O megaprojeto de retomada do trem de passageiros no Norte de Santa Catarina deu um passo concreto nesta semana. Segundo o ndmais, a Câmara de Joinville aprovou a Moção nº 407/2026 pedindo prioridade nos estudos para implantação do transporte ferroviário, e representantes de três associações municipais estiveram em Brasília na quinta-feira (21) para solicitar ao Ministério dos Transportes e à ANTT a inclusão da ferrovia EF-485 nos estudos nacionais de viabilidade técnica, econômica e ambiental.
O megaprojeto ferroviário que pode transformar a mobilidade no Norte de Santa Catarina saiu das conversas informais e ganhou forma institucional. Representantes da Amunesc, da Amplanorte e da Amvali, apoiados pelo Consórcio Intermunicipal de Mobilidade Urbana, formalizaram na quinta-feira (21) o pedido ao Ministério dos Transportes e à ANTT para que o trecho da ferrovia EF-485 seja incluído nos estudos de viabilidade para transporte de passageiros no país. A linha tem 170 quilômetros de extensão e conecta Mafra a São Francisco do Sul, passando por cidades estratégicas como Rio Negrinho, São Bento do Sul, Corupá, Jaraguá do Sul, Guaramirim, Joinville e Araquari.
O megaprojeto atende uma região com mais de 1,6 milhão de habitantes distribuídos em 26 municípios que concentram parte significativa da produção industrial catarinense. O transporte ferroviário de passageiros foi desativado nessa linha há 35 anos, em 1991, quando a RFFSA encerrou o serviço das litorinas que faziam o percurso entre Corupá e São Francisco do Sul. Desde então, os trilhos são usados exclusivamente para transportar grãos até o Porto de São Francisco do Sul, e a população depende de rodovias predominantemente de pista simples que já operam acima da capacidade.
O que foi aprovado na Câmara de Joinville
Na terça-feira (19), a Câmara de Vereadores de Joinville aprovou a Moção nº 407/2026, apresentada pelo vereador Henrique Deckmann, do MDB. O documento pede que o Ministério dos Transportes e a ANTT priorizem os estudos para implantação do megaprojeto de transporte ferroviário de passageiros no Norte catarinense. A aprovação dá peso institucional a uma demanda que as associações de municípios já vinham articulando nos bastidores.
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Deckmann argumentou durante a sessão que o trem pode se tornar a solução para milhares de trabalhadores e estudantes que se deslocam diariamente entre municípios como Araquari, Joinville, Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul. O trajeto por rodovia entre essas cidades, feito em estradas de pista simples com trânsito pesado de caminhões, consome tempo e combustível que um sistema ferroviário de passageiros poderia reduzir drasticamente.
A ferrovia EF-485 e o potencial para passageiros

Foto: Divulgação/Prefeitura de Joinville/ND Mais
A EF-485 é a única linha ferroviária da Malha Sul em operação em Santa Catarina. Com 170 quilômetros, ela corta o interior do estado desde Mafra, no Planalto Norte, até São Francisco do Sul, no litoral, atravessando regiões montanhosas e vales que concentram polos industriais importantes. O megaprojeto propõe compartilhar essa infraestrutura existente com o transporte de passageiros, aproveitando trilhos que já estão lá mas são usados apenas para carga.
As associações destacaram ao governo federal que a região atendida pela ferrovia reúne mais de 1,6 milhão de habitantes e possui vocação industrial forte, com fábricas de motores, tubos, refrigeradores e componentes automotivos. A saturação das rodovias é visível: a BR-101 e as estaduais que conectam as cidades da região enfrentam congestionamentos diários, acidentes frequentes e um fluxo de caminhões que compete com veículos de passeio em pistas sem duplicação.
A reunião com a ANTT marcada para junho
O pedido formalizado em Brasília junto ao Fórum Parlamentar Catarinense já tem um desdobramento concreto: uma reunião entre as entidades municipais e a Agência Nacional de Transportes Terrestres foi agendada para 10 de junho. O objetivo é discutir a inclusão da EF-485 no escopo dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental que o governo federal conduz para mapear onde o transporte ferroviário de passageiros é viável no Brasil.
Até o momento, a EF-485 não está na lista de prioridades nacionais para o megaprojeto de implantação de trens de passageiros. A reunião de junho é a oportunidade para que as associações apresentem dados técnicos, informações sobre demanda potencial e argumentos econômicos que justifiquem a inclusão do trecho catarinense. Os representantes municipais reforçaram a disposição de colaborar com o fornecimento de informações e com a estruturação do projeto.
O que mudaria para quem vive na região

Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND Mais
A retomada do trem de passageiros no Norte catarinense teria impacto direto na vida de trabalhadores, estudantes e famílias que dependem de deslocamento intermunicipal diário. O megaprojeto prevê estações em cidades que funcionam como polos empregadores, permitindo que moradores de municípios menores acessem oportunidades de trabalho e educação sem depender de carro próprio ou ônibus intermunicipal.
A redução da sobrecarga nas rodovias é outro benefício esperado. Com parte dos passageiros migrando para o trem, o volume de veículos nas estradas diminuiria, reduzindo congestionamentos, acidentes e emissões de carbono. As entidades envolvidas na articulação argumentam que o transporte ferroviário de passageiros oferece uma alternativa mais sustentável, previsível e segura do que o modelo rodoviário que prevalece há 35 anos na ausência do trem.
Os obstáculos que o megaprojeto ainda precisa superar
A inclusão da EF-485 nos estudos nacionais é apenas o primeiro passo. Para que o megaprojeto saia do papel, será necessário autorização da ANTT, acordo com a concessionária que opera a linha para carga e investimento em infraestrutura de estações, sinalização e material rodante. Os leilões da Malha Sul, dividida em três lotes, estão previstos para o final de 2026, e a negociação sobre o compartilhamento da linha com passageiros precisará ser incluída nos contratos de concessão.
O desafio é conciliar o transporte de grãos, que tem prioridade na linha atual, com um serviço regular de passageiros que exige horários fixos, frequência e pontualidade. Outros países, como Alemanha e Japão, operam linhas compartilhadas com sucesso, mas no Brasil a experiência é limitada. O trem de passageiros da Vale entre Minas Gerais e Espírito Santo, citado como referência pelas associações de Santa Catarina, é um dos poucos exemplos em operação no país.
Você usaria um trem de passageiros para se deslocar entre cidades do Norte catarinense, ou prefere continuar no carro? Acha que o megaprojeto vai sair do papel ou vai ficar só na moção? Conta nos comentários.

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