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Pela primeira vez na história, 900 famílias quilombolas e ribeirinhas no Marajó vão ter luz — equipes levam painéis solares de barco até comunidades sem estrada

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 07/05/2026 às 09:30
Atualizado em 07/05/2026 às 09:32
Painéis para luz solar no Marajó chegando de barco a uma comunidade ribeirinha
No arquipélago do Marajó, equipes levam painéis solares em barcos pelo rio até comunidades quilombolas e ribeirinhas. O programa Mais Luz para a Amazônia atende 900 famílias.
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Em comunidades quilombolas e ribeirinhas do arquipélago do Marajó, no Pará, 900 famílias estão tendo o primeiro contato com a luz da rede via energia solar. Como não há estradas, os painéis chegam de barco — em uma operação que mostra o tamanho do problema energético da Amazônia.

De acordo com a Energisa, distribuidora responsável pela região, a luz solar no Marajó está sendo levada via Programa Mais Luz para a Amazônia.

Conforme registrou a empresa, são 900 famílias atendidas em comunidades sem rede elétrica até hoje.

Segundo o Portal Solar, o programa federal foi estendido até 2030 — sinal de que o problema não tem solução de curto prazo.

Por isso, a operação combina logística fluvial e instalação técnica em locais onde o caminho é o rio.

Para efeito de comparação, é o mesmo arquipélago que aparece em outras coberturas do portal — como a recente sobre Angra 3 parada há 39 anos com R$ 1 bilhão saindo por ano.

Da mesma forma, o paradoxo é nítido: o Brasil é o oitavo maior produtor de energia do mundo e ainda tem comunidades inteiras sem qualquer ponto de luz.

Painéis para luz solar no Marajó chegando de barco a uma comunidade ribeirinha
No arquipélago do Marajó, equipes levam painéis solares em barcos pelo rio até comunidades quilombolas e ribeirinhas. O programa Mais Luz para a Amazônia atende 900 famílias.

Como o Mais Luz chega às comunidades do Marajó sem estrada

O arquipélago do Marajó, no Pará, é o maior arquipélago flúvio-marítimo do mundo.

Em consequência, comunidades quilombolas e ribeirinhas vivem em ilhas conectadas só por canal e mata.

De acordo com a Litro de Luz Brasil, equipes carregam painéis em barcos pelo rio até cada quintal.

Em seguida, os técnicos instalam o sistema na casa, treinam o morador e seguem para a próxima comunidade.

Conforme a Energisa, cada conjunto inclui módulo fotovoltaico, bateria, controlador de carga e tomadas básicas.

Por isso, geladeira, lâmpadas, telefone celular e ventilador deixam de depender de gerador a diesel ou querosene.

Da mesma forma, escolas e postos de saúde locais entram no escopo do programa.

O Programa Mais Luz para a Amazônia: o que é e quem paga

O programa foi criado pelo governo federal para estender a rede de eletricidade a localidades isoladas da Amazônia Legal.

Conforme o Portal Solar, foi estendido até 2030, depois de já ter passado pela vigência original de 2026.

Como resultado, distribuidoras como a Energisa, junto com o Ministério de Minas e Energia, executam a entrega na ponta.

Além disso, organizações como a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e a parceria internacional GEAPP atuam em projetos-piloto.

De fato, durante a COP30, a FAS reforçou a urgência do acesso a energia na Amazônia como condição básica para qualquer agenda climática regional.

Portanto, o desenho técnico do programa é simples — equipamento solar autônomo por residência —, mas a logística é complexa.

Painéis solares fotovoltaicos instalados em casa de madeira na Amazônia
Cada conjunto entrega módulo fotovoltaico, bateria, controlador de carga e tomadas básicas — o suficiente para geladeira, lâmpadas, celular e ventilador.

Quilombolas e ribeirinhos: as duas populações que ainda esperam

O Marajó tem comunidades quilombolas reconhecidas oficialmente desde os anos 2000.

Por outro lado, ribeirinhos compõem o grupo mais numeroso, vivendo de pesca, mandioca e açaí.

Segundo registros de campo da Litro de Luz, muitas dessas famílias passaram a vida inteira sem acesso à rede.

De acordo com a Câmara dos Deputados, debates recentes na Comissão de Minas e Energia confirmaram a meta de 2030 para conclusão.

Em seguida, a parceria com a empresa Copa Energia e organizações como a FAS reforçam o pacote de financiamento.

Da mesma forma, a inovação circular chegou às comunidades em abril de 2026, com programas de reaproveitamento de equipamentos solares antigos.

O paradoxo: 8º maior produtor do mundo, com comunidades sem luz

O Brasil tem matriz energética de 83% renovável, segundo dados oficiais do setor.

Por outro lado, parte do território está literalmente fora da rede elétrica.

Como mostrou recentemente o portal, há comunidades do Nordeste cobrando regulamentação dos parques eólicos — um problema parecido em outra ponta do país.

Conforme dados da FAS apresentados na COP30, milhões de brasileiros ainda dependem de gerador a diesel ou querosene.

Como consequência, custo de combustível, logística cara e poluição em ambiente fechado fazem parte do cotidiano dessas famílias.

Nesse sentido, a luz solar no Marajó deixa de ser apenas tecnologia.

Vira política pública com peso humano direto — algo que se sente na geladeira que liga e na lâmpada que acende quando chega a noite.

Equipe instala sistema solar em comunidade quilombola do Marajó
Cada instalação no Marajó passa por uma etapa de treinamento do morador. Escolas e postos de saúde locais também entram no escopo do programa.

O que muda no dia a dia quando o Mais Luz chega no Marajó

Antes do sistema, a noite obrigava as famílias a usar lampião, vela ou gerador caro.

Em seguida, as crianças passaram a estudar até mais tarde.

Conforme depoimentos coletados pela Litro de Luz, o impacto é imediato em três frentes:

  • Conservação de alimentos por refrigeração elétrica simples
  • Carregamento de celular sem precisar de viagem até a sede do município
  • Estudo noturno e atividade econômica local com iluminação básica
  • Acesso a postos de saúde funcionando à noite em emergências

Da mesma forma, o consumo de diesel e querosene cai a quase zero.

Por isso, a operação reduz tanto o custo doméstico quanto a fumaça dentro de casa, com efeitos diretos na saúde respiratória.

FAS, COP30 e a pressão internacional sobre a Amazônia

A Fundação Amazônia Sustentável é uma das organizações mais ativas na advocacy pelo tema.

Conforme registrou a FAS, durante a COP30 a entidade reforçou a urgência do acesso a energia como condição climática.

Em consequência, o programa virou pauta de cooperação internacional, atraindo recursos da iniciativa GEAPP.

Da mesma forma, a participação da Litro de Luz Brasil mostra a presença de organizações da sociedade civil na execução técnica.

De acordo com a Energisa, a operação no Marajó é um dos pilotos mais visíveis do conjunto.

Barco com painéis solares para o Programa Mais Luz para a Amazônia
A logística do programa depende de barcos. O Marajó é o maior arquipélago flúvio-marítimo do mundo.

O que ainda não está resolvido na luz solar do Marajó

Por outro lado, alguns dados merecem cuidado.

O número de 900 famílias é o universo do recorte mais recente da Energisa, mas a demanda total no Marajó é maior.

Além disso, manutenção pós-instalação é um desafio aberto — baterias precisam de troca em prazo médio.

Conforme registros do setor, falta clareza sobre quem custeia a substituição em comunidades sem grid comercial.

Ainda assim, depois de décadas em que esses ribeirinhos e quilombolas viam a rede elétrica chegar perto sem chegar até eles, o momento atual representa virada concreta — só que parcial.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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