O Makua abre uma encomenda de cerca de US$ 1 bilhão que a Matson fez ao estaleiro Hanwha Philly, e o Wall Street Journal diz que a carteira do estaleiro, fora navios da própria Hanwha, se resume a esses três cascos.
A Matson batizou no sábado (10) o Makua, o primeiro de três porta-contêineres que o estaleiro Hanwha Philly constrói para as rotas do Havaí e para o serviço entre a China e Long Beach. O comunicado da empresa, de 12 de outubro, trata o conjunto como um investimento de cerca de US$ 1 bilhão e marca a entrega do Makua para o primeiro trimestre de 2027.
O casco tem 850 pés, cerca de 259 metros, e mais de 51.400 toneladas, segundo a Matson.
Cabem 3.600 contêineres de 20 pés (TEU), e a velocidade máxima chega a quase 24 nós, a mais alta da frota da companhia, de acordo com o comunicado.
-
Depois de entregar o primeiro navio quase cinco meses antes do prazo, a HD Hyundai lança o Rajah Humabon, patrulheiro de 94 metros e 10 mil km de alcance que tem 3,5 metros a mais que os navios da classe Amazonas do Brasil
-
Porta-carros chinês de 7.800 vagas zarpa de Nanjing com 1.530 carros de nova energia, tem motor que também queima metanol e carga máxima 81% acima do recorde anterior do porto, rumo à Espanha e à Bélgica
-
Depois de uma reflutuação de mais de R$ 8,6 milhões, o navio Professor Besnard, que levou as primeiras equipes do Brasil à Antártida, tem o casco à venda como sucata, e leme, âncoras e motor devem ser separados para um memorial
-
Navio de 222,8 metros e mais de 40 mil toneladas, o Surya é lançado na Índia como o 1º de 5 reabastecedores da Marinha, mas só deve entrar em serviço em meados de 2027
Quanto custa cada um dos três navios da Matson?
Em reportagem de 12 de outubro, o Wall Street Journal informou que cada um dos três navios custa US$ 330 milhões, cerca do dobro do que se paga por embarcações comparáveis na Coreia do Sul ou na China. O número aparece no resumo do Korea JoongAng Daily, publicado em 13 de outubro.
A soma dos três chega a US$ 990 milhões, o que bate com o “cerca de US$ 1 bilhão” do comunicado da Matson.
Se um casco comparável custasse metade, perto de US$ 165 milhões, a diferença seria de US$ 165 milhões por navio e de US$ 495 milhões nos três. É uma estimativa feita a partir do “cerca do dobro” publicado pelo jornal, não um preço divulgado por estaleiro asiático.
Por que o navio da Matson precisa ser construído nos EUA?
Os três navios seguem a regra americana de cabotagem, a Jones Act: o comunicado os descreve como compatíveis com ela. Segundo a MARAD, órgão marítimo do governo dos Estados Unidos, a regra exige que o navio que leva carga entre dois pontos do país seja construído, de propriedade e autorizado para cabotagem nos EUA.
Como está o estaleiro que constrói o Makua?
O grupo Hanwha comprou o estaleiro em dezembro de 2024 por US$ 100 milhões, de acordo com o Korea JoongAng Daily, que cita o Wall Street Journal. Desde a compra, a operação soma seis trimestres seguidos de prejuízo operacional.

No segundo trimestre, a perda operacional foi de cerca de 19,2 bilhões de won, ou US$ 14,2 milhões. O JoongAng diz, citando o jornal americano, que a volta ao lucro foi adiada de 2026 para 2027.
Antes da compra, o estaleiro já tinha registrado prejuízo em sete anos seguidos, de 2018 a 2024, informa a mesma reportagem.
O quadro de funcionários dobrou em dois anos e chegou a cerca de 2.500 pessoas. O estaleiro tem duas docas, mas só uma serve para navio novo, e a capacidade é de 1 a 1,5 navio por ano.
A Hanwha prevê uma expansão de US$ 5 bilhões no estaleiro. Fora os navios da própria Hanwha, a carteira de encomendas se resume aos três da Matson, todos assinados antes da compra, segundo o JoongAng.
O corte da primeira chapa de aço do Makua foi em 30 de setembro de 2024, conforme o comunicado da Matson daquela data. Até a entrega prevista, no primeiro trimestre de 2027, passam mais de dois anos.
O que o Makua muda para a Matson e para o Havaí?
Os três navios novos vão substituir três embarcações que hoje atendem o Havaí e a rota China-Long Beach. O segundo navio está previsto para o terceiro trimestre de 2027, e o terceiro, para o segundo trimestre de 2028, segundo o comunicado. A Matson planeja chamá-los de Malama e Makena.

“Construí-los aqui sustenta centenas de empregos bem pagos no estaleiro e dará mais de 2.500 oportunidades para marinheiros americanos ao longo da vida útil de cada navio”, afirmou o presidente-executivo Matt Cox, no comunicado da empresa.
Os novos cascos repetem o tamanho e a velocidade do Daniel K. Inouye e do Kaimana Hila, também feitos pelo estaleiro e em operação desde 2018 e 2019. A Matson os descreve como os maiores porta-contêineres já construídos nos Estados Unidos.
Os motores são de duplo combustível, e os navios novos saem prontos para operar com gás natural liquefeito. O estaleiro já havia entregue quatro navios à Matson entre 2003 e 2006.
O nome Makua vem de um cargueiro da Primeira Guerra Mundial que a companhia comprou na década de 1920. Em havaiano, a palavra significa pai, ancião ou ancestral.
