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Morador de São Valentim do Sul que roda até 100 quilômetros a mais desde a enchente de 2023 viu dois guindastes chegarem à ERS-431: a ponte de R$ 31,3 milhões entrou na fase de instalação das vigas com 97% dos pilares prontos e entrega prometida para o fim do ano

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 08/09/2026 às 20:17 Atualizado em 08/09/2026 às 21:50
Pilares da nova ponte de Santa Bárbara erguidos sobre o Rio Taquari, na ERS-431, com o vão ainda aberto entre eles
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O morador de São Valentim do Sul que roda até cem quilômetros a mais desde a enchente de 2023 viu dois guindastes e um caminhão-prancha chegarem ao canteiro da ERS-431 nesta segunda-feira, sinal de que a ponte de Santa Bárbara, de trinta e um milhões de reais, entrou na etapa de instalação das vigas.

A chegada dos equipamentos aconteceu em 7 de setembro, conforme apurou o Leouve no local, em texto assinado por Patrick Alessi.

Os guindastes vão içar e instalar as vigas que formarão a estrutura da nova travessia sobre o Rio Taquari, entre Santa Tereza e São Valentim do Sul.

É a etapa que define se a entrega prometida para este ano se sustenta.

A ponte antiga caiu há exatos três anos

A coincidência de calendário não passou despercebida na região.

A estrutura anterior foi destruída pela enchente de setembro de 2023, quando o Rio Taquari subiu e levou a travessia que já tinha 65 anos de uso.

Desde então, quem precisa cruzar depende de balsa. Quando o nível do rio sobe e a balsa para, o desvio por estrada chega a 100 quilômetros a mais.

Vista do canteiro da ponte de Santa Bárbara na ERS-431, com os pilares alinhados na travessia do Rio Taquari e o acesso de terra

Os números do Daer mostram onde a obra realmente está

De acordo com a atualização mais recente do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem, a fundação está inteira resolvida.

Encontros, estacas e blocos de fundação alcançaram 100%. Os pilares chegaram a 97% e as travessas, a 72%.

Já as vigas longarinas, que são exatamente o que os guindastes vieram instalar, estão em 65% de execução.

Ou seja, a parte de baixo está pronta e a parte de cima começa agora.

Essa sequência não é escolha, é imposição de engenharia. Não se lança viga sobre pilar inacabado, portanto todo o cronograma da obra ficou refém do avanço dos 97% de pilares.

Trezentos e cinco metros sobre o Taquari

A nova travessia terá aproximadamente 305 metros de extensão, segundo o Leouve.

Ela nasce maior que a anterior em todas as dimensões. É cerca de 25 metros mais longa, 2,60 metros mais larga e um metro mais alta, além de incluir acostamento nos dois lados.

O ganho de altura não é detalhe estético. Ele é a resposta de engenharia ao evento que derrubou a ponte antiga.

O que os guindastes vieram fazer no canteiro

Chegaram dois guindastes e um caminhão-prancha, conforme o registro feito no local.

O caminhão-prancha transporta as vigas longarinas até o ponto de lançamento, enquanto os dois guindastes trabalham em conjunto para erguê-las e posicioná-las sobre as travessas já executadas.

Precisar de dois guindastes, e não de um, dá a dimensão do peso e do comprimento das peças que vão vencer o vão sobre o rio.

R$ 31,3 milhões, com a maior parte vindo da União

O investimento total na construção é de R$ 31,3 milhões.

Desse valor, R$ 24,4 milhões são recursos federais e R$ 6,9 milhões entram como contrapartida do governo do Rio Grande do Sul.

Até o balanço mais recente, cerca de 35% do contrato havia sido faturado, percentual que tende a subir rápido assim que as vigas começarem a ser lançadas.

Pilar da nova ponte de Santa Bárbara em execução, com escoramento e equipe trabalhando na travessa

O rio que derrubou a ponte é o mesmo que atrasa a obra

Aqui está a ironia operacional do canteiro.

Conforme o Daer, as elevações recorrentes do nível do Rio Taquari provocaram interrupções em etapas da obra que dependem de condições adequadas para serem executadas com segurança.

Foi por isso que a entrega, antes prevista para o segundo semestre, escorregou para o fim de 2026. O adiamento foi comunicado em agosto, conforme o Jornal Semanário.

Trabalhar com pilar dentro d’água significa parar toda vez que o rio decide subir.

E o Taquari subiu várias vezes em 2026. Cada cheia obriga a retirar equipamento, esperar o nível baixar e refazer parte do acesso de terra antes de retomar o serviço.

Por que essa ligação importa para além dos dois municípios

A ERS-431 é considerada estratégica para recuperar a conexão entre a Serra Gaúcha e o Vale do Taquari.

Não é só o morador de São Valentim do Sul que sente. Bento Gonçalves, Santa Tereza e a região inteira dependem desse eixo para escoar produção, mover trabalhador e encurtar viagem de ambulância.

Quem já pegou balsa lotada num dia de chuva sabe o quanto uma travessia interrompida reorganiza a vida de uma cidade pequena.

Três anos de desvio mudam onde a pessoa trabalha, onde compra e onde leva o filho ao médico.

A balsa resolve, contudo resolve mal. Ela tem capacidade limitada, horário definido e para justamente quando o rio está cheio, que é quando a estrada alternativa também costuma estar pior.

Máquinas amarelas estacionadas no canteiro de terraplenagem do acesso à nova ponte de Santa Bárbara

O que ainda não está confirmado

Existe divergência de medida entre as publicações sobre a extensão exata da ponte, com números que variam em torno de 305 e 320 metros. Por isso o valor aparece aqui como aproximado.

As páginas institucionais do Daer retornaram erro durante a apuração, portanto os percentuais de avanço foram lidos por meio da imprensa regional.

Também não há dado público de volume de tráfego na travessia, que seria justamente o número capaz de dimensionar o tamanho do gargalo.

E não há confirmação de qual dia exato o içamento das vigas começa, apenas de que os equipamentos chegaram.

O Daer também não divulgou quantas vigas serão lançadas ao todo, nem quanto tempo a etapa deve consumir no canteiro.

Esse é o número que realmente importa para quem espera. Enquanto a etapa das vigas não terminar, não há como avaliar se a promessa de entrega neste ano ainda se sustenta.

Interdições e travessias improvisadas seguem sendo rotina na malha estadual brasileira, como no caso da ponte fechada por seis meses em Petrópolis, que jogou o trânsito inteiro na BR-040.

O registro da chegada dos guindastes, com os percentuais do Daer, está na reportagem do Leouve.

Você confia que a ponte fica pronta até o fim do ano, ou o Taquari atrasa tudo de novo?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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