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Morador de Bom Jesus vai ver uma usina de 1,8 megawatt virar 11,75 no Rio Chapecozinho, numa obra de R$ 60 milhões que multiplica a geração por 6,5 vezes mas só termina em dezembro de 2030

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/09/2026 às 06:13 Atualizado em 08/09/2026 às 06:17
Pequena central hidrelétrica com casa de força às margens do rio, no modelo da PCH que a Âmbar vai ampliar; imagem ilustrativa
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O morador de Bom Jesus vai ver uma usina de um vírgula oito megawatt virar onze vírgula setenta e cinco no Rio Chapecozinho, numa obra de sessenta milhões de reais que multiplica a geração por seis vezes e meia, mas que só termina em dezembro de dois mil e trinta.

O investimento foi anunciado em 4 de setembro pela Âmbar Energia, braço de geração do grupo J&F.

O alvo é a PCH Salto do Passo Velho, pequena central hidrelétrica instalada no Rio Chapecozinho, no oeste de Santa Catarina.

A obra é de modernização e ampliação, e não de construção nova.

Essa diferença é o ponto de partida para entender o investimento, porque muda tudo em custo, licença e prazo.

Reservatório de pequena central hidrelétrica cercado de mata e pasto no sul do país; imagem ilustrativa

De 1,8 para 11,75 megawatts é praticamente outra usina

O salto de capacidade instalada é o dado central do anúncio.

A potência passa de 1,8 MW para 11,75 MW, aumento de 6,5 vezes sobre a geração atual, conforme a companhia.

Em termos práticos, uma central desse porte deixa de ser um ativo marginal e passa a ter relevância no sistema regional.

Uma usina de 1,8 MW atende pouco mais que um punhado de propriedades e alguma indústria pequena. Com 11,75 MW, ela passa a pesar no atendimento de um município inteiro do porte de Bom Jesus.

Por que repotenciar sai mais barato do que construir do zero

Aqui está a lógica econômica que explica o investimento.

A barragem já existe, o reservatório já está formado, a licença ambiental já foi obtida e a conexão com a rede já está feita. O que se troca é o equipamento: turbina, gerador, comporta e sistema de controle.

Por isso a repotenciação costuma entregar megawatt novo por um custo por unidade menor do que um projeto greenfield, e com um caminho de licenciamento muito mais curto.

É energia nova sem alagar área nova.

Por isso a repotenciação virou tema recorrente no setor elétrico brasileiro. Há um parque antigo de pequenas centrais instaladas há décadas, operando com equipamento defasado e muito abaixo do que o mesmo curso d’água comporta.

O prazo até dezembro de 2030 é o dado incômodo

A conclusão das obras está prevista para dezembro de 2030.

São mais de quatro anos entre o anúncio e a entrega, num projeto que não envolve desapropriação em massa nem obra civil de grande porte.

Prazos assim costumam refletir a fila de fabricação de equipamento e a janela hidrológica: obra em leito de rio depende de período de vazão baixa para avançar em segurança.

Turbina e gerador sob medida não saem de prateleira. São encomendas com anos de espera, e o oeste catarinense, além disso, tem regime de chuva que fecha a janela de obra por meses seguidos.

Vertedouro de pequena central hidrelétrica em operação num vale fechado; imagem ilustrativa

O oeste catarinense é um corredor de PCHs

A região onde fica a usina concentra dezenas de pequenas centrais aproveitando o desnível dos rios que descem o planalto.

O Chapecozinho é afluente do Rio Chapecó, numa bacia que já sustenta geração distribuída em pequena escala há décadas, muitas vezes ao lado de propriedades rurais e de agroindústria.

É um tipo de geração que não aparece em manchete nacional, contudo sustenta a rede local com previsibilidade que solar e eólica não entregam sozinhas.

A pequena central gera de noite, gera com céu nublado e gera sem vento. Em compensação, ela depende da chuva, e é aí que a diversificação da matriz deixa de ser discurso e vira operação.

A Âmbar vem comprando espaço no setor elétrico

O investimento não é isolado. O braço de geração do grupo J&F vem ampliando presença em várias frentes ao mesmo tempo.

A empresa avançou sobre termelétricas, entrou no capital da Eletronuclear e assumiu operação de distribuição no Norte, movimento que a coloca disputando o posto de maior geradora privada do país.

Nesse contexto, R$ 60 milhões numa PCH é aporte pequeno, quase de ajuste fino de portfólio.

Para efeito de comparação, a mesma empresa anunciou R$ 5,5 bilhões até 2031 na rede elétrica do Amazonas, quase cem vezes o valor desta obra.

O que o anúncio não detalha

Não há informação sobre quantos empregos a obra gera, nem sobre quantos ficam na operação depois da entrega.

Também não foi divulgado se a energia adicional será destinada ao mercado livre ou ao regulado, dado que muda bastante o retorno esperado do investimento.

O cronograma intermediário, com as etapas até 2030, igualmente não apareceu nas fontes consultadas.

O que muda para quem mora perto

No curto prazo, obra em canteiro significa movimento de caminhão, contratação temporária e alguma interferência no acesso à área da usina.

No longo prazo, o município passa a abrigar um ativo maior, o que costuma se refletir em arrecadação e em compensação financeira pelo uso de recursos hídricos.

Quem já mora perto de PCH sabe que o efeito local é discreto, e é justamente essa discrição que torna esse tipo de projeto menos conflituoso do que uma grande hidrelétrica.

Para o sistema elétrico, o ganho é modesto em números absolutos e relevante em qualidade. Quase dez megawatts a mais entram já conectados, sem exigir linha de transmissão nova nem estudo de conexão do zero.

Numa matriz que vem incorporando muita geração intermitente, esse tipo de reforço firme, previsível e próximo do consumo é justamente o que o operador nacional costuma pedir.

O anúncio do investimento e os números de capacidade estão na publicação do Times Brasil, com detalhamento também no portal MegaWhat.

O que você acha: repotenciar usina velha resolve mais do que construir hidrelétrica nova no Brasil?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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