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Aos 20 anos, Filipe trancou Artes Visuais na Ufes para restaurar bonecas e hoje transforma Barbies em obras de arte com mais de 400 peças e 1,2 milhão de seguidores

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 30/06/2026 às 20:11 Atualizado em 30/06/2026 às 20:19
Aos 20 anos, Filipe deixou Artes Visuais na Ufes e transformou Barbies restauradas em arte, coleção e sucesso nas redes.
Aos 20 anos, Filipe deixou Artes Visuais na Ufes e transformou Barbies restauradas em arte, coleção e sucesso nas redes.
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Restaurações cuidadosas, coleção em expansão e vídeos de transformação ajudam a explicar como um interesse de infância ganhou escala nas redes, aproximando arte, memória afetiva, colecionismo e debate sobre liberdade de brincar em uma trajetória fora do caminho acadêmico tradicional no Espírito Santo.

Luiz Filipe de Marchi Brito, morador de João Neiva, no Norte do Espírito Santo, transformou a restauração de bonecas em trabalho, produção de conteúdo e expressão artística, depois de interromper a graduação em Artes Visuais na Universidade Federal do Espírito Santo.

Aos 20 anos, ele trancou o curso para se dedicar às bonecas, e, em 2025, já reunia mais de 400 peças e alcançava mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais.

Com forte apelo visual, a trajetória ganhou visibilidade por unir uma decisão incomum de carreira a um nicho que mistura técnica manual, memória afetiva e vídeos de transformação acompanhados por públicos de diferentes idades.

Entre os modelos restaurados por Filipe estão Barbies, Monster High, Rainbow High, Bratz, LOL e outras bonecas, muitas delas antigas, danificadas ou incompletas, que aparecem nas publicações em processos de antes e depois.

Durante o período de isolamento da pandemia, ele começou a publicar conteúdos sobre bonecas ao mesmo tempo em que iniciava Artes Visuais na Ufes, segundo o UOL, até decidir focar na criação digital.

Coleção de bonecas começou na infância

Bem antes da repercussão nas redes, a coleção já fazia parte da vida de Filipe, que guarda bonecas desde 2012, quando tinha 10 anos, conforme relatou em entrevista ao UOL.

O primeiro contato com esse universo ocorreu na casa de uma amiga, onde ele podia brincar com liberdade, em uma fase marcada pela curiosidade infantil e por barreiras sociais ligadas ao gênero dos brinquedos.

Depois de insistir em casa, Filipe ganhou a primeira boneca, uma Monster High, peça que passou a representar o início de um acervo mantido por mais de uma década e ampliado com novas linhas.

Aos poucos, o interesse que antes ficava restrito ao quarto e à rotina pessoal ganhou outro alcance, principalmente quando os vídeos de restauração começaram a circular nas plataformas digitais.

Aos 20 anos, Filipe deixou Artes Visuais na Ufes e transformou Barbies restauradas em arte, coleção e sucesso nas redes.
Aos 20 anos, Filipe deixou Artes Visuais na Ufes e transformou Barbies restauradas em arte, coleção e sucesso nas redes.

Em 2023, a coleção reunia cerca de 380 bonecas, de acordo com o UOL, mas dois anos depois o Folha Vitória informou que o capixaba já tinha mais de 400 modelos.

Parte das peças fica exposta no quarto, enquanto outras permanecem guardadas na caixa por valor afetivo, raridade ou conservação, especialmente quando se trata de modelos procurados por colecionadores.

Com o crescimento do acervo, esse mesmo espaço passou a funcionar como cenário de trabalho, local de gravação, área de organização das peças e ambiente onde Filipe apresenta transformações ao público.

Restauração de Barbies exige técnica e paciência

Na restauração, o trabalho vai além da limpeza superficial, porque cada boneca pode exigir cuidado com cabelo sintético, roupa, manchas, acessórios perdidos e detalhes de acabamento ligados à aparência original.

Nos vídeos, Filipe mostra etapas de recuperação que ajudam o público a acompanhar a mudança de forma gradual, desde a chegada da peça danificada até a apresentação do resultado final.

O cabelo costuma estar entre as partes mais trabalhosas, já que fios embaraçados ou endurecidos precisam passar por limpeza, desembaraço e modelagem antes de recuperar a forma desejada.

Conforme relatado pelo UOL, ele utiliza água, shampoo e condicionador para deixar os fios maleáveis; depois, pode alisar ou enrolar com água quente, de acordo com o modelo restaurado.

Quando a boneca chega incompleta, roupas e acessórios também entram no processo, com busca por itens compatíveis, ajustes de figurino e reorganização do conjunto para preservar a coerência visual.

Além das restaurações de modelos clássicos, o Folha Vitória mostrou que Filipe também cria versões inspiradas em estados brasileiros, começando pelo Espírito Santo e usando as cores da bandeira capixaba.

@filipedmb

sim ela tem 6 braços e é a mais rara

♬ som original – Filipe

Bonecas, infância e liberdade de brincar

A história do capixaba repercutiu também por tocar em um debate sobre infância e gênero, já que Filipe relatou ter enfrentado a ideia de que bonecas seriam brinquedos destinados apenas a meninas.

Em entrevista ao UOL, ele resumiu essa experiência ao afirmar que “a sociedade nega bonecas para meninos”, frase que ajuda a explicar por que sua trajetória ultrapassa o colecionismo.

Esse aspecto aproxima o trabalho de pessoas que se identificam com memórias parecidas, especialmente aquelas que também conviveram com regras sociais rígidas sobre brincadeiras, comportamento e preferências na infância.

Ao Folha Vitória, o influenciador associou a própria trajetória à defesa de que “brinquedos não têm gênero”, posicionamento que aparece ligado à forma como apresenta sua coleção ao público.

A publicação também informou que ele recebe relatos de mães que passaram a se sentir mais confortáveis em dar bonecas a filhos homens depois de acompanharem seus vídeos nas redes.

Redes sociais transformaram hobby em trabalho

Na internet, a produção digital une restauração, narrativa visual e memória afetiva, porque muitos seguidores acompanham cada transformação como a recuperação simbólica de objetos que marcaram a infância.

Além das compras feitas para a própria coleção, Filipe recebe bonecas de seguidoras, amigas e pessoas que preferem ver as peças restauradas a deixá-las esquecidas em caixas ou armários.

Ao publicar o resultado, ele devolve ao público um registro visual da transformação, criando uma conexão entre quem enviou a peça, quem acompanha o processo e a memória ligada ao brinquedo.

A interrupção do curso de Artes Visuais não significou afastamento da criação artística, pois o trabalho com bonecas envolve composição, cor, figurino, proporção, pesquisa de referência e acabamento.

Com o avanço da presença digital, cada restauração passou a exigir planejamento, gravação e edição, além do cuidado manual necessário para preservar modelos com valor sentimental, histórico ou de coleção.

Na prática, a experiência mostra como nichos muito específicos podem se transformar em carreira digital quando reúnem técnica, identidade e constância, sem depender de caminhos profissionais tradicionais.

No caso de Filipe, a restauração de Barbies e outras bonecas deixou de ser apenas um passatempo e passou a ocupar um espaço próprio entre colecionismo, arte e comunicação.

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Léia Soares de Faria
Léia Soares de Faria
30/06/2026 20:44

Sou apaixonada por

Léia Soares de Faria
Léia Soares de Faria
Em resposta a  Léia Soares de Faria
30/06/2026 20:51

Sou apaixonada pela boneca Barbie, não tenho nenhuma mas vou tentar conseguir uma ,tenho uma Suzi que tem feições de uma adolescente tenho desde 2002 e está na caixa .gostaria de conhecer as suas Barbies !

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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