O Sleipnir, maior navio guindaste já construído, pertence à holandesa Heerema e custou cerca de 1,5 bilhão de dólares. Segundo o Monitor do Mercado, a embarcação semissubmersível de 220 metros opera com gás natural liquefeito e realiza içamentos offshore para a indústria de petróleo e projetos de energia eólica marítima que nenhuma outra consegue igualar.
A holandesa Heerema Marine Contractors opera desde 2019 o Sleipnir, reconhecido como o maior navio guindaste do mundo. A embarcação semissubmersível foi construída no estaleiro Tuas Boulevard da Sembcorp Marine, em Cingapura, e entrou em serviço para realizar instalações e remoções de estruturas offshore que ultrapassam milhares de toneladas. O projeto nasceu da necessidade de içar módulos inteiros de plataformas e fundações de energia eólica sem desmontagem prévia, algo que reduz drasticamente o tempo de exposição a riscos em alto mar.
A construção do maior navio guindaste consumiu um investimento estimado em 1,5 bilhão de dólares e levou anos de desenvolvimento até o batismo oficial em maio de 2019. O nome Sleipnir vem do lendário cavalo de oito patas de Odin, da mitologia nórdica uma referência à força descomunal que a embarcação carrega em seus dois braços mecânicos. A Heerema projetou o navio para atuar tanto na indústria de petróleo e gás quanto na expansão da energia eólica marítima, movido por motores dual-fuel que queimam gás natural liquefeito.
Dois guindastes de 10 mil toneladas que trabalham juntos

O que torna o Sleipnir tão diferente de qualquer outra embarcação do tipo é a configuração dos seus dois guindastes rotativos. Cada braço suporta individualmente 10.000 toneladas métricas, e quando operam em conjunto, a capacidade combinada atinge 20.000 toneladas em um único içamento. O comprimento total de cada lança chega a 144 metros, e o sistema de giro utiliza os maiores rolamentos já fabricados para esse fim, com 30 metros de diâmetro. É essa arquitetura que permite ao maior navio guindaste do planeta movimentar módulos inteiros sem fragmentá-los.
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Na prática, essa potência mecânica elimina etapas críticas de montagem em alto mar. Em vez de transportar peças separadas e soldá-las sobre a água, o navio ergue blocos completos de plataformas ou fundações eólicas diretamente da barcaça para a posição final. Isso reduz interfaces, soldas offshore, tempo de campanha e riscos operacionais fatores que pesam enormemente no custo e na segurança de qualquer projeto marítimo de grande porte.
Uma embarcação semissubmersível de 220 metros que afunda de propósito
O Sleipnir mede 220 metros de comprimento por 102 metros de largura e opera com calado variável entre 12 e 32 metros. A classificação como embarcação semissubmersível significa que parte dos cascos é propositalmente submersa durante operações de içamento, criando uma base extremamente estável mesmo em mares agitados. É essa capacidade de controlar o próprio nível de imersão que diferencia o maior navio guindaste de embarcações convencionais.
O convés reforçado acomoda estruturas gigantescas antes e durante o transporte, enquanto o sistema de posicionamento dinâmico DP3 mantém o navio no ponto exato sem necessidade de âncoras. Oito propulsores azimutais de 5,5 MW cada garantem manobra e velocidade de até 12 nós. A embarcação semissubmersível comporta até 400 pessoas a bordo, contando com heliponto, alojamentos completos e infraestrutura para campanhas offshore prolongadas.
Gás natural liquefeito no lugar do combustível marítimo convencional
O Sleipnir foi o primeiro navio guindaste do mundo a operar com motores dual-fuel capazes de queimar gás natural liquefeito. A escolha pelo GNL reduz emissões de óxidos de enxofre e partículas finas em comparação ao combustível marítimo pesado tradicional, embora o gás natural continue sendo um combustível fóssil. A Heerema complementou esse sistema com iluminação LED, recuperação de energia térmica e acionamentos de frequência variável para reduzir o consumo global da embarcação.
Quando atracado em Roterdã, o maior navio guindaste se conecta a fontes de energia renovável em terra por meio de shore power, evitando a queima de combustível no porto. Essa combinação de medidas não torna a operação livre de carbono, mas representa um avanço significativo para uma embarcação cujo consumo energético precisa sustentar simultaneamente guindastes, propulsão, posicionamento dinâmico e todos os sistemas auxiliares. A aposta no gás natural liquefeito sinaliza a direção que a indústria offshore está tomando, mesmo sabendo que o caminho até a neutralidade de carbono ainda é longo.
Recordes de içamento que provam a capacidade real
Os números do Sleipnir não ficaram apenas no papel. Em 2019, a embarcação semissubmersível realizou o içamento do topside da plataforma Leviathan, no Mediterrâneo, com 15.300 toneladas — operação que a Heerema classificou como recorde mundial na época. Foi a primeira demonstração prática de que o maior navio guindaste poderia cumprir o que prometia em projeto.
Nos anos seguintes, o navio acumulou outras operações de peso. A remoção da jaqueta Jotun-B, com 8.100 toneladas, e da Brent Alpha, com 10.100 toneladas, mostraram sua utilidade no descomissionamento de plataformas antigas. Em 2021, a instalação da jaqueta P2 do campo Johan Sverdrup, na Noruega, pesando 12.050 toneladas, estabeleceu novo recorde para instalação direta por içamento em águas norueguesas. Cada operação confirmou que a engenharia por trás do Sleipnir funciona sob condições reais, não apenas em simulações.
Do petróleo à energia eólica offshore
O Sleipnir nasceu para servir a indústria de petróleo e gás, mas seu futuro está cada vez mais atrelado à energia eólica marítima. Com turbinas offshore crescendo em tamanho a cada geração, as fundações e subestações que as sustentam também ficam mais pesadas. São pouquíssimas embarcações no mundo capazes de içar esses componentes, e o maior navio guindaste é uma delas. A própria Heerema afirmou que, com lanças que alcançam 175 metros de altura e capacidade combinada de 20.000 toneladas, o Sleipnir está preparado para acompanhar a tendência de turbinas de energia eólica cada vez maiores.
Na outra ponta, o navio acelera o descomissionamento de plataformas envelhecidas. Estruturas que levariam meses para serem desmontadas peça por peça podem ser removidas inteiras por essa embarcação semissubmersível, com menor tempo de campanha e menor risco ambiental. O Sleipnir simboliza uma transição concreta: equipamento criado para extrair petróleo agora sustenta a infraestrutura que busca substituí-lo. É um paradoxo industrial que define bem o momento atual do setor energético global.
O que o Sleipnir revela sobre o futuro da engenharia offshore
A existência do maior navio guindaste do mundo não é apenas uma curiosidade de engenharia naval. Ela reflete uma demanda real: estruturas offshore estão ficando maiores, mais pesadas e mais complexas, tanto no petróleo quanto na energia eólica. Embarcações como o Sleipnir existem porque o mercado precisa delas, não porque alguém quis bater um recorde.
O desafio para os próximos anos será entender se a capacidade atual do navio acompanhará o ritmo de crescimento das turbinas eólicas e das novas plataformas. Até 2019, o Thialf, também da Heerema, era o maior navio guindaste em operação — e perdeu o título para o próprio Sleipnir. A história sugere que, em algum momento, outra embarcação ainda maior poderá surgir. Até lá, o Sleipnir permanece como a referência absoluta do que é possível fazer em alto mar.
Você conhecia a existência de navios com essa capacidade? Acha que a engenharia offshore vai precisar de embarcações ainda maiores nos próximos anos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe com quem se interessa por tecnologia marítima e energia.
