1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Mergulhador descobre tesouro impressionante com 50 mil moedas romanas que ficaram escondidas no fundo do mar por mais de 1.600 anos
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

Mergulhador descobre tesouro impressionante com 50 mil moedas romanas que ficaram escondidas no fundo do mar por mais de 1.600 anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 13/02/2026 às 10:47
Atualizado em 13/02/2026 às 14:58
Mergulhador descobre tesouro impressionante com 50 mil moedas romanas que ficaram escondidas no fundo do mar por mais de 1.600 anos
Mergulhador descobre tesouro impressionante com 50 mil moedas romanas que ficaram escondidas no fundo do mar por mais de 1.600 anos
  • Reação
  • Reação
  • Reação
3 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A descoberta acidental na Sardenha revelou milhares de nummi de bronze do século IV preservados por ervas marinhas, confirmando um depósito histórico único que lança luz sobre a economia e as rotas comerciais do Império Romano durante a dinastia constantiniana

Recuperação de mais de 50.000 moedas romanas de bronze datadas entre 324 e 340 d.C. na costa nordeste da Sardenha confirma depósito marítimo preservado por 1.686 anos

Um mergulhador amador localizou mais de 50.000 moedas romanas na costa nordeste da Sardenha, revelando um depósito do século IV preservado por 1.686 anos sob sedimentos marinhos, conforme confirmado pelo gorveno italiano após operações de recuperação concluídas no final de 2025.

Descoberta e identificação das moedas romanas no litoral italiano

O Ministério da Cultura da Itália confirmou a recuperação de um vasto tesouro arqueológico. A descoberta inicial ocorreu no final de 2024, realizada acidentalmente por um mergulhador amador. As operações de extração estenderam-se pelo último trimestre de 2025.

A localização exata situa-se ao largo da costa nordeste da Sardenha. A área era conhecida anteriormente por destroços de naufrágios, mas não por depósitos estruturados deste tipo. O mergulhador identificou uma concentração anômala de objetos de bronze no fundo do mar.

Investigadores estatais documentaram que a concentração de objetos ultrapassa 50.000 exemplares. A massa de itens estava disposta em padrões específicos no leito marinho. Esses padrões sugerem um selamento rápido e permanente do local, contrariando a hipótese de uma dispersão gradual.

Não foi localizada nenhuma estrutrua de casco de navio na área da descoberta. Apesar da ausência da embarcação, a presença de uma carga comercial foi confirmada. As equipes recuperaram fragmentos de ânforas de transporte de cerâmica junto aos metais.

Também foram encontrados pregos de ferro e resíduos de embalagens. A quantidade de pregos e materiais de embalagem é suficiente para confirmar o transporte marítimo. No entanto, esses elementos são insuficientes para identificar o tipo de embarcação, a tonelagem ou a propriedade do navio.

Os fragmentos de recipientes recuperados são consistentes com tipologias de ânforas romanas documentadas. A referência utilizada para esta validação é o arquivo do Centro de Pesquisa de Arte Clássica da Universidade de Oxford. Os recipientes teriam sido empilhados no porão de um navio.

A disposição original das ânforas envolveria bases pontiagudas fixadas em estiva ou encaixadas em receptáculos. O conjunto de artefatos recuperado é composto quase inteiramente por moedas romanas de bronze. Estas moedas são tecnicamente classificadas como nummi.

Detalhamento numismático e datação da carga

A agência italiana de patrimônio histórico classificou este depósito como o maior tesouro de moedas romanas marítimas já recuperado no Mediterrâneo. O achado é também considerado um dos mais bem preservados da Europa. A ausência de corrosão nos metais é um destaque técnico.

A carga foi reunida originalmente entre os anos 324 e 340 d.C. Este intervalo temporal corresponde a um período específico da dinastia constantiniana. As marcas de cunhagem presentes nos discos de bronze permitiram essa datação precisa.

Funcionários do Ministério da Cultura relataram que as moedas romanas apresentam iconografia consistente. As imagens seguem as séries de emissão padrão do século IV. Entre os motivos identificados estão o Sol Invictus e fortalezas imperiais.

Outros motivos visíveis incluem o cristograma Chi-Rho e símbolos de vitória. As marcas das casas da moeda indicam instalações de produção localizadas na Gália. Também há indicações de produção no Mediterrâneo oriental.

Essa diversidade geográfica nas marcas de cunhagem sugere uma agregação de valores. A carga provavelmente agregava transferências fiscais provenientes de vários tesouros provinciais distintos. O nummus foi a denominação introduzida pela reorganização monetária de Diocleciano em 294 d.C.

Esta moeda foi cunhada em grandes quantidades durante a dinastia constantiniana. O tesouro da Sardenha representa a fase madura dessa experiência monetária. O material base é o bronze, cujo valor facial era mantido por decreto imperial.

O papel da Posidonia oceanica na conservação arqueológica

O estado de conservação das moedas romanas é um ponto central da análise científica. Os nummi do século IV apresentavam apenas tratamentos superficiais instáveis em prata. Uma análise metalúrgica de 2019 confirmou a fragilidade desses tratamentos.

O estudo, publicado na revista Heritage Science, indicou que tais moedas se degradam em poucas décadas sob condições normais. No entanto, os exemplares da Sardenha conservam suas superfícies intactas. A explicação reside no ambiente biológico do depósito.

Pesquisadores da autoridade italiana determinaram a localização do depósito dentro de um prado de Posidonia oceanica. Esta espécie de erva marinha possui uma dinâmica sedimentar específica. A planta funciona como um agente de preservação para o patrimônio cultural submerso.

Um artigo de 2018, publicado na revista Ambio, detalha esse fenômeno. O texto é acessível através do arquivo dos Institutos Nacionais de Medicina. Os autores do estudo denominaram esses prados como “cofres de segurança”.

A camada de raízes da Posidonia oceanica retém sedimentos e eleva o fundo do mar. Esse processo mantém condições anóxicas no ambiente. A falta de oxigênio inibe a corrosão eletrolítica de metais não ferrosos, como o bronze.

O relatório observa taxas específicas de acumulação de sedimentos nesses prados. A variação registrada é de 0,6 a 5 milímetros anualmente. Com base nesses parâmetros técnicos, é possível estimar o tempo de selamento do tesouro.

O depósito das moedas romanas na Sardenha teria sido completamente selado dentro de duas a três décadas após a deposição. As moedas não foram apenas preservadas pelo ambiente. Elas foram efetivamente sepultadas pela vegetação marinha.

Análise comparativa com depósitos terrestres britânicos

Tesouros terrestres de período comparável oferecem um contraste analítico importante. O Tesouro de Seaton Down é o principal ponto de comparação. Este tesouro foi descoberto em Devon, na Inglaterra, no ano de 2013.

O material inglês foi analisado pelo Royal Albert Memorial Museum. O achado continha 22.888 nummi. As moedas estavam enterradas em um único saco de couro, próximo a uma estação de passagem romana.

Um exame detalhado do Tesouro de Seaton Down foi publicado em 2017. O estudo confirmou que as últimas moedas datavam de 348 d.C. Thomas Cadbury, curador assistente do museu, forneceu dados sobre o poder de compra da época.

O trabalhador agrícola com o salário mais baixo recebia cerca de um nummus por dia. Dois nummi compravam um jarro de vinho romano da pior qualidade. Um vinho de melhor qualidade custava oito nummi.

As moedas de Seaton Down tinham origens geográficas diversas. Foram produzidas em casas da moeda na Síria, Egito e Turquia. A maioria, no entanto, originou-se na Gália, similarmente ao achado da Sardenha.

A localização do tesouro inglês sugeriu aos investigadores que representava salários acumulados. Poderia também tratar-se de reservas de bens. O enterro coincidiu com um período de instabilidade política na Grã-Bretanha sob o imperador Constâncio II.

O imperador enviou o tabelião Paulus Catena para caçar partidários do usurpador Magnêncio. Um comentarista da análise do museu sugeriu que o tesouro pertencesse a um desses partidários. O dono provavelmente não sobreviveu ao expurgo realizado por Catena.

O tesouro de moedas romanas da Sardenha difere em aspectos contextuais fundamentais. É um depósito marítimo, não terrestre. Possui o dobro do tamanho do tesouro britânico de Seaton Down.

Além disso, não apresenta evidências de intenção do proprietário de recuperá-lo. O achado da Sardenha carece da especificidade política associada ao depósito britânico. Trata-se de uma perda acidental em trânsito, não de uma ocultação deliberada.

Contexto econômico e inflacionário das moedas romanas

O nummus foi concebido originalmente como uma solução econômica. Diocleciano, que governou de 284 a 305 d.C., herdou um império com moeda desvalorizada. A moeda de prata havia sido rejeitada pelo mercado.

O historiador Ralph W. Mathisen realizou uma análise abrangente das reformas de Diocleciano. O imperador tentou lidar com a inflação desenfreada e o declínio econômico. Medidas como o Édito de Preço Máximo foram implementadas.

Mathisen registra que esses esforços produziram resultados mistos. O édito fracassou em seus objetivos principais. As emissões de ouro e prata reintroduzidas não puderam ser sustentadas em larga escala.

O que sobreviveu foi o nummus de bronze. Por volta de 340 d.C., a confiança na moeda havia se deteriorado significativamente. Reconstruções de historiadores econômicos apontam para uma mudança nos métodos de remuneração estatal.

Soldados e funcionários públicos recebiam parcelas crescentes de remuneração em espécie. Grãos, óleo e tecidos eram entregues por meio do sistema de anona. O valor facial da moeda não era garantido pelo conteúdo metálico.

O depósito de moedas romanas na Sardenha foi cunhado uma geração após a abdicação de Diocleciano. Pode representar uma tentativa de converter uma forma de obrigação estatal em outra. As autoridades consideram duas possibilidades principais para a carga.

A embarcação poderia estar transportando receitas fiscais para pontos de distribuição. Alternativamente, poderia estar carregando moedas já rejeitadas pelas populações destinatárias. Essas populações poderiam ter preferido pagamentos em mercadorias.

O Ministério da Cultura italiano classificou todo o tesouro como propriedade do Estado. A decisão segue as leis nacionais de patrimônio cultural. Detalhes legais estão disponíveis no portal oficial do Ministério.

Não foram registradas reivindicações privadas sobre o tesouro. Os trabalhos de conservação e atribuição continuam em laboratórios nacionais. Espera-se que peças selecionadas sejam transferidas para museus regionais após 2026.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x