de 2026 mostra torre de água de um projeto de abastecimento apoiado pela China em Koumra, na província de Mandoul, Chade. (Foto de Arnaud Mbaigolmem/Xinhua)

Água limpa muda rotina de mulheres, crianças e pecuaristas

No início de junho, com o fim da estação seca no Chade, as temperaturas passaram de 40 graus Celsius. Mesmo nesse cenário, a nova estação de abastecimento em Madan já mostrava uma mudança prática na rotina local.

Mulheres e crianças faziam fila enquanto a água limpa enchia baldes e bacias. Antes, algumas famílias percorriam quatro quilômetros. Agora, segundo o relato local, a distância caiu para algumas dezenas de metros.

Para Mrangue Madjingain, líder tradicional de Madan, o projeto trouxe esperança e alívio para mais de 6.000 conterrâneos.

Ele afirmou que a água imprópria para consumo também é fonte de doenças e que o abastecimento estável ajuda a reduzir enfermidades.

O impacto também chegou aos pecuaristas. Em Ngonbe, Koumtemadji Raikeman disse que não precisa mais conduzir seus animais por horas em busca de água.

Para ele, a estrutura representa vantagem tanto para as pessoas quanto para os animais.

A cerca de 30 km de Koumra, as aldeias de Kouman e Ngonbe também receberam instalações. Em Kouman, Anmadji Kosadoum, de 60 anos, afirmou que a comunidade passou a ter água potável tanto na estação seca quanto na chuvosa.

Sistema combina energia solar e gerador para manter abastecimento

Para garantir funcionamento contínuo das estações, os engenheiros instalaram um sistema de dupla fonte de energia. Segundo Huo, quando há sol, a estação opera com energia solar.

À noite ou em tempo nublado, o sistema muda automaticamente para o gerador. A solução foi adotada para manter o fornecimento ininterrupto de água nas comunidades atendidas.

O delegado de Água e Energia de Mandoul, Mangue Oudah Ali, elogiou a atuação da equipe chinesa. Ele disse que, antes, as mulheres percorriam longas distâncias para buscar água e que agora o abastecimento está diante delas.

O ministro de Água e Energia do Chade, Passalet Kanabe Marcelin, visitou os locais das obras diversas vezes. Segundo ele, o projeto beneficiará mais de 600.000 pessoas e ajudará o país a acelerar o Programa Nacional de Abastecimento de Água Potável e Saneamento, principalmente em áreas rurais vulneráveis.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Xinhua, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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