A BAIC confirmou que terá fábrica própria no Brasil e quer chegar ao grupo das dez montadoras mais vendidas até 2028, com novos carros e expansão da rede.
A chinesa BAIC decidiu ampliar o tamanho de sua aposta no mercado brasileiro antes mesmo de começar as vendas regulares de seus primeiros automóveis. Durante o Festival Interlagos, em São Paulo, executivos confirmaram que a empresa terá fábrica própria no Brasil e estabeleceram como meta colocar a marca entre as dez montadoras com maior volume de vendas do país até 2028.
A operação comercial começa bem antes da produção nacional. Os primeiros carros terão pré-venda aberta em outubro e a previsão é que cheguem às lojas em dezembro. A empresa prepara também uma rede de distribuição que deverá alcançar 50 concessionárias, estrutura considerada necessária para sustentar a expansão planejada para os próximos anos.
Primeiro carro terá 459 litros de porta-malas
A estreia da BAIC será feita com um hatch totalmente elétrico. O ArcFox T1 mede 4,33 metros de comprimento, mas um de seus números de maior destaque está na capacidade para bagagens: são 459 litros de porta-malas.
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Na parte mecânica, a bateria tem capacidade de 42 kWh. A potência do motor instalado no eixo dianteiro chega a 95 cv, enquanto a autonomia projetada segundo o padrão brasileiro de medição fica em aproximadamente 350 quilômetros.
O T1 coloca a fabricante diretamente em uma faixa já ocupada pelo BYD Dolphin. A aposta na linha ArcFox mostra que a eletrificação será utilizada como porta de entrada da BAIC no país, embora o planejamento posterior envolva veículos com propostas diferentes.
Fábrica será parte de uma operação construída para permanecer no país
A confirmação de uma fábrica própria muda a dimensão do projeto brasileiro. A companhia não detalhou, nas informações apresentadas, onde ficará a unidade nem quando a produção deverá começar, mas deixou claro que a instalação faz parte dos próximos passos da operação nacional.
Oswaldo Ramos, que assumiu a função de COO da BAIC International no Brasil, explicou que a empresa está preparando a infraestrutura necessária para iniciar sua atuação comercial. A entrada no país é resultado de mais de um ano de planejamento, período utilizado para avaliar como o portfólio internacional poderia ser ajustado ao consumidor brasileiro.
A produção local se encaixa em uma estratégia que não pretende permanecer restrita a poucos modelos importados. Até 2028, a BAIC planeja colocar dez lançamentos no mercado, quantidade que ajuda a dimensionar a ambição de disputar espaço com fabricantes já estabelecidas.

ArcFox T5 eleva potência para 272 cv
Outro elétrico previsto para o Brasil é o ArcFox T5. O crossover é maior que o hatch escolhido para a estreia e chega a 4,76 metros de comprimento, assumindo uma posição superior dentro da família de veículos elétricos da empresa.
Seu motor entrega 272 cv. Na recarga, a configuração atualizada para a linha 2026 aceita potência de até 230 kW em carregadores rápidos, característica que diferencia o modelo menor que abrirá as vendas da marca.
A chegada do T5 ainda faz parte do processo de construção de uma gama mais ampla. Em vez de depender de um único segmento, a fabricante pretende distribuir seus lançamentos por categorias distintas conforme sua presença comercial avance.
SUV de 409 cv está entre os próximos lançamentos
A BAIC também planeja usar no Brasil veículos eletrificados que não pertencem à linha ArcFox. Entre eles está o BJ30, SUV com potência declarada de 409 cv, previsto no cronograma dos próximos dois anos.
As picapes aparecem em outra etapa da expansão, ampliando o alcance da fabricante para além dos carros de passeio inicialmente escolhidos. Veículos utilitários esportivos equipados com tração integral também estão incluídos nos planos para o mercado nacional.
Essa diversificação será decisiva para a tentativa de alcançar o grupo das dez marcas mais vendidas até 2028. Para isso, a empresa precisará transformar a estreia dos elétricos em uma operação capaz de atender diferentes perfis de consumidores.
Enquanto prepara essa estrutura, a BAIC terá de ampliar simultaneamente produtos e pontos de venda. A previsão de dez lançamentos estabelece uma renovação rápida do portfólio, enquanto as 50 concessionárias deverão dar suporte à presença física da marca.
A estreia comercial prevista para o fim de 2026 será, portanto, apenas o primeiro teste desse projeto. Com elétricos abrindo caminho, uma fábrica já confirmada e uma meta definida para 2028, a BAIC chega ao Brasil com planos que vão além de simplesmente colocar seus primeiros automóveis nas lojas.
