1. Início
  2. / Economia
  3. / Mais de 40 milhões de brasileiros estão se afundando nas dívidas do cartão de crédito e endividamento já atinge 80,4% das famílias brasileiras
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Mais de 40 milhões de brasileiros estão se afundando nas dívidas do cartão de crédito e endividamento já atinge 80,4% das famílias brasileiras

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 21/04/2026 às 12:52
Atualizado em 21/04/2026 às 12:54
Mais de 40 milhões de brasileiros estão se afundando nas dívidas do cartão de crédito e endividamento já atinge 80,4% das famílias brasileiras
Com juros médios de 435,9% ao ano no rotativo, bancos pressionam quem atrasa a fatura, enquanto o endividamento avança e já alcança 80,4% das famílias brasileiras.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Com juros médios de 435,9% ao ano no rotativo, bancos pressionam quem atrasa a fatura do cartão de crédito, enquanto o endividamento avança e já alcança 80,4% das famílias brasileiras.

O cartão de crédito virou um sufoco para milhões de brasileiros. Em fevereiro de 2026, os juros médios do crédito rotativo subiram para 435,9% ao ano, a linha mais cara do sistema financeiro, num patamar perto de 30 vezes a Selic, hoje em 14,75%. É essa cobrança que entra em cena quando o cliente não paga o valor total da fatura no vencimento e passa a rolar a dívida com o banco. 

O tamanho do buraco já aparece nos números. Dados citados pelo Banco Central mostram que cerca de 40 milhões de pessoas estavam no rotativo em janeiro, com inadimplência de 63,5% nessa modalidade.

Ao mesmo tempo, Gabriel Galípolo afirmou que o país tem algo em torno de 100 milhões a 101 milhões de usuários ativos de cartão de crédito, e que esse instrumento responde por uma fatia relevante do endividamento das famílias. 

O cartão de crédito virou renda extra para muita gente

O alerta do Banco Central vai além da taxa absurda. Galípolo disse que muita gente está usando linhas emergenciais, como o rotativo, não como saída pontual, mas como extensão da própria renda.

Quando isso acontece, o cartão deixa de ser meio de pagamento e vira uma armadilha permanente, com juros que crescem rápido demais para quem já está apertado. 

Essa pressão bate em um país já estrangulado pelas dívidas. Em março de 2026, a PEIC da CNC mostrou que 80,4% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida, novo recorde da série.

Desse total, 29,6% estavam com contas em atraso, e 12,3% diziam não ter condições de pagar o que deviam. O cartão segue como o principal motor desse aperto. 

O teto imposto em 2024 não resolveu o problema

Em janeiro de 2024, entrou em vigor a regra que limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor principal da dívida. Na prática, uma dívida original de R$ 100 não pode virar mais de R$ 200 com juros e encargos, sem contar IOF.

A medida tentou conter o descontrole, mas não derrubou de forma relevante o custo nominal do rotativo, que segue acima de 400% ao ano. 

O descompasso tem explicação. O teto reduz o tamanho final da explosão, mas não muda o fato de que o rotativo continua sendo oferecido a taxas brutais.

Pelas regras atuais, os bancos ainda precisam apresentar ao cliente alternativas mais vantajosas, como o parcelamento da dívida, em até 30 dias após a inadimplência. Mesmo assim, o custo segue sufocando quem já entrou atrasado. 

Lula entrou no assunto, mas o BC rejeita tabelar o juro

A escalada do endividamento já virou problema político. Em março, Lula pediu ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central estudos para aliviar a dívida das famílias e buscar alternativas para reduzir o peso do rotativo.

Galípolo, porém, sinalizou resistência a um novo tabelamento direto das taxas e disse que o BC prefere criar opções de crédito mais adequadas, para evitar que o controle de preços reduza ainda mais a oferta de crédito. 

O resultado é um retrato duro do crédito no Brasil: os bancos continuam cobrando uma das taxas mais pesadas do mercado, milhões de brasileiros seguem presos nas dívidas do cartão de crédito, e o governo ainda procura uma saída que não chegue tarde demais para quem já está no vermelho. 

Comente se você acha que o governo deveria mexer de novo nas regras do rotativo e compartilhe este artigo com quem acompanha economia, juros e o peso das dívidas no bolso dos brasileiros.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x