1. Início
  2. Curiosidades
  3. Maior teia de aranha do mundo: com 106 m² cobertos por seda e gases sulforosos, formação oculta intriga cientistas ao abrigar colônia inédita de predadores
Faça um comentário 5 min de leitura

Maior teia de aranha do mundo: com 106 m² cobertos por seda e gases sulforosos, formação oculta intriga cientistas ao abrigar colônia inédita de predadores

Imagem de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 26/11/2025 às 13:59
Assista o vídeoTeia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.
Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Uma enorme formação de seda em caverna europeia revela comportamento coletivo raro em aranhas e chama atenção de pesquisadores pela dimensão e pelas condições extremas do ambiente.

Escondida em uma caverna sulfurosa na fronteira entre a Grécia e a Albânia, uma teia com cerca de 106 m² abriga aproximadamente 110 mil aranhas e foi descrita por pesquisadores como uma das maiores estruturas do tipo já registradas.

O emaranhado de fios aparece em um artigo publicado na revista científica Subterranean Biology, que também aponta um comportamento considerado incomum em duas espécies de aranhas domésticas.

A estrutura ocupa um longo trecho de parede em um corredor baixo e escuro da chamada Sulfur Cave, área onde circula um riacho rico em compostos de enxofre e gases como o hidrogênio sulfeto.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre calor, umidade e vapores sulfurosos cria condições que favorecem um ecossistema subterrâneo sustentado por microrganismos dependentes da energia química do enxofre.

Formação gigante de teias na Sulfur Cave

Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.
Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.

De acordo com o estudo, a formação não é uma única teia contínua, mas um conjunto de milhares de pequenas teias em forma de funil, interligadas.

Cada funil funciona como ponto de espera para captura de presas que circulam pela galeria da caverna.

As medições indicam que o conjunto cobre cerca de 106 metros quadrados ao longo da parede.

Estimativas obtidas a partir de amostragens indicam aproximadamente 69 mil indivíduos da espécie Tegenaria domestica e mais de 42 mil da espécie Prinerigone vagans, ambas comuns em ambientes domésticos europeus.

Alguns trechos do emaranhado se desprendem da rocha pelo peso, formando dobras de seda que se projetam no espaço da galeria.

Pesquisadores afirmam que esse comportamento cria uma estrutura em expansão contínua.

Comportamento não habitual em aranhas domésticas

As duas espécies identificadas são conhecidas por viverem de modo solitário.

No entanto, no interior da caverna, os animais compartilham a mesma área, com teias sobrepostas e entradas de funil muito próximas, algo que especialistas classificam como comportamento raro para esses grupos.

O artigo relata que esta é a primeira evidência documentada de formação de colônia e construção coletiva nessas duas espécies.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Pesquisadores descrevem o caso como um exemplo de “colonialidade facultativa”, termo utilizado quando um comportamento cooperativo aparece em circunstâncias ambientais específicas.

Análises genéticas indicam que as populações dentro da caverna apresentam diferenças em relação a indivíduos das mesmas espécies encontrados no exterior, sugerindo adaptação ao ambiente subterrâneo rico em enxofre.

Avaliações do microbioma mostraram menor diversidade bacteriana nas aranhas da caverna em comparação com exemplares de superfície.

Ecossistema subterrâneo sustentado pelo enxofre

A caverna é atravessada por um riacho com alta concentração de compostos de enxofre.

Segundo os autores do estudo, essas condições permitem a proliferação de bactérias que oxidam enxofre, formando camadas espessas de biofilme sobre rochas úmidas.

Esse biofilme serve de base para a cadeia alimentar local.

Larvas e adultos de mosquitos da família dos quironomídeos utilizam a matéria orgânica produzida pelos microrganismos.

Esses insetos acabam se tornando uma das principais fontes de alimento para as aranhas.

Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.
Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.

Os pesquisadores estimam que milhões de quironomídeos possam circular na área sulfurosa, o que ajudaria a explicar a densidade da colônia.

Os especialistas classificam o sistema como um ecossistema quimiossintético subterrâneo, semelhante a outros já estudados em cavernas sulfurosas da Europa.

Fauna diversificada na região sulfurosa

Levantamentos recentes registraram a presença de milípedes, escorpiões, besouros, colêmbolos, dipluros e outros invertebrados que ocupam diferentes áreas da caverna.

Esses animais habitam trechos inundados, margens do riacho e corredores mais profundos.

Parte dessas espécies apresenta características típicas de ambientes subterrâneos, como olhos reduzidos, pigmentação clara e membros alongados.

Pesquisadores mencionam ainda a existência de organismos considerados endêmicos, restritos a esse conjunto de cavidades sulfurosas.

A combinação entre a teia de grandes dimensões, o número elevado de aranhas e a diversidade de fauna subterrânea leva especialistas a apontar a caverna como um ambiente útil para compreender como espécies de superfície conseguem se adaptar a sistemas quimiossintéticos extremos.

Como a descoberta foi feita na caverna

Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.
Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.

A presença da teia foi observada inicialmente por espeleólogos tchecos durante expedições na região.

De acordo com os relatos, a dimensão da formação e a quantidade de aranhas motivaram o planejamento de coletas científicas posteriores, com participação de biólogos e especialistas em ecossistemas subterrâneos.

Nas visitas seguintes, as equipes fotografaram a área, realizaram amostragens e coletaram aranhas, insetos e biofilmes.

O material permitiu estimar a área total da teia, calcular densidade populacional e analisar a relação das espécies com o ambiente sulfuroso.

Os resultados reunidos no artigo apontam para uma comunidade dependente da quimiossíntese em um ambiente considerado desafiador para animais de superfície.

O estudo se soma a pesquisas anteriores sobre a biodiversidade da Sulfur Cave.

Questões científicas ainda em investigação

Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.
Teia gigante com 106 m² e 110 mil aranhas é encontrada em caverna sulfurosa entre Grécia e Albânia, revelando comportamento coletivo raro.

Embora o levantamento tenha ampliado a compreensão sobre o ambiente, pesquisadores afirmam que ainda há pontos a esclarecer.

Entre eles está de que maneira duas espécies normalmente solitárias conseguem compartilhar a mesma área e quais fatores ambientais sustentam esse comportamento.

Entre as possibilidades consideradas pelos autores estão a grande oferta de alimento e a ausência de luz, que pode reduzir estímulos visuais associados a enfrentamentos entre indivíduos.

Em entrevistas, o biólogo István Urák, autor principal do estudo, destacou que achados como este mostram que ambientes subterrâneos podem revelar comportamentos pouco conhecidos em espécies comuns.

Com a descrição detalhada da estrutura e da colônia, pesquisadores defendem novas investigações em cavernas sulfurosas da região para identificar outros organismos adaptados a condições semelhantes.

Diante desse cenário, uma questão permanece: que outras comunidades subterrâneas ainda podem estar escondidas em regiões pouco exploradas?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x