O MO26 FPSO pré-sal brasileiro, batizado oficialmente de Alexandre de Gusmão, atingiu produção plena no campo de Mero, na Bacia de Santos, e elevou a capacidade total do consórcio a 770 mil barris por dia. O navio é a quarta unidade do projeto Mero e armazena 1,4 milhão de barris de petróleo, classe que coloca o Brasil no topo da indústria global de FPSOs.
Conforme a Marine Insight, o MO26 tem 335,31 metros de comprimento e 60 metros de largura, dimensões equivalentes às do Egina da TotalEnergies na Nigéria. Em paralelo, o calado supera 33 metros e o tonnage total faz dele o maior FPSO do mundo nessa métrica.
O navio foi construído pela COSCO Qidong Offshore na província chinesa de Jiangsu, com design SBM Offshore Fast4Ward. Em paralelo, saiu da China em 16 de dezembro de 2024 e chegou ao Brasil em março de 2025, em comboio que estabeleceu novo recorde de reboque no rio Yangtze.
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Os números do MO26 e do projeto Mero, conforme Petrobras, SBM Offshore e Offshore Technology, contam a história em cinco pontos:
- 180.000 barris/dia de capacidade de produção de óleo do MO26 sozinho
- 12 milhões de m³/dia de gás natural processado, capacidade superior a P-78/P-79
- 1,4 milhão de barris de armazenagem, mesma classe dos maiores FPSOs do planeta
- 250.000 barris/dia de injeção de água para manutenção de pressão do reservatório
- 2.000 metros de profundidade de operação, ambiente ultradeepwater pré-sal

O MO26 FPSO pré-sal brasileiro por dentro: módulos, armazenagem e produção
O MO26 fica ancorado a 160 quilômetros offshore Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Conforme dados oficiais, opera em lâmina d’água de aproximadamente 2.000 metros, profundidade típica do pré-sal brasileiro.
O sistema de ancoragem é spread mooring, com cabos fixos distribuídos no fundo do mar. Em paralelo, essa configuração mantém o casco estável apesar das correntes profundas e das ondulações do Atlântico Sul.
O topside reúne 15 módulos com cerca de 33 mil toneladas de equipamento. Conforme a fabricante COSCO Qidong, esses módulos foram montados em paralelo aos do casco para reduzir o cronograma total da obra.
A produção alcança 180 mil barris diários, com processamento simultâneo de 12 milhões de metros cúbicos de gás natural. Em paralelo, a injeção de 250 mil barris diários de água garante pressão suficiente para manter o petróleo fluindo do reservatório.
O MO26 também integra a tecnologia HISEP (High Pressure Separation), conforme a Petrobras. Essa solução separa o gás rico em CO₂ ainda no leito do mar e reinjeta o gás indesejado direto na rocha, sem subir para o convés do navio.
Mero, o terceiro maior campo do pré-sal brasileiro, agora bate 770 mil barris/dia
O campo de Mero foi descoberto em 2010 no bloco Libra, dentro da Bacia de Santos. Conforme a Offshore Technology, está a 180 quilômetros offshore Rio de Janeiro, em águas profundas que variam entre 1.900 e 2.100 metros.
As reservas estimadas chegam a 3,3 bilhões de barris recuperáveis, conforme o consórcio operador. Em paralelo, o contrato de partilha foi assinado em dezembro de 2013 e tem a Petrobras como operadora com 38,6%.
Os parceiros são Shell Brasil (19,3%), TotalEnergies (19,3%), CNPC (9,65%), CNOOC (9,65%) e a brasileira PPSA (3,5%, que representa o governo federal). Já a presença chinesa via CNPC e CNOOC soma 19,3%, mesma proporção da Shell ou da Total.
A produção do campo evoluiu por fases. Conforme a Offshore Energy, o sistema piloto Pioneiro de Libra entregou 50 mil barris/dia desde 2017, e os FPSOs definitivos chegaram em sequência: Guanabara (Mero-1, abril 2022), Sepetiba (Mero-2, 2023), Marechal Duque de Caxias (Mero-3, 2024) e agora o Alexandre de Gusmão / MO26 (Mero-4, 2025).
Com o MO26 plenamente operacional, a capacidade total do campo bate 770 mil barris diários. Em paralelo, isso coloca Mero como o terceiro maior campo de petróleo da Petrobras, atrás apenas de Tupi e Búzios, ambos no pré-sal.

Maior FPSO do mundo em tonnage: o que isso significa
O MO26 ostenta o título de maior FPSO do mundo em tonelagem total, conforme reportagem da People’s Daily. Em paralelo, o Egina da TotalEnergies na Nigéria mantém o recorde de armazenagem (2,3 milhões de barris contra 1,4 do MO26).
Em comparação com pares brasileiros, os FPSOs P-78 e P-79, do campo de Búzios, têm a mesma capacidade de 180 mil barris/dia e 1,4 milhão de armazenagem. Já a capacidade de processamento de gás do MO26 (12 milhões de m³/dia) supera os 7,2 milhões de m³/dia desses dois.
Em paralelo, o britânico BP Glen Lyon, no campo Quad 204 do Mar do Norte, processa 130 mil barris/dia em 1.500 metros de água, ambiente bem menos hostil que o pré-sal. Por isso, o MO26 representa engenharia de classe distinta.
O MO26 foi entregue pela COSCO em julho de 2023 após cerca de dois anos de obra. Em paralelo, esse cronograma reflete o método Fast4Ward da SBM, que padroniza o casco e acelera a execução vs FPSOs feitos sob medida.
O charter operacional do MO26 com a Petrobras é de 22,5 anos, com contrato lease + operate. Conforme a SBM, isso transfere o risco de construção e valor residual da operadora (Petrobras) para a integradora (SBM).

Plano da Petrobras: 21 FPSOs até 2030 e 3,2 milhões de barris/dia
Sob o comando de Magda Chambriard, conforme o plano de negócios 2026-2030 publicado em dezembro de 2025, a Petrobras vai colocar 21 FPSOs em operação até o fim da década. Em paralelo, a meta é atingir 3,2 milhões de barris/dia equivalentes em produção total no Brasil.
Conforme a empresa, todo o portfólio de novos FPSOs é resiliente a cenários de preços baixos do petróleo (US$ 45/bbl). Por isso, mesmo em queda do mercado, o pré-sal mantém valor positivo presente líquido.
O foco em Mero, Búzios e novos campos do entorno reflete a aposta brasileira no pré-sal como motor de receita até pelo menos 2040. Em paralelo, a Petrobras corre para concluir SEAP I e II em Sergipe Deep Waters, conforme o CPG cobriu na cobertura sobre o bloco Qurnain do Iraque, em que o Brasil produz 3,7 milhões de barris/dia e mantém controle nacional do upstream.
O contraste é claro. Já o Iraque entregou 7 dos 10 últimos contratos de licenciamento à China, enquanto o Brasil mantém Petrobras como operadora majoritária dos seus principais campos.
O modelo brasileiro tem custo. Conforme estimativas, o conteúdo local do MO26 ficou abaixo do exigido inicialmente pela ANP, com casco e topsides construídos integralmente na China. Em paralelo, a integração final em Niterói, Rio de Janeiro, e a operação subsea são brasileiras.

O que vem depois do MO26 no campo de Mero
O quinto FPSO do campo, batizado de Marechal Duque de Caxias 2 ou Mero-5, segue em construção e tem first oil previsto para 2027. Conforme cronograma do consórcio, o navio terá especificações similares ao MO26.
Em paralelo, há discussões sobre Mero-6 e Mero-7 com data alvo entre 2028 e 2030. O número final de FPSOs depende do desempenho dos quatro existentes e do mapa de recuperação ainda sob revisão.
A tecnologia HISEP, embarcada no Marechal Duque de Caxias e agora no MO26, vai migrar para outros campos pré-sal. Conforme a Petrobras, isso aumenta a capacidade de captura e armazenamento subsea de CO₂ associado ao petróleo, com efeito direto na contabilidade de emissões da empresa.
Em escala global, projetos brasileiros de FPSOs têm posição privilegiada. Conforme dados da indústria, há mais de 50 unidades planejadas para entrega entre 2026 e 2030 ao redor do mundo, e o Brasil concentra cerca de 40% do total.
Vale ressaltar, contudo, que o cronograma do Mero-5 e dos FPSOs subsequentes está sujeito a confirmação pela Petrobras. As reservas de 3,3 bilhões de barris no campo de Mero são estimativas dinâmicas, ajustadas conforme dados de produção. A matéria será atualizada com novos comunicados do consórcio Libra e da SBM Offshore.
