A mineração no Equador entrou em uma nova fase com a assinatura de um acordo de US$ 1,7 bilhão entre o governo e o grupo chinês CMOC para o projeto Los Cangrejos, ativo considerado um dos mais importantes do país e peça central da tentativa de destravar investimentos, aumentar receitas públicas e expandir a produção mineral em larga escala
A mineração no Equador ganhou um impulso decisivo com a assinatura de um acordo de US$ 1,7 bilhão entre o governo equatoriano e o grupo chinês CMOC para desenvolver o projeto de ouro e cobre Los Cangrejos, na província de El Oro, a cerca de 450 quilômetros a sudoeste de Quito. O contrato foi firmado com a subsidiária local ODIN Mining del Ecuador e pode ajudar a transformar a jazida em a terceira grande mina do país.
O acordo foi anunciado em um momento em que o presidente Daniel Noboa tenta reconstruir a confiança dos investidores em um setor que passou anos travado por disputas legais, incertezas regulatórias e resistência de comunidades. Além do peso financeiro imediato, o projeto chama atenção porque pode render ao Estado equatoriano cerca de US$ 4,39 bilhões em impostos, royalties e outros pagamentos ao longo da vida útil da mina, consolidando a mineração como um dos pilares da estratégia econômica do país.
O que o acordo de mineração representa para o Equador
O contrato de mineração com a CMOC vai além da autorização para um único projeto. Ele funciona como um teste importante para saber se o Equador conseguirá, de fato, destravar investimentos de grande porte em um setor que vinha perdendo ritmo por causa de entraves políticos, jurídicos e sociais.
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O governo aposta que Los Cangrejos pode virar símbolo de uma nova etapa da mineração equatoriana, com mais capital estrangeiro, mais previsibilidade regulatória e maior participação do Estado na renda gerada pelos recursos minerais. Ao mesmo tempo, o acordo expõe o tamanho da aposta oficial na expansão do setor como instrumento de crescimento econômico.
Os números que explicam o tamanho do projeto
Os valores envolvidos ajudam a dimensionar a importância de Los Cangrejos. O investimento total previsto é de US$ 1,7 bilhão, enquanto o Estado equatoriano terá uma participação de 50% no valor do projeto e deve receber cerca de US$ 4,39 bilhões ao longo da vida útil da mina por meio de impostos, royalties e outros pagamentos.
Além disso, Quito receberá US$ 54 milhões em royalties antecipados, sendo US$ 34 milhões na assinatura do contrato e o restante vinculado a marcos da construção. Em um setor que vinha sendo travado por insegurança regulatória, esses números transformam o acordo em um dos movimentos mais relevantes da mineração recente no Equador.
Por que Los Cangrejos é visto como um ativo estratégico
Los Cangrejos é considerada uma das maiores jazidas de ouro do Equador e um dos principais ativos de mineração ainda não explorados no país. Segundo o estudo de pré-viabilidade de 2023 citado na base, o projeto pode se tornar uma mina a céu aberto com duração de 26 anos.
A expectativa é de produção média anual de 371 mil onças de ouro e 41 milhões de libras de cobre. O mesmo estudo apontou recursos de 1,08 bilhão de toneladas, com teor de 0,55 g/t de ouro e 0,11% de cobre, contendo 16,8 milhões de onças de ouro e cerca de 2,6 bilhões de libras de cobre. Os recursos inferidos acrescentam mais 179 milhões de toneladas, com 2,2 milhões de onças de ouro e 355 milhões de libras de cobre.
Como a China entrou de vez no projeto
A CMOC passou a controlar Los Cangrejos depois de adquirir o ativo por meio da compra da canadense Lumina Gold, em 2025, por US$ 420 milhões em dinheiro. Embora o projeto ainda esteja em fase de planejamento e concepção, a expectativa é de que o novo contrato acelere o desenvolvimento da mina.
Esse passo reforça a presença chinesa em um setor que vem se tornando cada vez mais relevante no Equador. Ao assumir um dos ativos mais valiosos e ainda não explorados do país, a CMOC amplia seu peso em uma indústria que pode redesenhar a economia mineral equatoriana nos próximos anos.
A nova lei de mineração tenta destravar investimentos
O avanço do projeto ocorre logo depois da aprovação de uma nova lei de mineração no fim de fevereiro. Segundo a base, a mudança busca resolver entraves antigos com a reformulação do licenciamento ambiental, a introdução de um sistema mais abrangente de autorização ambiental e a simplificação dos processos de aprovação, mantendo a supervisão estatal.
A nova estrutura também alterou o fluxo de royalties, com taxas entre 3% e 8% das vendas, e destinou a maior parte dessa receita aos governos locais. A intenção é reduzir tensões sociais em torno dos projetos de mineração e tentar construir um ambiente mais estável para investimentos de grande escala.
O governo quer mais segurança e combate à mineração ilegal
Além das mudanças regulatórias, o governo de Daniel Noboa prometeu reforçar a segurança nas áreas ricas em minerais e endurecer o combate à mineração ilegal. Esse ponto é central porque o avanço do setor depende não apenas de licenças e contratos, mas também da capacidade do Estado de controlar territórios e dar previsibilidade aos investidores.
Na prática, isso significa que o sucesso de Los Cangrejos pode depender tanto da execução econômica quanto da estabilidade política e operacional ao redor do projeto. Sem segurança e sem redução do conflito em áreas minerais, a promessa bilionária da mineração pode continuar enfrentando obstáculos importantes.
A China amplia domínio sobre a mineração do Equador
O acordo com a CMOC não é um caso isolado. A base mostra que empresas chinesas já controlam vários dos projetos de cobre e ouro mais avançados do Equador, o que lhes dá papel dominante no futuro fornecimento mineral do país.
Em março, a Jiangxi Copper concluiu a aquisição da SolGold, responsável pelo projeto Cascabel, no norte do Equador. Outro contrato ainda é esperado para a expansão de Mirador, operado pela Ecuacorriente, subsidiária do Tongling Nonferrous Metals Group e da China Railway Construction Corp. Com isso, a mineração equatoriana passa a depender cada vez mais do capital e da execução chinesa para sair do papel.
O que esse movimento revela sobre a estratégia do Equador
O caso mostra que o governo de Noboa tenta equilibrar interesses econômicos e geopolíticos. Mesmo mantendo laços estreitos com os Estados Unidos e com o presidente americano Donald Trump, Quito segue aprofundando relações comerciais e de investimento com Pequim.
A expectativa de uma nova visita de Estado de Noboa à China em agosto reforça essa linha. O governo já indicou que o Equador precisa manter relações diversificadas com seus principais parceiros. Na prática, Los Cangrejos mostra que, no campo da mineração, o investimento chinês continua sendo visto como fundamental para tirar grandes projetos do papel.
Los Cangrejos pode abrir caminho para novos projetos
O projeto chinês faz parte de um movimento maior de expansão do setor mineral equatoriano. A base menciona outros ativos que também estão avançando, como Warintza, da Solaris Resources, na província de Morona Santiago, e El Domo, em Curipamba, conduzido pela Silvercorp Metals.
Também seguem em exploração os projetos Bramaderos e El Palmar, da Sunstone Metals, enquanto a Lundin Gold busca expandir suas operações em Fruta del Norte. Juntos, esses empreendimentos podem formar a base de uma mineração mais ampla e diversificada no Equador, caso o ambiente político e regulatório realmente se estabilize.
Por que esse acordo pode marcar um ponto de virada
O contrato da CMOC representa mais do que um investimento isolado em ouro e cobre. Ele coloca à prova as novas regras de mineração do Equador, mede a capacidade do país de atrair capital em larga escala e revela até que ponto o governo conseguirá equilibrar arrecadação pública, benefícios locais e estabilidade política.
Se Los Cangrejos avançar como planejado, o projeto pode se transformar em referência para a nova etapa da mineração equatoriana. Se travar, pode reforçar a percepção de que o país ainda enfrenta barreiras profundas para transformar potencial geológico em crescimento real.
Na sua visão, esse acordo bilionário de mineração pode realmente inaugurar uma nova era para o Equador ou a dependência do capital chinês e as tensões locais ainda podem frear esse salto antes que ele se confirme?

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