Peso argentino cai mais de 2% em um único dia e títulos de 2035 despencam para 62 centavos, mínimo desde abril, em meio a escândalo envolvendo a irmã de Milei.
O presidente argentino Javier Milei anuncia intervenção no câmbio após um dia de forte turbulência financeira. Nesta terça-feira (02/09/2025), o peso argentino caiu mais de 2% frente ao dólar e os títulos soberanos com vencimento em 2035 recuaram para 62 centavos de dólar, o menor nível desde abril, segundo a Bloomberg. A medida foi confirmada por Pablo Quirno, secretário de Finanças, que disse no X (antigo Twitter) que a ação busca “garantir liquidez e o funcionamento normal do mercado”.
O agravamento da crise econômica coincide com um escândalo político: Karina Milei, irmã do presidente, é alvo de denúncias de suborno, o que pressiona ainda mais a imagem do governo a menos de uma semana da eleição provincial em Buenos Aires — considerada um dos maiores termômetros políticos da Argentina.
Queda do peso e colapso dos títulos
O mercado argentino voltou do feriado nos EUA em clima de pessimismo. A combinação de baixo volume de negociações e falta de confiança nos ajustes fiscais de Milei resultou em forte pressão cambial. A desvalorização de mais de 2% do peso em apenas um dia reforça a percepção de fragilidade da economia, já marcada por inflação crônica e dívida pública elevada.
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Os títulos de 2035, que funcionam como referência para investidores globais, caíram para 62 centavos de dólar. Analistas afirmam que o movimento reflete a desconfiança crescente sobre a capacidade de Milei de sustentar sua agenda de reformas diante do cenário político instável.
Escândalo político e eleições decisivas
O desgaste do governo não se limita à economia. As denúncias contra Karina Milei ganharam espaço na mídia e se tornaram munição para a oposição, especialmente às vésperas da eleição em Buenos Aires, que concentra quase 40% da população argentina.
A votação é vista como um referendo sobre os dois primeiros anos de governo Milei. A recente derrota do candidato governista em Corrientes, onde terminou em quarto lugar, acendeu o alerta sobre a viabilidade da estratégia presidencial de disputar eleições sem alianças regionais.
O que dizem os analistas
Walter Stoeppelwerth, diretor de investimentos da Grit Capital Group, afirmou que a turbulência “expõe a fragilidade da confiança dos investidores” após apenas 18 meses de governo. Já o Morgan Stanley classificou a eleição como “um obstáculo de curto prazo”, mas manteve visão otimista para os ativos argentinos no médio prazo, desde que as reformas avancem.
O risco, porém, é imediato: pressão cambial, queda nos títulos e crise política simultânea criam um ambiente de incerteza sobre o futuro da segunda maior economia da América do Sul.
Você acredita que a intervenção no câmbio anunciada por Milei será suficiente para acalmar os mercados ou a crise política pode ampliar a desconfiança? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem acompanha de perto a situação argentina.

Essa **** já foi pro brejo