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Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 2 comentários

Marinha do Brasil muda de patamar ao assumir aeroporto com pista de 1.600 metros usada por 1.800 militares e testes de drone de ataque autônomo

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 02/04/2026 às 20:33
Atualizado em 02/04/2026 às 20:36
Marinha assume antigo aeroporto de Furnas em Minas Gerais e amplia operações militares, logísticas e de apoio no Lago de Furnas.
Marinha assume antigo aeroporto de Furnas em Minas Gerais e amplia operações militares, logísticas e de apoio no Lago de Furnas.
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Acordo consolida presença militar no Lago de Furnas, amplia capacidade logística e abre caminho para uso compartilhado do aeroporto em Minas Gerais, com impacto em operações de defesa, resposta a emergências e integração regional.

A Marinha do Brasil deu um passo para consolidar sua presença no Lago de Furnas com a assinatura, em 30 de março de 2026, de um protocolo de intenções para a doação definitiva do antigo aeroporto de Furnas, em São José da Barra, no Sul de Minas.

O acordo envolve o Corpo de Fuzileiros Navais, a Axia Energia, a Associação dos Municípios do Lago de Furnas e a prefeitura local, e formaliza a estrutura que já vinha sendo usada pela força como Base Aérea Expedicionária desde 2022.

A assinatura ocorreu na Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, e reforça o papel estratégico da área para operações militares, resposta a emergências e apoio à população do entorno do reservatório.

Na prática, o local vinha sendo empregado pela Marinha em exercícios e ações interagências, mas o novo acordo amplia a segurança institucional para a continuidade dessas atividades.

A estrutura disponível em São José da Barra é um dos pontos centrais da operação.

O complexo reúne pista de pouso, hangar, abastecimento e acesso asfaltado até a sede do município, o que facilita o deslocamento de tropas, equipamentos e aeronaves em uma região distante do litoral, mas considerada relevante para a doutrina expedicionária dos Fuzileiros Navais.

Base aérea de Furnas ganha respaldo oficial da Marinha

Marinha assume antigo aeroporto de Furnas em Minas Gerais e amplia operações militares, logísticas e de apoio no Lago de Furnas. crédito: Reprodução / Marinha
Marinha assume antigo aeroporto de Furnas em Minas Gerais e amplia operações militares, logísticas e de apoio no Lago de Furnas. crédito: Reprodução / Marinha

Embora o anúncio tenha sido tratado como um marco, a presença da Marinha no antigo aeroporto não começou agora.

Desde 2022, o espaço vinha sendo operado como Base Aérea Expedicionária em apoio aos treinamentos anuais da Operação Furnas e a outras atividades ligadas à segurança da navegação, à defesa civil e à integração com órgãos públicos da região.

A formalização ocorre em um contexto mais amplo de expansão do uso militar do lago.

A Marinha sustenta que o reservatório oferece condições favoráveis para adestramentos de operações ribeirinhas, emprego de blindados anfíbios, ações aéreas com helicópteros e aviões, infiltrações táticas e salto de paraquedas.

Em declaração divulgada pela força, o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, almirante de esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, afirmou que a área reúne “condições excepcionais” para integrar diferentes tipos de operação e apoiar atividades de interesse da Defesa Nacional.

A localização também pesa nessa estratégia.

Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a base fica a cerca de 700 quilômetros de Brasília, distância considerada compatível com deslocamentos aéreos rápidos.

Esse fator é apresentado pela Marinha como uma vantagem logística para projetar meios e pessoal com rapidez no interior do país.

Importância estratégica do Lago de Furnas cresce após tragédia

O interesse militar pela região se intensificou nos últimos anos e ganhou novo impulso após a tragédia de Capitólio, em 8 de janeiro de 2022, quando o desmoronamento de um paredão de rocha atingiu embarcações no Lago de Furnas e matou 10 pessoas.

O episódio expôs a necessidade de reforço em estruturas de apoio, monitoramento e capacidade de resposta em uma área com intenso tráfego turístico e náutico.

Além disso, a atuação da Marinha em rios, lagos e demais águas sob jurisdição nacional tem respaldo legal na legislação que rege a segurança do tráfego aquaviário.

A força é responsável por ações de inspeção naval voltadas à segurança da navegação, à salvaguarda da vida humana e à prevenção da poluição por embarcações, o que ajuda a explicar o peso dado pela instituição ao Lago de Furnas.

O reservatório também chama atenção pelas dimensões.

Fontes recentes descrevem o Lago de Furnas como um dos maiores espelhos d’água do país, com extensão de aproximadamente 5,4 mil quilômetros e volume equivalente a cerca de 11 baías de Guanabara.

Essa escala transforma a área em um ambiente propício para treinamento de embarcações e para exercícios combinados de mobilidade, apoio aéreo e operações anfíbias.

Operação Furnas mobiliza militares e países parceiros

A principal expressão desse uso militar é a Operação Furnas, realizada anualmente pela Marinha em São José da Barra.

Na edição de 2025, encerrada em 30 de outubro, o exercício mobilizou cerca de 1.800 militares, com emprego de embarcações, helicópteros, aviões de caça, drones, veículos blindados e meios anfíbios, em uma das maiores ações militares recentes em Minas Gerais.

Os dados oficiais mostram ainda participação internacional.

Ao contrário da informação inicial de que o treinamento reuniu 10 nações amigas, a Marinha informou a presença de 52 militares de nove países — Arábia Saudita, Camarões, Chile, França, Itália, México, Moçambique, Portugal e Reino Unido — além de um representante da Junta Interamericana de Defesa.

A operação teve foco em operações ribeirinhas, missões de paz e treinamentos interagências.

Foi durante essa edição que a força concluiu testes de voo de sua primeira aeronave tática remotamente pilotada, descrita pela própria Marinha como um drone de ataque com navegação autônoma e desenvolvimento militar.

O equipamento foi apresentado como parte do esforço de modernização tecnológica associado à base instalada em Furnas.

Uso compartilhado e impactos para a região de São José da Barra

O protocolo assinado em março de 2026 não se limita ao uso estritamente militar.

A documentação divulgada pela Marinha e por veículos regionais indica a possibilidade de uso compartilhado da estrutura, com perspectiva de futura concessão voltada também a atividades de aviação civil, em coordenação com os municípios da região.

Segundo reportagem publicada em 2 de abril, o cronograma oficial previa a conclusão do processo de concessão até o fim de junho de 2026.

Esse ponto ajuda a explicar o envolvimento da Associação dos Municípios do Lago de Furnas e da prefeitura de São José da Barra.

A expectativa regional é que a regularização do aeroporto amplie tanto a capacidade logística da Marinha quanto as possibilidades de circulação de cargas e passageiros, desde que as etapas administrativas e operacionais previstas sejam concluídas.

Enquanto isso, a presença da força na região já tem reflexos em outras frentes.

Em ações cívico-sociais realizadas durante a Operação Furnas 2025, a Marinha ofereceu atendimentos médicos e odontológicos, vacinação, atividades educativas e demonstrações de tecnologias de apoio à população.

A programação integrou ainda articulações com defesa civil, bombeiros, polícias e outros órgãos públicos em simulações práticas de desastres.

A combinação entre adestramento militar, apoio emergencial e possibilidade de uso compartilhado consolida São José da Barra como um ponto de interesse permanente para a Marinha no interior do país.

Com a formalização do protocolo, o antigo aeroporto de Furnas deixa de ser apenas uma base utilizada por conveniência operacional e passa a ocupar lugar mais estável na estratégia da força para o Sudeste e para as águas interiores brasileiras.

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Emerson Luciano da Rosa Cezimbra
Emerson Luciano da Rosa Cezimbra
05/04/2026 18:13

Muito bom! as forças armadas tem que ocupar pontos estratégicos do Brasil pra melhor defende-lo !😉

Luiz Almeida
Luiz Almeida
04/04/2026 21:48

Mas o salário não atrai, militares das FFAA brasileiras têm o pior salário.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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