Gripen F foi apresentado pela Saab na Suécia com participação brasileira no desenvolvimento, dois assentos, desempenho supersônico e previsão de uso pela Força Aérea Brasileira em treinamento avançado e missões operacionais dentro do programa de renovação da aviação de caça.
A Saab apresentou em 2 de junho de 2026, em Linköping, na Suécia, o primeiro Gripen F, versão biposto do caça F-39 desenvolvida para a Força Aérea Brasileira com participação da indústria nacional.
Com capacidade para dois tripulantes, a aeronave poderá ser usada em treinamento e em missões operacionais, dentro do programa de renovação da aviação de caça da FAB firmado com a fabricante sueca.
O modelo atende a uma demanda brasileira prevista no contrato assinado com a Saab para a aquisição de 36 caças Gripen, distribuídos entre versões monoposto e biposto.
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Ao todo, o acordo inclui 28 unidades do Gripen E, projetado para um piloto, e oito unidades do Gripen F, configurado para a atuação simultânea de dois militares a bordo.
A cerimônia de apresentação reuniu o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, além de executivos da Saab envolvidos no programa.
O evento marcou mais uma etapa do cronograma do Gripen brasileiro, que envolve transferência de tecnologia, treinamento de profissionais e participação de empresas nacionais no desenvolvimento e na produção de componentes.
Gripen F terá uso em treinamento e missões operacionais
Projetada com dois assentos, a versão Gripen F permite que pilotos em formação passem por treinamento em uma aeronave operacional, e não apenas em simuladores ou equipamentos de solo.

Durante o voo, um tripulante pode ficar responsável pela condução da aeronave, enquanto o outro acompanha navegação, sensores, sistemas embarcados e informações ligadas ao cenário da missão.
Essa configuração permite à FAB empregar o caça em etapas de formação de pilotos e também em operações que exigem divisão de tarefas dentro da cabine.
Além de ser usado no treinamento de novos pilotos, o Gripen F também foi projetado para missões de combate, mantendo características técnicas da família Gripen E/F, incluindo desempenho supersônico e integração com sistemas de guerra aérea.
De acordo com a Saab, a versão biposto combina treinamento avançado e capacidade operacional, com um segundo cockpit independente para acompanhamento das atividades em voo.
Na avaliação apresentada pela fabricante, essa configuração permite ao instrutor atuar em condições reais de missão, sem transformar a aeronave apenas em uma plataforma dedicada ao treinamento.
Participação brasileira envolveu empresas e engenheiros nacionais
O desenvolvimento do Gripen F contou com engenheiros e técnicos brasileiros, além da participação de empresas como Embraer, Akaer e AEL Sistemas em diferentes etapas do programa.
Parte dos profissionais brasileiros trabalhou na Suécia durante o projeto, em um intercâmbio tecnológico previsto no acordo firmado entre o Brasil e a Saab.
Apesar da semelhança visual com a versão para um piloto, o Gripen F exigiu alterações estruturais em relação ao Gripen E, principalmente pela inclusão do segundo assento.
A aeronave é 66 centímetros mais longa que o Gripen E, com 15,9 metros de comprimento e 8,6 metros de envergadura, segundo dados divulgados pela fabricante.
A velocidade máxima informada para a família Gripen E/F chega a aproximadamente 2.470 km/h, marca equivalente a cerca de duas vezes a velocidade do som.
Fredrik Gustafson, diretor global de desenvolvimento de negócios e vendas da Saab, afirmou que a diferença de tamanho obrigou a reavaliação de áreas essenciais do projeto.
Segundo o executivo, em uma aeronave militar, uma mudança de 66 centímetros exige novos estudos de carga estrutural, redistribuição de equipamentos internos, revisão de tubulações, fiação e sistemas.

A Saab informou que o desenvolvimento da versão biposto levou cerca de três anos e teve participação relevante de profissionais brasileiros em atividades de engenharia.
Conforme dados apresentados pela fabricante durante a divulgação do caça, parte expressiva do trabalho técnico do Gripen F foi conduzida por equipes ligadas ao programa brasileiro.
Contrato do Gripen prevê produção parcial em São Paulo
O programa Gripen brasileiro avançou após a escolha da Saab no processo F-X2, concorrência aberta para renovar a frota de caças da Força Aérea Brasileira.
A decisão foi anunciada em 2013, e o contrato entrou em vigor no ano seguinte, com previsão de transferência de tecnologia e produção de parte das aeronaves no Brasil.
Pelo acordo, 15 dos 36 caças contratados serão produzidos na linha instalada no complexo da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
A linha brasileira foi inaugurada em maio de 2023 e passou a integrar a estrutura industrial ligada ao Gripen fora da Suécia, em cooperação com a Saab.
Em 25 de março de 2026, Saab, Embraer e FAB apresentaram o primeiro Gripen E produzido no Brasil, também nas instalações de Gavião Peixoto.
Na ocasião, as empresas informaram que a aeronave fazia parte do cronograma de produção nacional previsto no contrato assinado com o governo brasileiro.
Embora o Gripen E tenha produção prevista no Brasil, a versão F não deverá ser fabricada no país neste primeiro contrato, de acordo com informações apresentadas pela Saab.
A justificativa da empresa está relacionada à escala industrial, já que o número de unidades biposto encomendadas pela FAB é menor do que o da versão monoposto.
Centro de pesquisa é discutido em São José dos Campos
Durante a agenda relacionada à apresentação do Gripen F, autoridades brasileiras e representantes da Saab também trataram da criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em São José dos Campos, no interior paulista.
A proposta, formalizada por meio de memorando de entendimento, prevê ampliar a cooperação tecnológica em torno do programa Gripen e de atividades ligadas à indústria de defesa.
José Múcio afirmou que os investimentos realizados no programa envolvem, além da área militar, formação de mão de obra qualificada e oportunidades econômicas ligadas ao setor aeronáutico.
O ministro também declarou que há conversas para a criação de uma estrutura de pesquisa com foco em desenvolvimento industrial, tecnologia e inteligência artificial.
Micael Johansson, presidente da Saab, classificou o projeto do Gripen F como parte de uma transferência de tecnologia em andamento entre a empresa sueca e o Brasil.
Segundo a fabricante, a cooperação com a indústria brasileira busca apoiar a operação dos caças ao longo dos anos e manter capacidades técnicas associadas ao programa.
A criação do centro ainda depende de etapas posteriores, mas o memorando de entendimento indica a intenção das partes de aprofundar a cooperação tecnológica.
Entre os focos previstos estão capacidades operacionais do Gripen, desenvolvimento tecnológico e apoio à manutenção da aeronave durante seu ciclo de vida.
Colômbia e Tailândia aparecem entre os clientes do Gripen
O Gripen F tem demanda mais limitada do que a versão monoposto, já que a adoção de caças biposto depende da organização de treinamento e operação de cada força aérea.
Micael Johansson afirmou que diferentes países estruturam de maneiras distintas a formação de pilotos, o que influencia a procura por versões de dois assentos.
Além do Brasil, Colômbia e Tailândia aparecem entre os compradores da família Gripen E/F, de acordo com informações divulgadas pela Saab sobre contratos internacionais.
O governo colombiano encomendou 17 caças Gripen, incluindo 15 unidades Gripen E e duas unidades Gripen F, com entregas previstas entre 2026 e 2032.
A Tailândia também contratou aeronaves da família Gripen E/F, em um acordo anunciado pela Saab em 2025 e vinculado à modernização da frota local.
Há tratativas sobre eventual participação da estrutura brasileira em entregas internacionais, mas a produção de Gripen destinados à Colômbia no Brasil ainda depende de confirmação formal.
A Suécia, que opera versões anteriores do Gripen, ainda não confirmou a compra do Gripen F, embora autoridades suecas tenham admitido conversas sobre o tema.
Para o Brasil, a versão F acrescenta ao programa Gripen uma aeronave de dois assentos voltada ao treinamento e a missões operacionais, desenvolvida com participação direta da indústria nacional.

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