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Mesmo com avanço da transição energética, petróleo segue no centro da economia global e pode ampliar demanda na próxima década

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 13/01/2026 às 06:50
Assista o vídeoMesmo com a transição energética em curso, o petróleo deve manter relevância estratégica e registrar crescimento de demanda até a próxima década, segundo avaliação do consultor Armando Cavanha.
Mesmo com a transição energética em curso, o petróleo deve manter relevância estratégica e registrar crescimento de demanda até a próxima década, segundo avaliação do consultor Armando Cavanha.
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Mesmo com a transição energética em curso, o petróleo deve manter relevância estratégica e registrar crescimento de demanda até a próxima década, segundo avaliação do consultor Armando Cavanha.

A transição energética em curso não aponta para uma ruptura imediata com os combustíveis fósseis. Pelo contrário, o processo tem se consolidado como uma fase de convivência entre diferentes matrizes. Nesse contexto, o petróleo permanece como um dos pilares centrais da economia mundial. Essa é a avaliação do consultor em petróleo e gás e professor da PUC-Rio, Armando Cavanha, entrevistado na série especial Perspectivas 2026.

Segundo o especialista, o debate sobre energia precisa considerar a realidade dos sistemas produtivos e logísticos globais. Ainda que fontes renováveis avancem, o petróleo segue sem substituto comercial à altura para diversas aplicações industriais. Além disso, decisões estratégicas relacionadas à commodity continuam sólidas em escala internacional.

De acordo com Cavanha, a transição energética deve ser entendida como um processo de adição, e não de substituição imediata. “A verdade é que a velocidade da transição dependerá menos das metas declaradas e mais da combinação entre custos relativos, velocidade tecnológica e estabilidade geopolítica”.

Demanda por petróleo pode crescer mesmo com expansão das renováveis

Embora as fontes solar e eólica estejam ampliando rapidamente sua capacidade instalada, o petróleo continua essencial para a cadeia produtiva global. Atualmente, o consumo mundial gira em torno de 100 milhões de barris por dia. No entanto, a expectativa apresentada pelo consultor aponta para um aumento expressivo.

A projeção indica que o mundo pode demandar entre 110 e 115 milhões de barris diários de petróleo na próxima década. Esse crescimento estaria associado à ausência de alternativas viáveis para setores como petroquímica, transporte pesado e logística internacional.

O petróleo, segundo o entrevistado, é responsável por cerca de 6 mil produtos petroquímicos. Além disso, sustenta operações críticas envolvendo aviões, navios, caminhões e equipamentos militares. Nesse cenário, não há sinais de uma substituição comercial em larga escala capaz de reduzir significativamente sua participação no curto e médio prazos.

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Enquanto isso, as energias renováveis voltadas à geração elétrica continuam avançando. Contudo, essas fontes apresentam desafios técnicos. A intermitência do sol e do vento exige sistemas complexos de armazenamento em baterias ou o uso de fontes de backup, como o gás natural.

Universidade assume papel estratégico na transição energética

Em meio às transformações do setor energético, Armando Cavanha destaca o papel decisivo das universidades e centros de pesquisa. Segundo ele, essas instituições são responsáveis por interpretar cenários, probabilidades e resultados, traduzindo incertezas em propostas concretas de políticas públicas, tecnologias e formação de capital humano.

Nesse sentido, a PUC-Rio é citada como exemplo de atuação integrada. A universidade funciona como um espaço de convergência entre ciência, indústria e Estado. Assim, contribui para a construção de soluções que vão além de discursos ou modismos.

Em 2025, a instituição registrou o amadurecimento de iniciativas alinhadas à realidade da transição energética. Projetos voltados ao hidrogênio verde, captura e armazenamento de carbono, eletrocatálise e redes inteligentes avançaram paralelamente a pesquisas sobre regulação, financiamento e impactos sociais.

O Instituto de Energia e o Instituto ECOA são mencionados como referências nacionais nesse processo. Ambos atuam de forma dinâmica, pesquisando e testando respostas para os desafios impostos pela transformação do setor energético.

Ambiente de negócios ainda enfrenta entraves estruturais no setor de petróleo

Ao analisar o ambiente de negócios no Brasil, Cavanha reconhece avanços institucionais. Existem iniciativas governamentais que buscam aproximar indústria, centros de pesquisa e universidades. Contudo, segundo ele, esses mecanismos ainda são marcados por burocracia excessiva e forte interferência regulatória.

Outro ponto destacado é a posição do Brasil no cenário global de inovação tecnológica. O país não abriga as matrizes nem os principais centros de pesquisa das grandes empresas de serviços tecnológicos do setor de petróleo. Companhias como SLB, CGG, Halliburton e FMC mantêm centros decisórios em polos como Houston, Paris e Aberdeen.

Por outro lado, o Brasil se destaca em exploração em águas profundas. O uso de FPSOs e linhas flexíveis coloca o país em posição de liderança técnica nesse segmento. Ainda assim, o consultor defende uma mudança estrutural baseada em universidades mais fortes e em um ambiente mais desregulamentado.

Segundo ele, essa combinação poderia atrair investimentos e estimular a internalização de conhecimento estratégico, fortalecendo o setor de petróleo no longo prazo.

Perspectivas para 2026 apontam otimismo cauteloso no mercado de petróleo

Ao projetar o cenário para 2026, Armando Cavanha adota uma postura de otimismo cauteloso. Para ele, o fortalecimento da ponte entre conhecimento e tomada de decisão é fundamental para melhorar o desempenho da economia brasileira e do setor energético.

Investir em educação e pesquisa, conforme ressalta, representa simultaneamente uma política econômica e energética. “A universidade deve continuar sendo o espaço que relativiza modismos, traduz incertezas em planejamento e gera consensos técnicos duradouros”.

Apesar disso, desafios persistem. A imprevisibilidade regulatória e o descompasso entre discurso e prática ainda afetam o ambiente de inovação e investimento. Segundo o especialista, o país precisa de políticas de Estado de longo prazo, independentemente de ideologias, que ofereçam previsibilidade ao mercado.

Na visão de Cavanha, a transição energética deve ser compreendida como uma transição de saberes. Nesse processo, a universidade atua como um motor silencioso, conectando probabilidade, tecnologia e propósito. No Brasil, esse motor depende de estabilidade institucional, regulação inteligente e maior protagonismo da ciência em relação à política.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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